08 de outubro de 2026

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J&F capta US$ 1,8 bi para alongar dívidas e mira expansão

Vídeos Economia 08/10/2026 18:25 youtube.com

O grupo J&F acaba de aprovar um empréstimo bilionário. J&F pode levantar até US$ 1,80 bilhão com bancos para alongar perfil da dívida https://www.bra1.com.br/704335 Siga o BRA 1 para não perder nada. #pode #levantar #bilhao #notícias

BRA 1

O grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, obteve aprovação para um novo empréstimo de até US$ 1,8 bilhão, com o objetivo de alongar o perfil das dívidas e financiar a expansão em setores como energia, mineração e defesa. A operação, coordenada por BTG Pactual, Citibank e Crédit Agricole, tem prazo de cinco anos e três anos de carência. Como garantia, foram apresentadas três empresas do grupo: Eldorado Brasil, LHG Mining e Flora.

A movimentação ocorre em meio a um processo de reorganização iniciado no começo deste ano, quando a J&F Investimentos se transformou na J&F S.A. e passou a atuar como um conglomerado industrial. A nova estrutura centraliza a gestão financeira de todos os negócios e prepara o grupo para novos investimentos. A captação faz parte dessa estratégia de ampliar o acesso a capital e reduzir a pressão de pagamentos no curto prazo.

  • Empréstimo de até US$ 1,8 bilhão, com prazo de cinco anos e carência de três anos.
  • Garantias apresentadas: Eldorado Brasil, LHG Mining e Flora.
  • Coordenação de BTG Pactual, Citibank e Crédit Agricole, com apoio de bancos internacionais.
  • Recursos serão usados para alongar dívidas e financiar expansão em energia, mineração e defesa.
  • Grupo também avança em energia nuclear e defesa, com aquisições recentes.

O novo limite de US$ 1,8 bilhão representa um aumento de US$ 480 milhões em relação aos US$ 1,32 bilhão anunciados no final de setembro. A liberação adicional foi feita pelas empresas controladas que servem como garantia. O custo do financiamento é baseado na taxa SOFR, referência do mercado americano, acrescida de juros de 2,60% ao ano.

De acordo com a J&F, o principal objetivo da operação é esticar o vencimento das dívidas, evitando pagamentos pesados no curto prazo sem elevar o endividamento total. A estrutura conta com a participação de instituições como First Abu Dhabi Bank, Abu Dhabi Commercial Bank, Industrial and Commercial Bank of China, Bank of China, Société Générale, Sumitomo Mitsui Trust Bank e Haitong Bank. A presença de bancos de diferentes países indica confiança no grupo brasileiro.

Os negócios da J&F somaram receita líquida de R$ 500 bilhões em 2025, incluindo a JBS. No primeiro trimestre deste ano, a receita consolidada chegou a R$ 119,6 bilhões, com Ebitda ajustado de R$ 7,8 bilhões. A alavancagem financeira terminou o período em 2,9 vezes, nível considerado compatível com as estratégias de crescimento do grupo.

A reorganização da holding começou em fevereiro, quando a J&F Investimentos mudou seu nome para J&F S.A. A mudança transformou a empresa de investimentos em um conglomerado industrial, com gestão financeira única e integrada. O plano se apoia em três pilares: fortalecer a governança, centralizar as finanças e incorporar completamente as empresas controladas.

Em abril, a Âmbar, que reúne os negócios de energia da família, assumiu ativos de gás e energia que antes estavam separados, incluindo participações da Fluxus e Logás. A empresa também assumiu o controle efetivo da Âmbar Amazonas e, em junho do ano passado, o controle da Roraima Energia. Processos semelhantes devem ocorrer com Eldorado Brasil, LHG Mining e Flora. A JBS permanece controlada pelo grupo, mas ficará fora dessas incorporações, mantendo sua própria governança.

Reorganização financeira e governança

A centralização financeira permite que a J&F coordene a geração de caixa, as dívidas e o investimento de capital entre os diferentes negócios, que antes tinham mais autonomia. A reorganização também trouxe um novo Conselho de Administração e um Conselho Fiscal, ambos compostos por membros independentes. A estrutura foi desenhada para dar mais transparência e eficiência à gestão do grupo.

Em setembro, a companhia enviou pedido à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para se tornar uma empresa pública na categoria B, o que permite emitir títulos de dívida, mas não ações. A medida amplia as opções de financiamento no mercado doméstico. Em abril, a J&F já havia captado US$ 400 milhões com a emissão de bonds no exterior.

Expansão para energia nuclear e defesa

A Âmbar Energia fechou, em outubro de 2025, a compra da participação da Eletrobras na Eletronuclear por R$ 535 milhões, além de assumir compromissos com garantias e integralização de R$ 2,4 bilhões em debêntures. Com a operação, a Âmbar passou a deter aproximadamente 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear. O governo federal, por meio da ENBPar, mantém o controle da companhia.

Os irmãos Batista também avançaram no setor de defesa. Por meio da Globe Investimentos, o family office da família, foi fechada a aquisição da Nova AVB, que controla os ativos da Avibras, fabricante de sistemas de defesa, artilharia e mísseis. A operação recebeu aval técnico da superintendência-geral do Cade em setembro. A aquisição amplia o alcance empresarial da família para além dos setores tradicionais.

Acesso ao mercado de capitais

A J&F também estuda ampliar sua presença no mercado de capitais. A categoria B de empresa pública permite a emissão e negociação de títulos de dívida, mas não de ações. Uma eventual abertura de capital exigiria uma etapa extra, com registro para negociação de papéis.

O grupo já passou por transformação semelhante com seu principal ativo. Em junho de 2025, a JBS estreou na Bolsa de Nova York (NYSE), após reorganização societária que transferiu a estrutura para a JBS N.V. Os papéis passaram a ser negociados nos Estados Unidos e, no Brasil, por meio de BDRs na B3.

Com a nova captação, a J&F reforça sua estrutura de capital para sustentar os planos de expansão em setores intensivos em investimento. O processo de incorporação das empresas controladas deve continuar, assim como a ampliação das fontes de financiamento. Os próximos passos incluem novas movimentações no mercado de capitais e o avanço das operações em energia, mineração e defesa.