Superando tragédia na adolescência, zagueiro do Flamengo virou exemplo de resiliência e liderança no futebol.
A tragédia que marcou a adolescência de Léo Pereira, hoje zagueiro e líder do Flamengo, foi o ponto de virada que forjou sua resiliência e o transformou em um dos pilares do time carioca. Aos 12 anos, ele perdeu a casa da família em um incêndio no bairro Novo Mundo, em Curitiba, o que levou à separação dos pais e o obrigou a morar no alojamento do primeiro clube, o Trieste. A infância difícil, marcada pela violência nas ruas e pela responsabilidade de cuidar das duas irmãs autistas enquanto os pais trabalhavam, moldou um caráter que hoje é reconhecido dentro e fora de campo.
O incêndio destruiu não apenas a moradia, mas também a estrutura familiar. O pai foi para um lado, a mãe para outro, e Léo, sem muitas opções, aceitou a oferta do Trieste de viver no alojamento. "Naquele momento tão difícil, era uma boca a menos para alimentar", relembra Ricardo Vargas, coordenador técnico do clube. A mudança, embora traumática, foi um divisor de águas: ele passou a ter alimentação adequada, um quarto próprio e acompanhamento pedagógico, o que permitiu que se dedicasse integralmente aos treinos e aos estudos. Aos poucos, o meia-atacante alto e técnico foi recuado para a zaga, onde sua qualidade no passe se tornou diferencial.
Após passagens por Guaratinguetá, Náutico e Orlando City, Léo Pereira enfrentou oscilações e chegou a ser considerado fora dos planos do Athletico. Mas, em 2018, retornou ao clube paranaense e se destacou no time sub-23, acompanhando o técnico Tiago Nunes à equipe principal. Foi peça-chave nas conquistas da Sul-Americana (2018) e da Copa do Brasil (2019). Vendido ao Flamengo em 2020 por 7 milhões de euros, ele superou um início difícil e se firmou como titular absoluto, acumulando títulos e recebendo convocação para a seleção brasileira. "Ele sempre disse: 'Se tiver uma oportunidade na seleção, eu não saio'", conta seu agente, Ricardo Scheidt.
A resiliência de Léo Pereira é frequentemente atribuída às adversidades da infância. Há dez meses, ele trabalha com o coach esportivo Carlos Bertoldi, que destaca sua busca por potencializar virtudes, e não por remediar problemas. O zagueiro recusou propostas tentadoras do Al-Nassr, da Arábia Saudita (US$ 15 milhões em 2023), e do Besiktas, da Turquia (10 milhões de euros), ambas recusadas pelo Flamengo. Aos 30 anos, ele mantém o foco em seguir conquistando títulos e atingindo marcas no clube, com um desejo peculiar: encerrar a carreira atuando como atacante por uma temporada.
O exemplo de superação de Léo Pereira ecoa no elenco rubro-negro, que se prepara para enfrentar o Vitória às 19h30 no Maracanã. Sua história, que começou com uma tragédia e a separação da família, hoje inspira dentro e fora dos gramados, consolidando-o como um dos líderes do Flamengo e um símbolo de que as dificuldades podem ser transformadas em força.



