07 de outubro de 2026

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Indústria usa IoT para medir e reduzir perdas de tempo

Tecnologia Indústria 07/10/2026 09:11 Engenharia de Comunicação

Deslocamentos, esperas e equipamentos parados agora são medidos em tempo real. Paradas não planejadas custam US$ 600 bilhões por ano às maiores empresas do mundo.

A Internet das Coisas (IoT) deve gerar US$ 12,6 trilhões em valor até o final da década, segundo a consultoria McKinsey Global Institute (MGI). Isso inclui desde dispositivos inteligentes até grandes operações industriais conectadas.

Na indústria, a IoT abriu espaço para uma nova geração de indicadores capazes de mostrar onde tempo, recursos e dinheiro se perdem ao longo da operação.

  • A IoT deve gerar US$ 12,6 trilhões até o fim da década.
  • Paradas não planejadas custam US$ 600 bilhões por ano às maiores empresas.
  • Cada minuto de interrupção custa, em média, US$ 15 mil.
  • Investimentos em IoT devem ultrapassar US$ 1 trilhão em 2026.
  • Com a tecnologia, a produtividade média cresce 67%.

Essa tecnologia trouxe respostas para perdas que sempre existiram, mas nunca puderam ser resolvidas apropriadamente, explica Tulio Cerviño, CEO Latam e vice-presidente global de Operações Industriais da TRACKFY | WAKECAP.

Segundo ele, por muito tempo, as empresas focaram em produzir mais. Agora, a prioridade mudou. Agora é entender onde a eficiência se perde antes que os impactos apareçam nos indicadores financeiros, destaca.

Foi nesse contexto que ganharam espaço indicadores capazes de medir perdas antes difíceis de enxergar, como deslocamentos desnecessários, tempo de espera entre atividades, ociosidade de equipamentos e pequenos atrasos que, somados, podem comprometer um cronograma inteiro.

Hoje, esse tempo invisível passou a ser medido e se tornou uma das informações mais valiosas da indústria, afirma Cerviño.

O custo das paradas não planejadas

O custo da indisponibilidade (downtime) não planejada para as empresas da Global 2000, as maiores empresas de capital aberto do mundo, chegou a US$ 600 bilhões por ano em 2026, um aumento de 50% em dois anos. Cada minuto de interrupção custa, em média, US$ 15 mil. A queda média no valor das ações após uma única interrupção é de 3,4%, segundo estudo da Splunk/Cisco com a Oxford Economics.

É nesse cenário que a IoT avança na indústria. Segundo a IDC, os investimentos globais em soluções de IoT devem ultrapassar US$ 1 trilhão em 2026, impulsionados por setores como manufatura, infraestrutura, mineração, energia e logística.

Boa parte dessa inteligência vem dos dispositivos vestíveis, os chamados wearables. Acoplados aos equipamentos de proteção individual (EPIs), eles registram continuamente informações como localização das equipes, deslocamentos, permanência em áreas operacionais, interação entre trabalhadores e equipamentos, utilização de ativos e até condições ambientais, conta Tulio Cerviño.

A partir daí, integrados a plataformas analíticas, esses dados permitem enxergar uma operação sob uma perspectiva que não existia alguns anos atrás.

A tecnologia da TRACKFY | WAKECAP

É essa lógica que norteia a tecnologia desenvolvida pela TRACKFY | WAKECAP. A plataforma conecta trabalhadores, equipamentos e ativos críticos por meio de sensores inteligentes, wearables e uma rede mesh própria de comunicação, que dispensa Wi-Fi ou GPS. Isso é importante para ambientes como mineração, refinarias, plantas industriais e grandes obras, onde a conectividade convencional é limitada.

O wearable é apenas a ponta visível da tecnologia. Além de conectar dispositivos, a tecnologia criou uma camada permanente de inteligência operacional, transformando milhões de eventos diários em informações para orientar decisões, explica.

Isso significa transformar o que era invisível em informação de negócio. A plataforma mostra, por exemplo, quanto tempo uma equipe espera a liberação de uma atividade, quais recursos estão subutilizados, onde há deslocamentos excessivos para buscar ferramentas e quais áreas concentram maior fluxo de pessoas, conta Cerviño.

A ideia não é apenas obter dados, mas agir com inteligência, trazendo análises práticas para os gestores e garantindo mais segurança para quem está na linha de frente, diz. A tecnologia deixa de ser um fim em si mesma para se tornar um instrumento de cuidado com as pessoas, ao mesmo tempo que traz ganhos operacionais reais, completa.

Em emergências, a plataforma permite localizar instantaneamente trabalhadores em uma área, verificar quem já foi evacuado e identificar quem ainda está em zonas de risco. O sistema também apoia o controle de acesso a áreas restritas, o monitoramento de trabalhadores isolados e a análise de exposição a condições ambientais adversas, fortalecendo a segurança.

Em vez de descobrir problemas apenas ao final do turno, a tecnologia permite identificar gargalos, redistribuir equipes, localizar ativos, monitorar áreas de risco e acompanhar indicadores enquanto as atividades ainda estão em andamento, destaca o CEO.

Segurança e produtividade

Ao levar o conceito de smart worker para as plantas industriais, modelo da Indústria 5.0 que combina tecnologia, conectividade e análise de dados para tornar o trabalho mais seguro e produtivo, a plataforma amplia a proteção do trabalhador.

O conceito de smart worker não significa monitorar pessoas. Nossa prioridade é que o trabalhador volte para casa em segurança todos os dias. Os wearables ampliam a prevenção ao fornecer informações em tempo real sobre exposição a riscos, fadiga e permanência em áreas críticas, permitindo agir antes que um perigo vire acidente.

Os resultados já aparecem. Um cliente da WAKECAP registrou aumento de 37% na frequência ao canteiro de obras após implantar o controle de presença automatizado.

Cerviño destaca que os clientes reportaram redução de até 40% nos incidentes de segurança em áreas monitoradas e ganhos de produtividade médios de 20% no dia a dia de manutenção e operação, ao otimizar fluxos e reduzir paradas não programadas.

Outros resultados: Já tivemos casos em que as empresas reduziram em 1,5% os custos com seguro, cortaram 50% do tempo médio em evacuações de emergência e encurtaram em 25% os cronogramas de projetos. Com a tecnologia no chão de fábrica, a produtividade média cresce 67%, com retorno sobre o investimento até 50 vezes maior, afirma.

Resultados e reconhecimento

Após a integração entre TRACKFY e WAKECAP, a tecnologia passou a atuar em projetos industriais e de infraestrutura avaliados em mais de US$ 120 bilhões, com presença em empreendimentos de alta complexidade em vários países.

O reconhecimento veio do mercado internacional. A revista Construction Digital incluiu a TRACKFY | WAKECAP entre as dez principais soluções de IoT para construção do mundo, ao lado de Caterpillar, MSA Safety, Dräger, Trimble e Trackunit. O levantamento destacou a capacidade da plataforma de criar uma visão integrada da operação, conectando trabalhadores, equipamentos e condições ambientais em tempo real.

Daqui a alguns anos, será difícil imaginar uma operação industrial sem esse nível de visibilidade. Hoje, ninguém administra uma empresa olhando apenas o balanço financeiro uma vez por mês. Na indústria, acontece o mesmo: as decisões deixam de ser baseadas em relatórios do passado e passam a ser tomadas com informações geradas no momento em que a operação acontece. Essa é uma mudança estrutural na forma de gerir ativos, pessoas e riscos, conclui.