RecargaPay conquista A-(bra) da Fitch com perspectiva estável. A nota abre captação de fundos sob regras do CMN. Com 15 milhões de clientes, ganha solidez.
A RP Financeira S.A., braço financeiro da RecargaPay, recebeu da Fitch Ratings o primeiro rating de crédito de sua história, com nota de longo prazo A-(bra) e de curto prazo F2(bra), ambas com perspectiva estável na escala nacional. A classificação foi concedida à instituição autorizada pelo Banco Central e ao grupo que reúne mais de 15 milhões de clientes em plataforma de pagamentos digitais. Com a nota na categoria A, a companhia ingressa no grupo de emissores considerado de baixo risco de crédito no país e passa a poder ampliar a captação com fundos e investidores institucionais.
O anúncio ocorre em um momento de atenção redobrada ao risco de crédito no mercado de renda fixa. Desde junho, novas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) condicionam o volume de captação garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) à qualidade e à liquidez dos ativos das instituições. Na prática, a garantia do FGC deixou de compensar fragilidades de balanço, tornando a avaliação independente um critério relevante para emissores que disputam recursos de investidores mais exigentes.
- RecargaPay recebeu nota A-(bra) da Fitch, indicando baixo risco de crédito na escala nacional.
- Novas regras do CMN vinculam a captação garantida pelo FGC à qualidade dos ativos das financeiras.
- O rating permite captar recursos de fundos e investidores institucionais.
- O modelo de negócios da RecargaPay usa pouco balanço, segundo a Fitch.
- Os saldos dos clientes ficam aplicados em títulos públicos ou depositados no Banco Central.
Na prática, o rating é um atestado de solidez emitido por um terceiro independente. Para a RecargaPay, ele chega em um momento de expansão da oferta de crédito, do Tap to Pay e dos cartões. A licença de financeira, obtida em 2024, já havia dado à companhia acesso a estruturas de captação próprias, mas a nota da Fitch amplia as possibilidades de prazo, taxa e distribuição de papéis.
O histórico do grupo também ajuda a explicar a avaliação. O que começou como um aplicativo de recargas tornou-se uma plataforma financeira regulada, em uma trajetória de dezesseis anos. A Fitch considera o modelo de pagamentos focado em serviços e com baixa utilização de balanço um limitador de riscos em comparação a financeiras tradicionais.
Além disso, o contexto setorial reforça a relevância da medida. O número de financeiras no Brasil cresceu 50% em dez anos, puxado por fintechs que passaram a captar diretamente. Nesse cenário, ter uma nota pública e independente deixou de ser diferencial para se tornar condição para competir pelo capital institucional.
Impacto prático para a captação de recursos
Para a RecargaPay, a nota tem efeitos imediatos. Muitos fundos de investimento, gestoras e investidores institucionais usam o rating como critério de entrada antes de aplicar recursos. Ao estrear com classificação na categoria A, a RP Financeira passa a fazer parte do universo de emissores considerados investment grade no mercado local, o que pode melhorar condições de prazos e taxas.
Xavier Ibañez, CFO da RecargaPay, afirma que a chancela é a primeira vez que uma agência global coloca uma nota pública sobre os números da companhia. Segundo ele, o resultado reflete disciplina com crescimento rentável, balanço sólido e aderência regulatória. Ibañez acrescenta que a empresa agora pode ser medida, comparada e acompanhada, com base para alongar prazos, diversificar a captação e ampliar o acesso a investidores institucionais.
O que a Fitch avaliou em detalhe
Como a financeira é totalmente integrada à controladora em gestão, sistemas e estratégia, a nota reflete o perfil de crédito de todo o grupo RecargaPay. A Fitch destacou a franquia consolidada em pagamentos digitais, a governança corporativa, os controles de risco, a boa liquidez e a estrutura de captação diversificada.
A agência também observou a segurança dos ativos dos clientes. Os saldos deixados na conta ficam aplicados em títulos públicos ou depositados no Banco Central, o que assegura disponibilidade contínua. A companhia mantém ainda estruturas dedicadas a riscos cibernéticos, continuidade de negócios e proteção de dados, sem eventos relevantes reportados, de acordo com a Fitch.
Evolução da estrutura financeira
O rating é uma das primeiras entregas da nova estrutura financeira da RecargaPay. A companhia anunciou recentemente a chegada de Xavier Ibañez, executivo com 18 anos de experiência no J.P. Morgan, para comandar a relação com investidores e o acesso a mercados de capitais.
Rodrigo Teijeiro, fundador e CEO da RecargaPay, afirma que a migração das fintechs para modelos regulados, com captação própria e governança robusta, é uma das transformações mais relevantes do sistema financeiro brasileiro. Teijeiro lembra que foram dezesseis anos para levar a empresa de um aplicativo de recargas a uma plataforma financeira completa. Para ele, estrear na categoria A é um ponto de partida, não de chegada, e a nota funciona como uma régua pública para mostrar a evolução da companhia ano a ano.
Com o rating em mãos, a RecargaPay ganha uma ferramenta adicional para disputar recursos em um mercado cada vez mais competitivo. A perspectiva estável indica que a Fitch não prevê mudança na avaliação no curto prazo, enquanto o grupo busca consolidar a expansão do crédito e dos serviços digitais. O próximo passo é transformar a classificação em condições mais longas e baratas de captação, mantendo a disciplina financeira que sustentou a nota inicial.



