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IBGE: 20 milhões de brasileiros seguem sem internet no Brasil

Tecnologia Acesso à Internet 06/11/2026 13:01 Redação BRA 1 - Diário

IBGE revela que 20 milhões de brasileiros seguem sem internet, aprofundando a exclusão digital. O dado destaca a barreira ao acesso a serviços públicos e empregos no país.

Mais de 20 milhões de brasileiros continuam sem acesso à internet, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, reportado pela CNN Brasil, destaca a persistência da exclusão digital no país, um cenário que afeta diretamente a cidadania, o acesso a serviços públicos e as oportunidades de trabalho. A falta de conectividade é apontada como um dos principais obstáculos para a inclusão social e a participação plena na economia digital.

O contexto da exclusão digital no Brasil é marcado por disparidades regionais e socioeconômicas significativas. Embora a cobertura de redes móveis tenha avançado nos últimos anos, a capacidade de acesso efetivo, que inclui dispositivos adequados e planos de dados acessíveis, ainda não alcança toda a população. A questão torna-se ainda mais relevante em um cenário de crescente digitalização de serviços governamentais e privados, onde a ausência de conexão pode significar a perda de direitos básicos e benefícios sociais.

  • Mais de 20 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, conforme apontado pelo IBGE.
  • A exclusão digital afeta desproporcionalmente populações de baixa renda e residentes em áreas rurais.
  • A falta de conexão limita o acesso a serviços públicos digitais, como o gov.br, e a oportunidades de emprego.
  • O avanço da digitalização do Estado exige políticas públicas robustas para garantir a inclusão digital universal.
  • A desigualdade no acesso à tecnologia perpetua ciclos de pobreza e reduz a participação cidadã.

O levantamento do IBGE revela que a barreira do acesso à internet vai além da infraestrutura física de torres de celular ou cabos de fibra óptica. Muitos brasileiros possuem cobertura de sinal, mas não dispõem de recursos financeiros para adquirir smartphones ou computadores, nem para contratar planos de dados com velocidade e volume suficientes para o uso cotidiano. Essa lacuna entre disponibilidade técnica e acesso real configura o que especialistas chamam de "divisão digital", onde a tecnologia beneficia majoritariamente as classes de maior renda, enquanto as camadas mais vulneráveis permanecem à margem do fluxo de informações.

A consequência direta dessa exclusão é a dificuldade de interação com o Estado. Com a migração acelerada de serviços para o ambiente digital, cidadãos sem internet enfrentam obstáculos para emitir documentos, solicitar benefícios sociais, acessar a saúde ou participar de processos administrativos. A CNN Brasil destaca que essa situação compromete a eficácia das políticas públicas de transferência de renda e assistência social, pois a comunicação e a prestação de contas passam a depender de canais que parcela da população não consegue utilizar. O desafio é, portanto, não apenas técnico, mas também de desenho de políticas que contemplem a diversidade de realidades brasileiras.

Além da esfera governamental, o mercado de trabalho tem sofrido transformações profundas que exigem conectividade constante. Vagas de emprego, especialmente aquelas que envolvem trabalho remoto ou semi-remoto, requerem acesso estável à internet para entrevistas, treinamentos e execução das tarefas. A ausência de acesso limita a mobilidade social, pois restringe as opções de renda para milhões de trabalhadores. Dados indicam que a digitalização do trabalho tem sido mais rápida que a universalização do acesso, criando um gap que pode aprofundar as desigualdades regionais e de classe no próximo decênio.

Desafios da infraestrutura e cobertura

A expansão da infraestrutura de telecomunicações no Brasil ainda enfrenta desafios geográficos e econômicos. Regiões do Norte e Nordeste, além de áreas rurais isoladas, apresentam menor densidade de investimento em redes de alta velocidade. Embora o 5G esteja em fase de implantação, a cobertura inicial concentra-se nos grandes centros urbanos, onde a demanda comercial é mais alta. Para que os mais de 20 milhões de brasileiros sem acesso sejam incluídos, é necessário um esforço conjunto entre o setor privado e o poder público para levar conectividade a locais onde o retorno financeiro imediato é baixo, exigindo subsídios ou modelos de negócio específicos para telecomunicações universais.

Impacto na cidadania e no acesso a serviços

A digitalização dos serviços públicos, representada por portais como o gov.br, tem como objetivo aumentar a eficiência e a transparência, mas corre o risco de excluir quem não está conectado. A falta de acesso à internet impede que cidadãos verifiquem seus direitos, consultem extratos de benefícios ou realizem cadastros necessários para programas sociais. Essa barreira tecnológica pode ser interpretada como uma nova forma de exclusão cívica, onde a participação na vida pública e no exercício da cidadania fica condicionada à posse de dispositivos digitais e à capacidade de navegar na web. Garantir que a transformação digital não deixe ninguém para trás é um imperativo para a manutenção do Estado de Direito e da igualdade de oportunidades.

Os próximos passos para reverter esse quadro envolvem a implementação de políticas de universalização do acesso, a promoção da alfabetização digital e a revisão dos modelos de precificação de serviços de telecomunicações. É fundamental que o avanço da tecnologia no Brasil seja acompanhado por medidas que assegurem a inclusão de todos os cidadãos, transformando a internet em um direito efetivo e não em um privilégio de poucos. A superação dessa lacuna é essencial para o desenvolvimento econômico e social do país, garantindo que a era digital traga benefícios equitativos para toda a população brasileira.

Referências


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