21 de outubro de 2026

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Líderes brasileiros não sabem usar IA: 5 habilidades urgentes antes de 2027

Tecnologia IA 21/10/2026 11:23 Bruno Omeltech, CEO da Omeltech São Paulo SP

Embora 50% das grandes empresas brasileiras já usem inteligência artificial, a falta de preparo dos gestores ameaça os resultados. Especialista aponta cinco competências essenciais para transformar a tecnologia em decisões eficazes e evitar o desperdício de investimento.

Embora a inteligência artificial já esteja presente em metade das grandes empresas brasileiras, a falta de preparo das lideranças ameaça o retorno desse investimento e a produtividade das equipes.

O especialista Bruno Omeltech, administrador e fundador da Omeltech, analisa quais competências essenciais os gestores precisam desenvolver e como iniciar esse processo para transformar o conhecimento tecnológico em capacidade de gestão real.

  • 50% das grandes empresas brasileiras já adotaram IA, segundo a pesquisa TIC Empresas 2025.
  • Apenas 26% dos trabalhadores sentem que suas lideranças estão alinhadas sobre o uso da tecnologia.
  • O desafio não é saber operar a ferramenta, mas saber tomar decisões com base nas respostas.
  • A capacitação deve começar em 2026 para garantir resultados antes do planejamento de 2027.
  • A Omeltech já impactou mais de 300 mil pessoas com projetos de educação corporativa no mundo.

O abismo entre tecnologia e liderança

Metade das grandes empresas brasileiras já utiliza inteligência artificial, mas disponibilizar a tecnologia aos funcionários não significa que os gestores estejam preparados para aplicá-la na liderança. A pesquisa TIC Empresas 2025, divulgada pelo Cetic.br, mostra que a adoção de IA avançou de 13% para 17% entre as companhias brasileiras e chegou a 50% nas organizações de grande porte. Com o planejamento empresarial para 2027, a capacitação de líderes ganha importância para transformar o investimento nessas ferramentas em resultados concretos.

Para Bruno Omeltech, o administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, o desafio está em transformar o conhecimento tecnológico em capacidade de gestão. O gestor não precisa se tornar um especialista em tecnologia, mas deve entender como utilizá-la para tomar decisões, organizar processos e desenvolver pessoas. Quando a empresa disponibiliza uma ferramenta sem preparar quem lidera, corre o risco de ter funcionários usando IA sem critérios claros ou objetivos definidos, explica.

O que os dados revelam sobre a gestão em IA

A dificuldade também aparece no Work Trend Index 2026, da Microsoft. O levantamento, realizado com 20 mil usuários de IA em dez países, incluindo o Brasil, mostra que apenas 26% consideram suas lideranças claramente alinhadas sobre o uso da tecnologia. O resultado reforça a necessidade de estabelecer orientações para que as ferramentas contribuam efetivamente para o trabalho.

As cinco competências que faltam aos gestores

Segundo o administrador, a preparação dos gestores deve ir além do conhecimento sobre ferramentas e contemplar habilidades diretamente relacionadas à rotina das equipes. Entre as principais estão: Tomada de decisões, utilizando IA para analisar indicadores, comparar informações e identificar padrões, sem abrir mão da avaliação humana; Automação de processos, reconhecendo tarefas repetitivas que podem ser otimizadas, liberando tempo para atividades estratégicas; Orientação das equipes, estabelecendo critérios de uso e ensinando os funcionários a incorporar a tecnologia às atividades; Avaliação crítica, reconhecendo informações incorretas, limitações das ferramentas e riscos relacionados à segurança de dados; e Mensuração de resultados, acompanhando indicadores de produtividade, qualidade das entregas e redução de retrabalho.

Na prática, essas competências ajudam a definir onde a tecnologia pode ser útil e quais decisões devem permanecer sob responsabilidade humana. Um gerente pode utilizar inteligência artificial para analisar indicadores, preparar reuniões ou organizar um plano de ação. Mas precisa saber conferir as informações e avaliar se aquela resposta faz sentido para sua equipe. O maior aprendizado não está em dominar comandos, e sim em saber o que fazer com as respostas que a tecnologia oferece, afirma o especialista.

Caminhos para a capacitação em 2026

Para empresas que ainda não estruturaram programas de desenvolvimento, o primeiro passo é identificar as principais dificuldades dos gestores. Processos que consomem tempo, decisões que dependem de muitas informações e atividades com retrabalho podem ajudar a definir onde a tecnologia será mais útil. É nessa proposta que se insere o Lidera IA, workshop desenvolvido pela Omeltech para aproximar a inteligência artificial dos desafios cotidianos da gestão.

A iniciativa busca apresentar aplicações práticas da tecnologia na liderança, na organização das atividades e no apoio às decisões, funcionando como uma etapa inicial para empresas que desejam capacitar seus gestores. Segundo o especialista, a aprendizagem precisa estar relacionada a situações vividas pelos participantes, permitindo que os conhecimentos sejam aplicados depois do treinamento. O erro é acreditar que capacitar líderes significa apresentar uma lista de ferramentas.

O treinamento precisa partir de problemas reais. Quando um gestor percebe que pode melhorar uma atividade que realiza todos os dias, o aprendizado ganha sentido. É assim que a inteligência artificial começa a fazer parte do trabalho, ressalta.

Por que começar agora

A proximidade de 2027 torna a capacitação em inteligência artificial uma decisão importante para o planejamento de recursos humanos. Bruno recomenda que as organizações comecem com treinamentos direcionados, definam objetivos e acompanhem os resultados antes de ampliar os programas para outras equipes.

O especialista também defende que a formação seja gradual e acompanhe as necessidades de cada organização. Uma empresa não precisa treinar todos os gestores de uma vez, nem começar com um investimento elevado. Pode iniciar com um workshop, identificar as principais necessidades e construir uma jornada de aprendizagem a partir dos resultados. O que não funciona é comprar tecnologia e esperar que a liderança descubra sozinha como utilizá-la, conclui.