A ANTT agora exige o registro das operações de transporte de cargas. Ao mesmo tempo, sistemas inteligentes permitem que gestores façam perguntas simples e obtenham respostas rápidas sobre custos, veículos e manutenção.
Todos sabem que a inteligência artificial (IA) vai fazer parte do trabalho. A dúvida é onde ela pode economizar tempo e facilitar o dia a dia. Na gestão de frotas, uma função simples já ajuda: fazer perguntas.
Quais foram os cinco veículos que mais custaram Quantos quilômetros cada um rodou Quantas ordens de serviço foram abertas Quanto foi gasto com peças
- A ANTT exige registro das operações de carga desde maio de 2026.
- A IA ajuda a responder perguntas sobre custos e veículos sem precisar de relatórios.
- Apenas 15% das empresas do setor atingem seus objetivos de gestão de frota.
- 88% das empresas brasileiras já usam IA generativa, mas só 14% usam agentes de IA.
- A IA não toma decisões, apenas consulta dados para ajudar o gestor.
Essas perguntas são simples para quem administra uma frota, mas as respostas nem sempre vêm rápido. Se os dados não estão organizados, é preciso buscar relatórios, filtrar e cruzar informações até chegar ao resultado.
Nesse processo, a IA muda a forma de acessar e explorar os dados. O gestor pode começar com uma pergunta e aprofundar a análise conforme as respostas chegam. Por exemplo, descobrir quais veículos gastam mais combustível e depois ver o custo por quilômetro, comparar períodos, ver quais unidades estão fora do padrão e ainda montar uma planilha com os resultados.
Como a IA ajuda na gestão de frotas
Uma empresa registra todos os dias abastecimentos, despesas, manutenções, pneus, checklists, documentos, compras e outras informações sobre os veículos. O desafio é transformar esse volume de dados em respostas úteis. Para Paulo Raymundi, CEO da Gestran, a IA ajuda a fazer isso sem precisar de uma análise manual a cada pergunta.
Esse tipo de conversa já está chegando aos sistemas usados no transporte. A Gi, um agente de IA integrado ao Gestran Frota, permite que o gestor faça perguntas em linguagem comum, como faria com um colega, sem precisar decorar comandos ou buscar relatórios. Depois da resposta, dá para continuar perguntando e aprofundar a análise.
Quando uma informação não exige mais uma busca longa, ela entra na rotina com mais naturalidade. O ganho é tirar pequenos obstáculos do caminho para que a equipe trabalhe melhor com o que já tem, avalia Raymundi.
A informação pode ser mostrada de diferentes jeitos, conforme a necessidade. Além da resposta por escrito, os dados podem vir em gráficos ou serem exportados para Excel e CSV, para usar em outras etapas da gestão, explica.
Desafios e dados sobre o uso de IA
Para ele, a questão não é gerar mais informação, mas facilitar o acesso às que a empresa já tem. A mudança principal não é coletar dados, isso já era feito. É a velocidade entre ter a pergunta e obter uma resposta confiável.
A adoção desse tipo de recurso ainda é baixa. Raphael Aguiar, sócio e diretor da Gestran, diz que apenas 15% das empresas do setor conseguem atingir seus objetivos de gestão. Controle, custos e segurança são as maiores demandas, segundo ele, no evento Frotas Conectadas, em agosto de 2026.
O mesmo vale para a IA. No Brasil, uma pesquisa da Live University/Inbrasc mostra que 88% das empresas já usam IA generativa, mas só 14% estão em um estágio avançado no uso de agentes de IA para análises e previsões.
No exterior, o desafio é conectar as áreas da operação. Uma pesquisa da PwC com líderes de operações e supply chain mostra que 83% acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar. Mas só 27% dizem ter uma estratégia de IA totalmente integrada às unidades do negócio.
Regras da ANTT e o futuro da gestão
A qualidade das informações também é importante. Para 87% dos entrevistados, ela limita os resultados digitais, e só 37% se sentem à vontade para delegar processos inteiros a agentes de IA.
A tecnologia sempre registrou bem o que aconteceu. O que muda é usar esse histórico para ajudar a decidir. O gestor não precisa esperar o fim do mês para ver algo errado. Ele pode investigar na hora e decidir se age, diz Paulo Raymundi.
As novas regras da ANTT também aumentaram a quantidade de dados de cada operação. Desde maio de 2026, o CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) é obrigatório no transporte rodoviário de cargas pago. O registro reúne informações como contratante, transportador e veículo, permitindo acompanhar melhor cada viagem.
Com mais dados registrados, o gestor precisa consultá-los com facilidade. A Gi ajuda nessa etapa, trazendo as informações pedidas sem alterar os registros ou executar ações, conta o CEO.
E o motorista
A Gi é usada pelo gestor, mas as decisões chegam ao pátio, à oficina e à estrada. Mudar a programação, antecipar uma manutenção ou tirar um veículo de circulação, por exemplo, afeta a rotina de quem dirige.
Um veículo parado pode exigir mudar a escala, reorganizar a programação ou até alterar a rota. Quanto antes o gestor entender a situação, mais opções ele tem para reorganizar e reduzir o impacto para quem está na estrada, afirma.
A ociosidade é um ponto que pode ser investigado. Perguntando quais veículos estão parados e há quanto tempo, o gestor entende a capacidade disponível e vê o impacto na programação.
Raymundi explica que a Gi não executa as decisões; ela apenas consulta e interpreta as informações, sem alterar registros, criar ordens de serviço ou fazer outras operações. A IA encurta esse caminho. Ela não conhece a operação melhor que quem vive nela todos os dias, mas ajuda o profissional a chegar mais rápido ao ponto que precisa avaliar, conclui.

Uso da IA muda a forma de acessar e explorar os dados



