02 de julho de 2026

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Galinha Pipi faz tratamento chinês para curar bico torto

Variedades Animais 02/07/2026 15:43 Thauana Luares - Primeira Página primeirapagina.com.br

Pipi, uma galinha criada como pet em Mato Grosso do Sul, viajou mais de 130 km para tratar uma deformidade no bico. Ela está passando por um tratamento especial que inclui uma técnica milenar chinesa chamada moxabustão, que usa calor para ajudar na cicatrização. A ave conquistou a equipe veterinária e tem se recuperado bem.

Quem passa pelos corredores de uma clínica especializada em animais silvestres e exóticos dificilmente imagina que uma das pacientes mais queridas da equipe é uma pequena galinha muito simpática. Chamada de Pipi, a ave se tornou um exemplo de dedicação dos tutores e dos profissionais envolvidos em sua recuperação.

Moradora de uma propriedade rural na região de São Gabriel do Oeste, desde pequena Pipi já apresentava problemas no bico. Com o tempo, o problema piorou e fez com que sua tutora precisasse dar papinhas para complementar a alimentação e garantir que ela se desenvolvesse bem.

  • Pipi é uma galinha que tem o bico torto e não conseguia se alimentar direito
  • Ela viajou mais de 130 km para fazer um tratamento especial em uma clínica veterinária
  • O tratamento inclui uma técnica chinesa milenar chamada moxabustão, que usa calor para curar feridas
  • A equipe veterinária está cuidando de uma lesão que surgiu no bico durante a tentativa de correção
  • Pipi é tão querida que já tem seus preferidos entre os funcionários da clínica

Apesar de todos os cuidados especiais, Pipi não tinha uma vida próxima do comportamento natural das galinhas, como ciscar, explorar o ambiente e interagir com os outros animais. Determinados a dar mais conforto para o animal, os tutores viajaram mais de 130 quilômetros em busca de ajuda especializada.

Quem é a Pipi

Segundo a médica veterinária Penélope Leite, da Pró Exotics, a equipe precisou fazer uma avaliação completa antes de começar qualquer tentativa de correção do bico. Nós fizemos radiografia para entender melhor como ela estava e aí a gente iniciou os cuidados. Além do problema do bico, vimos outros problemas no corpo, que precisavam ser estabilizados antes do início do tratamento principal, explicou Penélope.

Depois dessa etapa, os veterinários desgastaram o excesso de queratina acumulado no bico e colocaram um dispositivo para tentar posicioná-lo aos poucos. Durante o processo, porém, surgiu uma lesão na região, que passou a ser o foco dos cuidados da equipe. Por ser uma área muito delicada, acabou ocorrendo uma lesão durante a tentativa de correção. Agora, nosso foco é fazer essa ferida cicatrizar. Depois disso, vamos reavaliar a possibilidade de tentar reposicionar o bico de novo.

Paciente querida da equipe

Enquanto se recupera, Pipi recebe alimentação assistida, medicamentos, analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e acompanhamento constante da equipe veterinária. Mas não é só o tratamento que chama atenção: a personalidade da ave também conquistou os profissionais da clínica.

De acordo com Penélope, a paciente já reconhece os funcionários e mostra preferência por alguns deles. As galinhas são animais muito interativos quando são criadas como pets. A Pipi já tem seus favoritos na equipe e interage muito bem com todos. É uma paciente tranquila, acostumada ao manejo e que já faz parte da rotina da clínica.

Apesar de não serem os pacientes mais comuns, Penélope afirma que aves de quintal, como galinhas, galos, patos e galinhas-dangola, também recebem atendimento especializado e podem ter desde doenças respiratórias até deformidades, problemas ortopédicos e outras condições clínicas.

Tratamento especializado para Pipi

Entre os tratamentos complementares usados na recuperação da ave está a moxabustão, uma técnica da medicina chinesa milenar que usa o calor produzido pela queima da erva Artemísia vulgaris para estimular a cicatrização dos tecidos.

A médica veterinária Tainah Rojas Franco, especialista em homeopatia, ozonioterapia e acupuntura, explica que a técnica foi escolhida por causa das características da ferida de Pipi. A moxa é uma técnica que ajuda na cicatrização, alivia a dor e também ajuda a reduzir o inchaço. Desde o início das sessões já vemos uma melhora importante na inflamação da região, disse Tainah.

A veterinária explica que, em tratamentos de feridas, normalmente a moxabustão é usada junto com a ozonioterapia. No caso da galinha, porém, foi preciso adaptar o protocolo para garantir a segurança de Pipi.

Recuperação segue com boas expectativas

Internada há cerca de duas semanas, Pipi ainda deve ficar sob cuidados veterinários por mais um tempo. A região machucada exige atenção especial porque fica perto da boca e recebe contato constante com saliva e alimentos, fatores que podem deixar a cicatrização mais lenta. Mesmo assim, os profissionais consideram que a evolução tem sido positiva.

Enquanto os tutores aguardam a recuperação em casa, recebem notícias frequentes sobre a paciente que saiu do quintal para se tornar uma das figuras mais carismáticas da clínica. E se depender da dedicação da equipe, a missão continua a mesma: garantir que a pequena Pipi possa voltar a viver com mais conforto, autonomia e qualidade de vida.