ANPD apontou em agosto de 2026 que o TikTok registrava tentativas de curtir e seguir de menores deslogados. A BBC mostra como o app rastreia e como se proteger.
A BBC publicou uma reportagem que explica como o TikTok rastreia a atividade dos usuários na internet e reúne orientações para quem deseja proteger a própria privacidade na plataforma. O material, assinado pela emissora britânica, aborda tanto os mecanismos de coleta acionados pelo aplicativo quanto as medidas práticas que o usuário comum pode adotar para reduzir sua exposição. O assunto ganha relevância no Brasil em meio a apontamentos recentes de autoridades de proteção de dados e a mudanças na política de privacidade da empresa em outros mercados.
O debate sobre o que o TikTok coleta e como esses dados circulam deixou de ser uma discussão restrita a especialistas em segurança digital. Em agosto de 2026, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) apontou que a plataforma registrava "tentativas" de curtir e seguir feitas por menores de idade que estavam deslogados, conforme noticiado pelo GLOBO. No início do mesmo ano, a versão americana do aplicativo alterou sua política para coletar mais dados de usuários, de acordo com o Tecnoblog. Os dois episódios ajudam a explicar por que o tema voltou ao centro do noticiário.
- A BBC detalha como o TikTok rastreia a atividade dos usuários e indica caminhos para proteger a privacidade.
- A ANPD apontou que a plataforma registrava tentativas de curtir e seguir de menores deslogados, segundo o GLOBO.
- A versão americana do TikTok mudou sua política para coletar mais dados, conforme o Tecnoblog.
- A empresa amplia negócios no Brasil, com planos de oferecer empréstimos e a operação do TikTok Shop.
- Recursos como a pesquisa visual e episódios como o "TikTok Farlands" mostram outras frentes de uso e exposição de dados.
A discussão sobre rastreamento acompanha a evolução do próprio aplicativo. Nascido como rede de vídeos curtos, o TikTok passou a operar como vitrine de comércio, mecanismo de busca visual e, mais recentemente, candidato a provedor de serviços financeiros. Cada uma dessas frentes depende de informação sobre comportamento, preferências e localização dos usuários, o que amplia o volume de dados em jogo. A reportagem da BBC se insere nesse contexto ao tentar tornar visível o que normalmente fica fora do campo de visão de quem usa o aplicativo.
O caso envolvendo menores deslogados é o exemplo mais concreto do tipo de coleta que desperta preocupação. Segundo o GLOBO, a ANPD identificou que o TikTok registrava "tentativas" de interações - como curtir e seguir - realizadas por usuários menores de idade que não estavam autenticados na plataforma. O episódio levanta questões sobre consentimento e sobre os limites do monitoramento de pessoas que sequer estão formalmente conectadas a uma conta. A autoridade brasileira é o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento da legislação de proteção de dados no país.
Nos Estados Unidos, a mudança de política anunciada em janeiro de 2026 seguiu direção oposta à de restrição. De acordo com o Tecnoblog, a versão americana do TikTok passou a permitir a coleta de uma quantidade maior de dados dos usuários. Alterações desse tipo costumam ser acompanhadas de atualizações nos termos de uso e nos avisos de privacidade, documentos que a maioria dos usuários aceita sem leitura detalhada. A combinação entre regras diferentes por país e comunicação pouco clara dificulta a compreensão do que efetivamente é coletado.
O que a ANPD apontou sobre menores deslogados
O apontamento da ANPD, divulgado em agosto de 2026 e noticiado pelo GLOBO, trata de um intervalo em que a plataforma registrava tentativas de interação de menores que não estavam logados. A situação é sensível porque envolve um público com proteção reforçada pela legislação brasileira e porque ocorre antes de qualquer autenticação, quando o usuário não tem sequer ciência de que está sendo observado. O caso reforça a percepção de que o rastreamento não começa apenas quando a conta é criada.
Para o usuário, o episódio serve como alerta sobre a importância de acompanhar as configurações de privacidade mesmo em acessos rápidos e sem login. A discussão também pressiona a plataforma a explicar publicamente quais sinais registra e com que finalidade. A reportagem da BBC sobre o tema se conecta diretamente a esse ponto, ao tentar descrever de forma acessível como o rastreamento funciona na prática.
Expansão comercial amplia o volume de dados em circulação
Ao mesmo tempo em que a privacidade entra em pauta, o TikTok avança sobre novos negócios. Em abril de 2026, o Tecnoblog informou que a empresa quer oferecer empréstimos e já busca licença para atuar no Brasil. Em setembro do mesmo ano, o Remessa Online publicou orientações sobre como comprar no TikTok Shop, a frente de comércio dentro do aplicativo. Serviços financeiros e compras embutidas exigem dados cadastrais e transacionais mais sensíveis do que a simples navegação por vídeos.
Outra frente é a pesquisa visual, tema de explicação do TechTudo em dezembro de 2025. O recurso permite buscar informações a partir de imagens captadas pela câmera, o que adiciona uma camada de coleta que vai além do texto e do comportamento dentro do feed. Em julho de 2026, a BBC também documentou o "TikTok Farlands", descrito como um submundo da rede explorado por usuários que hackearam a plataforma. Juntos, esses episódios mostram que a superfície de exposição cresce junto com o número de funcionalidades.
Como reduzir a exposição
A reportagem da BBC se organiza em duas frentes complementares: explicar os mecanismos de rastreamento e indicar caminhos para limitar a coleta. O ponto de partida é entender que o aplicativo reúne informações a partir da atividade dentro da própria plataforma e de sinais associados à navegação. Sem esse entendimento, qualquer ajuste de configuração tende a ser feito no escuro.
Do lado prático, a recomendação central é revisar periodicamente as configurações de privacidade e as permissões concedidas ao aplicativo no aparelho. A leitura dos avisos de atualização de política também importa, especialmente em um cenário no qual as regras variam conforme o país, como mostrou a mudança nos Estados Unidos. Acompanhar o que órgãos como a ANPD apontam ajuda a identificar riscos que não aparecem nas telas de configuração.
O que se desenha para os próximos meses é um cenário de maior escrutínio sobre a coleta de dados pelo TikTok, impulsionado tanto pela atuação de autoridades quanto pela expansão comercial da empresa no Brasil. A reportagem da BBC funciona como ponto de partida para o usuário entender o próprio rastro digital, enquanto os desdobramentos do caso na ANPD e as novas frentes de negócio devem manter o tema em evidência. Resta acompanhar se as respostas da plataforma virão na forma de mudanças efetivas de configuração ou apenas de ajustes nos termos de uso.
Referências
- TikTok: como a plataforma rastreia você na internet e como proteger sua privacidade
- Como comprar no TikTok Shop: dicas para usar a plataforma
- TikTok rastreava 'tentativas' de curtir e seguir de menores deslogados, diz ANPD
- O que é 'TikTok Farlands', o submundo da rede hackeado pelos usuários
- TikTok quer oferecer empréstimos e já busca licença no Brasil
- TikTok americano muda política para coletar mais dados de usuários
- Como funciona a pesquisa visual do TikTok e como usar no app

Foto ilustrativa: TikTok rastreia até curtidas de menores deslogados, veja como se proteger (IA)


