12 de agosto de 2026

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AMEC quer mudanças na lei e fiscalização da CVM

Vídeos Economia 12/08/2026 12:06 youtube.com

AMEC propõe modernização de regras e fiscalização da CVM para proteger investidores e atrair capital estrangeiro.

BRA 1

O presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC) defendeu, em declaração recente, alterações na lei das sociedades anônimas e na fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com o objetivo de modernizar as regras do mercado de capitais, aumentar a transparência e proteger os investidores.

A proposta surge em um momento em que o mercado de capitais brasileiro busca se fortalecer para atrair investimentos internacionais e melhorar a confiança dos investidores locais. A AMEC, como entidade representativa de investidores institucionais e de mercado, tem pressionado por atualizações regulatórias que acompanhem as práticas globais de governança e compliance.

  • A AMEC propõe modernização da lei das sociedades anônimas para adequá-la a padrões internacionais.
  • A entidade defende maior fiscalização por parte da CVM, com foco em transparência e combate a irregularidades.
  • As mudanças visam proteger os investidores, oferecendo mais segurança jurídica e informações claras sobre empresas.
  • A intenção é estimular o desenvolvimento do mercado financeiro, ampliando a liquidez e a participação de investidores.
  • As alterações podem atrair mais capital estrangeiro para o Brasil, reduzindo o chamado "custo Brasil" no mercado de capitais.

Historicamente, a regulação do mercado de capitais brasileiro passou por reformas importantes, como a Lei das S.A. (Lei 6.404/1976) e a criação da CVM, mas a AMEC avalia que ainda há lacunas que precisam ser preenchidas. A fiscalização exercida pela CVM, embora considerada robusta em alguns aspectos, pode ser aprimorada para garantir maior eficiência na detecção de fraudes e na proteção de acionistas minoritários. De acordo com a entidade, a modernização das regras traria benefícios diretos para os investidores, que teriam mais segurança jurídica e informações claras sobre as empresas listadas em bolsa.

O presidente da AMEC argumenta que o ambiente regulatório atual não acompanha a velocidade das inovações financeiras e das práticas de governança corporativa adotadas em grandes centros financeiros. A proposta inclui, entre outros pontos, a simplificação de processos de assembleia e a ampliação do poder dos conselhos de administração para fiscalizar a gestão. Além disso, a entidade defende que a CVM invista em tecnologia e capacitação de seus quadros para realizar uma supervisão mais proativa, com base em análise de dados e inteligência artificial.

Especialistas do mercado financeiro consultados pela reportagem apontam que as mudanças sugeridas pela AMEC podem gerar resistência de setores que preferem manter a regulação atual. No entanto, a entidade acredita que o debate é necessário para o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro e para aumentar sua competitividade em relação a outros países emergentes, como México e Índia, que já adotaram reformas semelhantes.

Propostas de alteração na lei das empresas

A AMEC defende a revisão de dispositivos da Lei das S.A. que tratam de divulgação de informações, responsabilidade de administradores e direitos dos acionistas. Um dos pontos centrais é a exigência de que as empresas listadas adotem padrões internacionais de contabilidade (IFRS) de forma mais rigorosa, além de ampliar a transparência sobre remuneração de executivos e operações com partes relacionadas. A entidade sugere ainda a criação de mecanismos que facilitem a participação de acionistas minoritários em assembleias a distância, reduzindo custos de participação.

Outra mudança proposta é a simplificação do processo de emissão de ações e debêntures, com a redução de burocracias para ofertas públicas. A AMEC argumenta que isso pode estimular o financiamento de empresas de médio porte no mercado de capitais, aumentando a diversidade de opções para investidores. A proposta também prevê a criação de uma nova categoria de ações com direitos especiais para investidores de longo prazo, como fundos de pensão, o que poderia dar mais estabilidade ao mercado.

Fortalecimento da fiscalização da CVM

No âmbito da fiscalização, a AMEC propõe que a CVM amplie sua capacidade de monitoramento de práticas de mercado, como operações de insider trading e manipulação de preços. A entidade sugere a criação de um sistema de alertas automáticos baseado em algoritmos para identificar padrões suspeitos de negociação, inspirado em modelos utilizados pela Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos. Além disso, defende a contratação de mais analistas e a realização de auditorias periódicas nas empresas de capital aberto.

A AMEC também pede que a CVM fortaleça a sua área de educação financeira e de proteção ao investidor, com a criação de um canal de denúncias anônimo e a ampliação de campanhas de conscientização sobre direitos. A entidade acredita que uma fiscalização mais rigorosa, combinada com maior transparência, pode reduzir a volatilidade do mercado e aumentar a confiança dos investidores estrangeiros, que hoje representam cerca de 50% do volume negociado na B3, segundo dados da própria bolsa.

A expectativa é que as propostas da AMEC gerem debate no Congresso Nacional e entre os órgãos reguladores, com potencial impacto na próxima agenda regulatória do mercado de capitais. A entidade deve apresentar um documento formal com as sugestões à CVM e ao Ministério da Fazenda nos próximos meses, acompanhado de estudos de impacto econômico. O desfecho desse processo pode definir o rumo da regulação do mercado de capitais brasileiro na próxima década.