A inteligência artificial permitiu que profissionais de diversas áreas automatizem processos e criem protótipos rapidamente usando apenas comandos de texto, sem necessidade de conhecimento técnico em programação, aumentando a autonomia e a capacidade de experimentação no trabalho.
A inteligência artificial deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma aliada prática, dando 'superpoderes' de autonomia e experimentação a profissionais de diversas áreas.
Compartilho um artigo do CEO da Beneo RH Digital que analisa essa revolução onde criar soluções e automatizar processos não exige mais saber programar.
O mundo tem sido sacudido por alertas de líderes de empresas de inteligência artificial e de autoridades no Conselho de Segurança da ONU acerca do risco de perda de controle humano sobre sistemas autônomos. O debate ganhou força diante de evidências de que certos agentes de IA podem ser capazes de burlar salvaguardas de segurança e da divergência entre países sobre a necessidade de uma governança global. A discussão é antiga e deve ir longe.
- A IA permite criar automações e protótipos em minutos sem precisar de código.
- Especialistas de TI continuam essenciais para segurança e gestão de dados complexos.
- A facilidade de uso da IA facilita o compartilhamento e aprendizado entre colegas.
- Profissionais de outras áreas podem testar hipóteses com poucos recursos.
- A nova tecnologia encurta o caminho entre a ideia e a execução prática.
Autonomia para fazer
Por outro lado, é notório que a IA colocou ao alcance das pessoas capacidades que até pouco tempo dependiam de conhecimentos específicos e de diferentes profissionais para fazer um projeto sair do papel. Hoje é possível elaborar em minutos análises sofisticadas, automatizar processos e até prototipar uma plataforma inteira a partir de uma ideia. E é possível fazer isto sem dominar as linguagens de programação, mas apenas usando bons prompts.
Durante anos, acompanhei o caminho necessário para transformar ideias em soluções. A IA encurtou muito este caminho. Agora, uma proposta pode ganhar contornos mais claros logo no início. As ferramentas ajudam a visualizar o que se pretende fazer e testar caminhos.
Quando chega o momento de envolver uma equipe de tecnologia, muita coisa já pode estar mais bem definida, reduzindo interpretações e retrabalho. A distância entre imaginar e fazer ficou menor. É como se esse novo paradigma tivesse dotado as pessoas de superpoderes: fazer mais e mais rápido, encurtando o caminho entre uma ideia e sua execução.
Liberdade para experimentar
O primeiro superpoder é a autonomia para fazer. Até recentemente, o conhecimento técnico e tecnológico necessário para automatizar estava reservado às equipes e áreas de tecnologia, o que costumava impor um limite muito cedo. 'Até aqui conseguimos fazer por conta própria. Daqui para frente, precisamos de vocês.' E sabemos que a TI das empresas é e será sempre sobrecarregada.
A IA agora traz modelos de automação que dão a quem entende de um produto ou processo, ou sabe claramente o que quer fazer, a capacidade de criar a automação necessária. É claro que isto jamais substituirá, pelo menos por enquanto, o trabalho de especialistas em programação, backend, gestão de dados, segurança da informação e todos os requisitos aplicáveis. Mas a autonomia do usuário multiplicou-se a tal ponto que exigirá uma nova discussão sobre papéis e governança.
O segundo superpoder é a liberdade para experimentar. É possível testar uma hipótese, explorar alternativas e descobrir até onde uma ideia pode chegar com poucos recursos e em pouco tempo. Nem toda tentativa precisa virar um projeto ou mobilizar uma equipe. Há espaço para experimentar primeiro, entender o que funciona e, a partir daí, decidir se faz sentido seguir adiante.
Multiplicação de conhecimento
O terceiro superpoder eu defino como multiplicação de conhecimento. Aprendemos a utilizar IA tão facilmente quanto aprendemos a usar a internet. Só que a IA faz hoje por nós muito mais que a internet da época em que ela surgiu. Aprender a usar as novas tecnologias de IA é tão simples quanto participar de um seminário rápido. E isto favorece também repassar o conhecimento: ficou muito fácil ensinar. Tenho feito isso e vejo o brilho nos olhos das pessoas.
E esse conhecimento circula. Uma orientação inicial pode resultar em aplicações que nem sequer haviam sido imaginadas por quem ensinou. Cada pessoa olha para a IA a partir daquilo que conhece e encontra um uso diferente para ela. Ninguém precisa saber programar para começar a explorar esse novo espaço. O mais importante é aprender o que já pode ser feito e entender até onde essas ferramentas conseguem nos levar.
Autonomia para fazer, liberdade para experimentar e conhecimento que se multiplica. Enquanto se discutem os limites da evolução da tecnologia, não há limites para usá-la nem para os superpoderes que a inteligência artificial colocou nas nossas mãos. Eles não diminuem o valor da experiência acumulada, mas fazem com que possamos ir muito mais longe.

Armando Ribeiro, CEO da Beneo RH Digital





