O número de pessoas morando sozinhas no Brasil mais que dobrou em uma década, atingindo 15,6 milhões de habitantes. Com o envelhecimento da população, a tecnologia passa a ajudar na segurança doméstica. Soluções como fechaduras digitais permitem que familiares monitem acessos à distância, garantindo a autonomia dos idosos que vivem sem companhia, sem a necessidade de entregar chaves físicas ou monitorar excessivamente.
Morar sozinho deixou de ser uma exceção na rotina dos brasileiros. Em pouco mais de uma década, o número de pessoas que vivem sem companhia mais que dobrou no país. Em 2025, eram 15,6 milhões, contra 7,5 milhões em 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE. O crescimento ocorre ao mesmo tempo em que a população envelhece: a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6% no período. Entre os que vivem sozinhos, os idosos já representam 41,2%.
A combinação desses movimentos começa a produzir mudanças que vão além das estatísticas. Quando filhos deixam a casa dos pais, relacionamentos mudam ou a viuvez altera a composição familiar, tarefas que antes eram compartilhadas passam a depender exclusivamente de quem permanece no imóvel. Abrir uma porta, atender uma visita ou permitir a entrada de alguém para prestar assistência são exemplos de situações banais que podem ganhar outra dimensão.
- O número de pessoas morando sozinhas no Brasil mais que dobrou, atingindo 15,6 milhões em 2025.
- Os idosos já representam 41,2% de todos aqueles que vivem sem companhia no país.
- Fechaduras digitais permitem controlar quem entra em casa por senha, biometria ou aplicativo.
- Familiares podem acompanhar os acessos à distância sem estar fisicamente presentes.
- Tecnologia visa facilitar o suporte em emergências, sem comprometer a autonomia do morador.
É nesse cotidiano que recursos de automação residencial começam a ser incorporados como ferramentas de autonomia. Entre eles estão as fechaduras digitais, que substituem a chave convencional por alternativas como senha, biometria, cartão de aproximação ou aplicativo.
Acessibilidade e segurança para idosos
Para Pedro H. S. Rocha, diretor de vendas e Marketing da Aliança Metalúrgica, a discussão não deve ser restrita à conveniência. Para uma pessoa idosa, carregar chaves, encontrar a fechadura no escuro ou lidar com um mecanismo que apresenta alguma dificuldade pode se tornar um obstáculo. Em uma emergência, essa dificuldade ganha uma proporção ainda maior, afirma.
Uma das mudanças proporcionadas pelas fechaduras digitais está na maneira como o acesso ao imóvel pode ser compartilhado. Em vez de distribuir cópias de uma mesma chave, o morador pode, dependendo do modelo, cadastrar diferentes usuários e definir formas específicas de entrada.
Na prática, isso pode facilitar a rotina de quem recebe ajuda de familiares, cuidadores ou pessoas de confiança. Também reduz a necessidade de manter diversas cópias físicas circulando, algo especialmente relevante para quem mora sozinho.
É possível dar acesso a um filho, cuidador ou vizinho de confiança sem precisar entregar uma chave física. Alguns modelos permitem cadastrar usuários diferentes e acompanhar quando a porta foi aberta, explica Rocha.
Tecnologia a serviço da rede de apoio
O recurso pode ter outra função quando a família vive longe. Um filho que mora em outra cidade, por exemplo, pode ter mais informações sobre a rotina de acesso à residência sem precisar estar fisicamente presente. A ideia, segundo o especialista, é criar uma camada adicional de segurança, sem transformar a tecnologia em instrumento de vigilância.
Não se trata de controlar a pessoa idosa, mas de facilitar o suporte quando ele for necessário. A autonomia continua com quem mora na residência. O que muda é a possibilidade de a família ter mais recursos para agir caso alguma situação saia do habitual, afirma.
O envelhecimento da população tende a colocar em discussão aspectos da moradia que, durante muito tempo, foram tratados apenas como questões de conforto ou praticidade. Iluminação, circulação, acessibilidade, segurança e automação passam a ser considerados também sob a perspectiva de quem precisa manter a independência por mais tempo.
Nesse cenário, a tecnologia não substitui a presença de familiares nem resolve, sozinha, os desafios de quem envelhece sem companhia. Mas pode, no entanto, reduzir algumas barreiras do cotidiano e facilitar a atuação de uma rede de apoio quando ela for necessária.
A porta de entrada é apenas um exemplo. Mas revela uma mudança maior: à medida que mais brasileiros envelhecem, a própria casa passa a ser repensada para acompanhar uma vida em que autonomia e segurança precisam caminhar juntas.

Divulgação (Ajustada por IA)




