30 de agosto de 2026

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Morre Marcos Penido, lendário repórter de futebol, aos 74 anos

Vídeos Esportes 30/08/2026 18:06 youtube.com

Morre aos 74 o jornalista Marcos Penido, repórter de futebol do O Globo. Ele cobriu nove Copas e denunciou manipulação de resultados no Rio.

BRA 1

O jornalista Marcos Penido, conhecido como "Penidão", morreu no sábado, 30 de agosto, aos 74 anos, vítima de insuficiência cardíaca. A informação foi confirmada por familiares e colegas de profissão. Penido construiu uma carreira de mais de três décadas no jornalismo esportivo, com passagem marcante pelo jornal O Globo, onde trabalhou de 1983 a 2015.

Nascido no Rio de Janeiro, Penido dedicou sua vida à cobertura de futebol, acompanhando nove edições da Copa do Mundo entre 1982 e 2014. Sua trajetória foi reconhecida com dois Prêmios Esso, considerados a maior honraria do jornalismo brasileiro. O primeiro veio ainda no Jornal do Brasil, pela cobertura do Mundial de 1982, e o segundo em 1994, já no O Globo, por uma reportagem que denunciou um esquema de corrupção na arbitragem do Campeonato Carioca.

  • Marcos Penido morreu aos 74 anos por insuficiência cardíaca.
  • Trabalhou 32 anos no jornal O Globo, entre 1983 e 2015.
  • Cobriu nove edições da Copa do Mundo, de 1982 a 2014.
  • Revelou em 1994 um esquema de manipulação de resultados no futebol do Rio.
  • Ganhou dois Prêmios Esso, um em 1982 e outro em 1994.

A denúncia de 1994 foi um marco na carreira de Penido. Na matéria publicada em 16 de dezembro daquele ano, ele mostrou que Wagner Canazaro, então diretor do quadro de árbitros da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), teria convocado 70 juízes para fraudar placares no Campeonato Carioca. A reportagem teve grande repercussão e levou a uma mobilização de outros jornalistas para aprofundar as investigações sobre o caso.

O trabalho coletivo, liderado por Penido e com a participação de colegas como César Seabra, Eduardo Tchao, Paulo Júlio Clement, Antônio Roberto Arruda e Gustavo Poli, resultou em uma série de reportagens que expuseram a corrupção no apito. A apuração conjunta foi fundamental para que o esquema fosse desmantelado e rendeu o segundo Prêmio Esso ao jornalista.

Carreira no jornalismo esportivo

Ao longo de 32 anos no O Globo, Penido se tornou uma referência na cobertura de futebol. Ele era conhecido pela apuração rigorosa e pela capacidade de transformar informações complexas em reportagens claras e objetivas. Sua paixão pelo Botafogo, clube do qual era torcedor fanático, não interferia na imparcialidade de seus textos, mas alimentava seu conhecimento profundo sobre o esporte.

Penido também era admirado pela ética profissional e pelo compromisso com a verdade. Sua morte gerou comoção entre colegas e leitores, que destacaram sua contribuição para o jornalismo esportivo brasileiro. Para muitos, ele representava uma geração de repórteres que priorizava a investigação e o interesse público acima de tudo.

A denúncia de 1994

A reportagem sobre a manipulação de resultados no Campeonato Carioca foi um dos momentos mais importantes da carreira de Penido. Na época, ele conseguiu acesso a documentos e depoimentos que comprovavam a atuação de Canazaro na convocação de árbitros para favorecer determinados clubes. A publicação do texto gerou um debate nacional sobre a integridade do futebol e levou a uma investigação oficial sobre o caso.

O impacto da denúncia foi imediato. Outros veículos de imprensa passaram a acompanhar o assunto, e a pressão pública resultou em punições para os envolvidos. Penido, no entanto, sempre evitou os holofotes, preferindo destacar o trabalho coletivo da equipe que o ajudou a apurar os fatos. Sua humildade e dedicação eram marcas registradas de sua personalidade.

Legado e homenagens

Após a aposentadoria, em 2015, Penido continuou sendo uma referência para jovens jornalistas. Ele participava de eventos e palestras, compartilhando suas experiências e incentivando a prática do jornalismo investigativo. Sua morte deixou uma lacuna no esporte e na imprensa, mas seu legado permanece vivo nas histórias que contou e na inspiração que deixou para as próximas gerações.

O colega Toninho Nascimento, que trabalhou com Penido no O Globo por 16 anos, lamentou a perda. "Ele era o que hoje em dia cada vez temos menos no jornalismo: um repórter, um cara dedicado a descobrir notícias", afirmou. A declaração resume o sentimento de todos que conviveram com o jornalista, cuja carreira foi marcada pela busca incansável pela verdade e pelo respeito ao leitor.

Marcos Penido deixa a esposa Rita, dois enteados e uma legião de admiradores. Sua trajetória, construída com ética e paixão pelo ofício, serve de exemplo para o jornalismo brasileiro. A notícia de sua morte, recebida com pesar, reacende a memória de um profissional que dedicou a vida a contar as histórias mais importantes do futebol e a expor os problemas que ameaçavam sua credibilidade.