Tecnologia desenvolvida em Santa Catarina automatiza a classificação de madeira com robôs e inteligência artificial, reduzindo perdas e melhorando a eficiência do setor.
A indústria madeireira no Brasil está passando por uma transformação profunda com a chegada de uma nova tecnologia desenvolvida pela empresa catarinense SVJD Robotics. Essa solução utiliza inteligência artificial e robótica para automatizar processos que até então dependiam exclusivamente da experiência humana, prometendo aumentar a produtividade das fábricas em até 300%.
A inovação surge em um momento crítico para o setor, marcado pela imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos, principal comprador da madeira brasileira. Nesse cenário, aumentar a eficiência e reduzir desperdícios tornou-se essencial para manter a competitividade da indústria nacional frente aos desafios econômicos globais.
- A tecnologia foi desenvolvida por Adir Dias, ex-consultor de automação automotiva que mudou de área por busca de equilíbrio de vida.
- O sistema leva cerca de 10 anos de pesquisa e 3 anos de testes em ambiente industrial para ficar pronto.
- Há duas versões da solução: uma focada em pallets (alta velocidade) e outra em molduras (alta precisão).
- A ferramenta gera dados em tempo real, permitindo à gestão identificar gargalos e perdas instantaneamente.
- O objetivo é expandir a tecnologia para todo o Brasil, consolidando a SVJD como referência em Indústria 4.0 no setor.
Por trás da inovação está a trajetória de Adir Dias, fundador da empresa. Após mais de duas décadas atuando com automação industrial no setor automotivo, ele decidiu mudar de vida. O ritmo intenso de trabalho motivou a mudança para uma cidade do interior de Santa Catarina, onde ele buscou um equilíbrio maior com a família e uma nova área de atuação.
Ao se inserir na região, Adir notou que a indústria madeireira, forte na economia local, ainda dependia do olhar humano para classificar a madeira e definir os cortes. Operadores tomavam centenas de decisões diariamente baseadas apenas na observação visual, um processo lento e sujeito a erros de avaliação.
Foi quando percebi que tecnologias amplamente utilizadas em setores como a indústria automobilística ainda não haviam chegado à indústria madeireira. Havia um enorme espaço para tornar esses processos mais inteligentes, mais precisos, automatizados e orientados por dados, afirma Adir.
Processo longo de desenvolvimento e testes
A criação da solução exigiu dedicação e tempo. A SVJD Robotics investiu aproximadamente dez anos em pesquisa e desenvolvimento, seguido por três anos de testes rigorosos em ambientes industriais reais. O resultado final é uma plataforma que padroniza processos, elimina a variabilidade humana na classificação de peças e fornece informações estratégicas para a gestão.
A empresa desenvolveu duas linhas de produtos específicas para atender diferentes necessidades do mercado. A primeira é voltada para fabricantes de pallets, que operam com grandes volumes e exigem alta velocidade na linha de produção. A segunda atende aos fabricantes de molduras, onde a precisão na classificação da madeira e o melhor aproveitamento da matéria-prima são fatores decisivos para a lucratividade.
Em ambos os casos, o sistema funciona de forma integrada. Scanners inteligentes analisam cada peça de madeira individualmente usando visão computacional. Com base nesses dados, algoritmos de inteligência artificial identificam as características do material, como nós, inclinação e qualidade, e definem automaticamente o melhor corte ou destino para a peça. Sistemas robóticos, então, executam as operações com rapidez e precisão.
Gestão baseada em dados em tempo real
Além da automação física, a plataforma atua como um centro de inteligência. Durante toda a produção, ela registra indicadores de desempenho e transforma a operação em dados acessíveis. Isso permite que os gestores acompanhem a produtividade em tempo real, identifiquem gargalos na linha, monitorem perdas de material e avaliem o rendimento da madeira bruta.
Essa capacidade de coleta de dados permite realizar ajustes imediatos na operação, tornando a gestão industrial muito mais eficiente e baseada em evidências, em vez de suposições. Para Adir, o próximo salto de produtividade não vem apenas de máquinas mais rápidas, mas de máquinas que geram inteligência.
Durante décadas, a indústria investiu em máquinas cada vez mais rápidas. Nós acreditamos que o próximo salto de produtividade acontece quando as máquinas também passam a gerar inteligência. Não basta automatizar uma tarefa; é preciso entender o que está acontecendo na produção e oferecer informações para que a indústria tome decisões melhores, destaca Adir.
Expansão e próximos passos
Com as soluções já validadas e funcionando em fábricas reais, a SVJD Robotics agora trabalha na expansão de sua atuação. A meta é ampliar a presença da tecnologia em indústrias madeireiras de todo o território brasileiro. A empresa busca consolidar sua posição como referência em automação inteligente para o setor, levando às fábricas não apenas equipamentos, mas um novo modelo de produção baseado em inteligência artificial, visão computacional e uso estratégico de dados.

Automação (IA)


