31 de outubro de 2026

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Alta de 20% no diesel: o que isso muda no seu bolso

Vídeos Agronegócio 31/10/2026 18:07 youtube.com

O diesel S-10 disparou 19,4% em 12 meses e chegou a R$ 7,35 o litro, puxado pelo petróleo e conflitos no Oriente Médio. O combustível já compromete até 10,6% da renda das famílias no Nordeste, enquanto o etanol segue mais barato em oito estados.

BRA 1

O diesel S-10, combustível amplamente utilizado no transporte de cargas e na agricultura, subiu 19,4% em 12 meses e atingiu preço médio de R$ 7,353 por litro em outubro, segundo o Monitor de Preços dos Combustíveis, da Veloe em parceria com a Fipe. O avanço mensal foi de 3,5%, puxado pela alta do petróleo Brent, que voltou a superar US$ 100 diante dos conflitos no Oriente Médio. O reajuste pressiona o custo do agronegócio e o orçamento das famílias, especialmente no Maranhão, onde abastecer um tanque de 55 litros de gasolina comum pode consumir 10,6% da renda domiciliar.

O diesel é um dos principais insumos do setor agropecuário, usado no escoamento da produção e na operação de máquinas. A pesquisa mostrou que quatro dos seis combustíveis monitorados ficaram mais caros no mês, com o diesel S-10 liderando as altas. Medidas de desoneração tributária e subvenção adotadas pelo governo federal não foram suficientes para conter a valorização nas bombas.

  • Diesel S-10 acumula alta de 19,4% em 12 meses, a maior entre os combustíveis monitorados.
  • Preço médio do litro chegou a R$ 7,353 em outubro, com avanço de 3,5% na comparação mensal.
  • Centro-Oeste tem o diesel mais caro do país, com média de R$ 7,604 por litro.
  • Etanol é mais barato que a gasolina em oito estados, com melhor relação em Mato Grosso (60,0%).
  • Abastecer um tanque de 55 litros comprometeu 10,6% da renda média no Maranhão no segundo trimestre.

No acumulado de 2026, o diesel S-10 ficou 19% mais caro, enquanto o diesel comum subiu 17,4% entre janeiro e outubro. O gás natural veicular avançou 7% no mesmo período, e as gasolinas comum e aditivada tiveram altas de 5,5% e 5,1%, respectivamente. Em outubro, o diesel comum também subiu 4,3% e passou a custar R$ 7,186, evidenciando a força do movimento de alta.

A principal causa da pressão sobre o diesel é o custo internacional do petróleo, que em outubro voltou a superar US$ 100 por barril. A valorização do Brent é atribuída às incertezas geradas pelos conflitos no Oriente Médio, que criam riscos para a oferta global e para o transporte da commodity. O governo federal tentou conter os efeitos com desoneração tributária e subvenção, mas os preços nos postos continuaram em ascensão.

O aumento do diesel atinge diretamente o agronegócio, que depende do combustível para plantar, colher e transportar a produção. Com o Centro-Oeste registrando o litro a R$ 7,604, o custo de produção na região mais cara do país tende a subir acima da média. Essa pressão pode se refletir nos preços dos produtos agrícolas ao consumidor final.

A pesquisa também mostrou que o etanol subiu 1,8% em outubro, para R$ 4,224, enquanto a gasolina comum manteve estabilidade, com preço médio de R$ 6,637. O GNV avançou 0,8%, para R$ 5,051 por metro cúbico. O cenário mantém o diesel como o item de maior peso na cesta de combustíveis do país.

Diesel acumula maiores altas e pressiona o agronegócio

O diesel S-10 é o combustível com a maior elevação no país tanto no mês quanto no acumulado de 12 meses. No recorte de 2026, a alta de 19% supera a dos demais produtos monitorados, com impacto direto sobre o transporte de cargas e a agricultura. O diesel comum acumula 17,4% de aumento no ano, conforme a Veloe e a Fipe.

A região Centro-Oeste apresentou a maior valorização mensal em outubro, de 5,1%, seguida pela região Sul, com 4,5%. No Nordeste e no Sudeste, os aumentos foram de 2,9%, enquanto o Norte registrou incremento de 2%. O maior preço médio do diesel S-10 também ficou no Centro-Oeste, com R$ 7,604.

Diferenças regionais marcam os preços no país

Os preços do diesel S-10 subiram em todas as regiões em outubro, mas com intensidades distintas. O Nordeste registrou média de R$ 7,547, enquanto Sudeste e Sul tiveram os menores valores, com R$ 7,214 e R$ 7,215, respectivamente. No caso da gasolina, a região Norte registrou o maior preço médio, de R$ 7,124, contra R$ 6,424 no Sul.

Essas diferenças regionais impactam diretamente o custo de produção das fazendas e o preço dos produtos agrícolas distribuídos em cada área. No etanol, o Norte também apresentou o maior valor médio, de R$ 5,145, enquanto o Sudeste teve o menor, de R$ 4,115. A variação reflete fatores como logística e condições de oferta locais.

Etanol segue competitivo e combustível pesa no orçamento

Apesar do segundo aumento mensal consecutivo, o etanol ainda é mais barato que a gasolina em oito estados, conforme o parâmetro de 70% adotado pela pesquisa. A relação média entre os preços ficou em 67,4% em outubro, acima dos 66,6% de setembro, mas ainda favorável ao biocombustível. Em Mato Grosso, a relação é de 60,0%, e em São Paulo, de 61,5%.

O comprometimento da renda familiar com combustível também é um ponto de atenção. No segundo trimestre de 2026, abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum consumiu 6,1% da renda média domiciliar no Brasil, ante 5,5% no trimestre anterior. No Maranhão, o percentual chegou a 10,6%, enquanto no Distrito Federal ficou em 3%.

Com o barril de petróleo ainda pressionado pelos conflitos no Oriente Médio, a tendência é de manutenção dos preços elevados nos próximos meses. A alta do diesel tende a se espalhar pela cadeia produtiva, elevando custos de transporte e alimentos, enquanto o etanol segue como alternativa mais barata em parte do país. O Monitor de Preços da Veloe e da Fipe continuará acompanhando os valores para dimensionar os efeitos sobre a economia.