08 de novembro de 2026

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Rival de Netanyahu ganha chance oficial de virar o próximo primeiro-ministr

Vídeos Política 08/11/2026 18:08 youtube.com

Gadi Eisenkot, com 67 votos, superou Netanyahu e recebeu o mandato para formar governo. O general da reserva busca coalizão ampla sob sua liderança, marcando nova realidade política em Israel.

BRA 1

Gadi Eisenkot, general da reserva e líder da oposição, recebeu oficialmente neste domingo (08) o mandato do presidente Isaac Herzog para tentar formar o próximo governo de Israel. A decisão ocorreu após uma eleição sem resultado claro, na qual nenhum dos principais candidatos conseguiu alcançar a maioria necessária para chegar ao poder sozinho. Eisenkot superou seu rival direto, Benjamin Netanyahu, ao obter 67 votos no parlamento, contra 46 do atual primeiro-ministro, abrindo a possibilidade de uma coalizão ampla sob sua liderança.

A nomeação de Eisenkot para a tarefa de formar o gabinete ocorre em um momento de transição política crítica para o Estado de Israel. O presidente Herzog justificou a escolha citando uma "nova realidade política" que o país enfrenta, influenciada diretamente pelo resultado das eleições nos Estados Unidos. Nesse cenário, os democratas colocaram o presidente republicano Donald Trump em uma situação difícil ao conquistarem a maioria em ambas as casas do Congresso, o que altera o equilíbrio das alianças internacionais e pressiona a política interna israelense.

  • Eisenkot recebeu o mandato presidencial para formar o governo após obter 67 votos no Knesset, superando os 46 de Netanyahu.
  • O general declarou-se aberto a incluir Netanyahu e aliados de extrema direita na coalizão, desde que ele assuma a liderança.
  • A decisão do presidente Herzog foi motivada por uma "nova realidade política" após as eleições nos EUA.
  • Eisenkot, que comandou as Forças de Defesa de Israel entre 2015 e 2019, foi eleito pelo Partido da Unidade Nacional.
  • Houve 7 abstenções na contagem final dos votos no parlamento israelense.

Em declaração pública, o novo potencial primeiro-ministro afirmou que, se os membros do Likud, partido de Netanyahu, e do Partido Sionista Religioso, liderado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, realmente acreditam que este é um momento para a unidade, não vê motivo para que não apoiem um governo liderado por ele. Eisenkot ressaltou que sua coalizão seria baseada nos princípios que apresentou, mantendo a condição inegociável de que ele próprio assuma a chefia do executivo. Essa postura busca capitalizar o apoio parlamentar obtido na quinta-feira (5), que contou com o respaldo significativo dos partidos árabes, consolidando sua posição como a figura com maior capacidade de viabilizar uma maioria governamental.

A trajetória de Eisenkot combina uma longa carreira militar com uma atuação parlamentar recente. Nascido em 19 de maio de 1960, em Tiberíades, ele se alistou em 1978 nas Forças de Defesa Israelenses (IDF) e iniciou sua carreira na Brigada Golani. Ao longo de mais de quatro décadas nas forças armadas, chegou ao topo da hierarquia como o 21.º Chefe do Estado-Maior Geral da IDF, cargo que exerceu de 2015 até janeiro de 2019, quando foi sucedido pelo tenente-general Aviv Kohavi. Essa experiência operacional e estratégica é vista por analistas como um diferencial para lidar com a complexidade da segurança nacional e a polarização política atual.

No âmbito legislativo, Eisenkot foi eleito para a 25ª legislatura do Knesset pelo Partido da Unidade Nacional em 2022. Durante seu período no parlamento, atuou como presidente da Subcomissão de Doutrina de Segurança e Desenvolvimento de Força e integrou o Comitê de Relações Exteriores e Defesa, além de diversas outras subcomissões de segurança e inteligência. Ele permaneceu no governo até o final de 2024, quando deixou o cargo e retomou a atuação como deputado de oposição, posição que o levou a se tornar o principal rival de Netanyahu nas eleições recentes.

Desdobramentos da Coalizão e Alianças

A viabilidade do novo governo dependerá da capacidade de Eisenkot de unificar forças políticas historicamente adversárias. A inclusão de figuras do Likud e do Partido Sionista Religioso na coalizão, proposta pelo general, representa uma tentativa de superar a fragmentação do espectro político israelense. A condição de que Eisenkot ocupe a cadeira de primeiro-ministro é o principal ponto de atrito, pois exige que Netanyahu e Smotrich aceitem um papel subordinado em um governo que, embora amplo, não será liderado por eles.

O apoio dos partidos árabes foi determinante para que Eisenkot alcançasse a maioria de 67 votos, superando a barreira necessária para receber o mandato presidencial. Essa aliança com as minorias, somada à possibilidade de trazer parte da direita para o centro, configura uma coalizão de unidade nacional que busca estabilidade em um período de incertezas. A aceitação ou rejeição dessa proposta por parte das lideranças do Likud e do Partido Sionista Religioso definirá os próximos passos da formação do gabinete.

Impacto da Política Internacional

O presidente Isaac Herzog enfatizou que a decisão de encarregar Eisenkot da formação do governo está atrelada às mudanças no cenário internacional, especificamente após as eleições nos Estados Unidos. A conquista da maioria pelos democratas em ambas as casas do Congresso americano coloca o presidente Donald Trump em uma posição mais vulnerável, o que pode impactar a diplomacia e o apoio externo a Israel. Essa "nova realidade política" exige um governo israelense com maior capacidade de negociação e coesão interna para navegar as tensões globais.

A transição de poder, ou a manutenção de um governo de coalizão sob nova liderança, ocorre em um contexto de alta sensibilidade. A experiência de Eisenkot como chefe do Estado-Maior e sua atuação em comitês de defesa no Knesset sugeram que a segurança nacional será um pilar central de sua plataforma. A expectativa é que o novo governo busque um equilíbrio entre a defesa dos interesses de segurança e a gestão da crise política interna, utilizando a legitimidade conferida pela maioria parlamentar para implementar suas propostas.

Com o mandato oficializado, Eisenkot inicia agora as negociações formais para a composição do gabinete. O sucesso dessa empreitada dependerá da disposição das partes em priorizar a unidade nacional acima de interesses partidários imediatos. A comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos, aguardando a definição da nova liderança israelense que terá o desafio de consolidar a estabilidade política e responder aos desafios de segurança e diplomacia que o país enfrenta neste novo ciclo.