Ferramentas de inteligência artificial permitem que pequenos empresários criem produtos digitais com pouco dinheiro, mas o Sebrae alerta que é preciso ter senso crítico e definir regras de uso para evitar erros e problemas.
A inteligência artificial está começando a mudar a forma como pequenos negócios nascem. Agora, é possível criar um primeiro produto digital gastando muito menos do que antes. Antes, era preciso contratar programadores caros. Hoje, existem ferramentas simples e baratas que ajudam a tirar uma ideia do papel. No entanto, grandes empresas ainda têm mais recursos, mas a diferença está diminuindo na fase inicial.
Essa opinião é de Aline Melo Borges, consultora de Projetos e Inovação do Sebrae-SP. Ela falou sobre o tema no 6º Encontro Impactos Positivos, realizado no dia 24 de setembro, na FIAP, em São Paulo. O evento, patrocinado pelo Sebrae, tinha como foco o equilíbrio entre inteligência artificial, inteligência humana e o impacto coletivo na sociedade.
- IA permite criar protótipos digitais com equipes pequenas e custos baixos.
- Consultora do Sebrae destaca a necessidade de regras e ética no uso da tecnologia.
- Eventos de inovação reconhecem empresas brasileiras de impacto positivo.
- Usar IA exige pensamento crítico para não aceitar respostas erradas.
- Ferramentas ajudam a reduzir custos, mas não eliminam a necessidade de supervisão humana.
Como a IA ajuda pequenos empreendedores a começar
Para Borges, uma grande mudança trazida pela IA ocorre logo no começo do negócio. Um empreendedor que não tem programadores na equipe pode usar ferramentas prontas no mercado para montar um "produto mínimo viável" (MVP). Isso permite testar uma ideia, vender os primeiros serviços ou produtos e começar a faturar antes de gastar fortunas em tecnologia complexa.
"O abismo entre grandes e pequenas empresas ainda existe", afirmou Borges. Mas ela destaca que a diferença é que as novas ferramentas ampliaram a chance de começar com menos dinheiro. Ou seja, pequenos negócios agora têm mais oportunidades de competir.
Redução de custos versus grandes estratégias
A consultora faz uma distinção importante sobre por que cada tipo de empresa usa a IA. Para pequenos negócios, a motivação é quase sempre cortar custos e fazer mais com menos. Já em empresas grandes, a IA pode ser parte de estratégias de investimento mais amplos e sofisticadas.
A diferença de dinheiro não desaparece magicamente. Mas o acesso a ferramentas que aceleram a criação de protótipos diminui parte da distância na fase inicial. Isso democratiza o acesso à inovação tecnológica para quem tem poucos recursos.
Governança e ética: a necessidade de regras claras
Essa facilidade traz também riscos. Por isso, Borges defende que as empresas criem regras de governança antes de incorporar sistemas de inteligência artificial. Na prática, isso significa definir o que pode e o que não pode ser feito com a tecnologia.
É preciso documentar processos e determinar quando uma resposta da IA precisa passar por revisão humana. Procedimentos claros ajudam a identificar as chamadas "alucinações". Isso acontece quando a IA apresenta informações incorretas ou sem base real, o que pode ser perigoso para um negócio.
"A gente precisa trabalhar com aspectos de governança, com aspectos de código de ética", afirmou Borges. Ela reforça que regras e processos precisam ser definidos antes que essas ferramentas sejam incorporadas ao dia a dia das empresas, para evitar falhas graves.
A importância do pensamento crítico e letramento digital
Outro ponto crucial é a capacidade de avaliar o que a tecnologia produz. Borges argumenta que os modelos de IA carregam escolhas feitas durante seu desenvolvimento e treinamento. Isso exige do usuário mais do que apenas saber digitar comandos.
O usuário precisa ter letramento digital, saber analisar as fontes e ter disposição para questionar as respostas recebidas. "Se a gente considera um fim mágico para todos os nossos problemas, é aí que está o problema", disse Borges. "É uma ferramenta que alavanca a produtividade", acrescentou, defendendo a necessidade de direcionamento humano e raciocínio lógico.
Perfil da especialista e o papel do evento
A discussão reflete a trajetória profissional da consultora. Mestre em Direito pela UFRJ e graduada pela UFG, Borges já foi professora e atuou no terceiro setor. No Sebrae-SP, trabalhou com inovação para mais de 100 empresas. Ela também passou pelo Senai-SP, acelerando startups industriais, antes de retornar ao Sebrae para focar em projetos e fomento.
Para Borges, crescimento, faturamento e competitividade não devem ser vistos separadamente dos efeitos que as decisões geram. A mesma lógica vale para a IA: aumentar a produtividade não encerra a discussão sobre como a tecnologia deve ser usada de forma responsável.
O Encontro Impactos Positivos e prêmios de 2026
Criado por Gisele Abrahão, fundadora e CEO da Plataforma Impactos Positivos, o Encontro Impactos Positivos chegou à sexta edição. O evento reuniu empreendedores e organizações ligadas a negócios de impacto. A programação incluiu o 6º Prêmio Impactos Positivos, que reconheceu empresas de destaque.
A aventura de Construir foi reconhecida na categoria Dinamizador; Pesqueiro Sustentável, em Ideação; TrackGains, em Operação; e Parque Ecológico Rio Formoso, em Tração/Escala. Esses prêmios destacam o valor de negócios que unem lucro e benefício social.
Para os pequenos negócios, a disseminação da IA pode tornar mais barato experimentar uma tecnologia e colocar uma ideia à prova. O acesso, porém, resolve apenas parte da equação. Quanto mais simples se torna utilizar essas ferramentas, mais relevante passa a ser a capacidade de estabelecer limites, avaliar respostas e decidir quando a tecnologia deve, e quando não deve, orientar uma decisão.

Gisele Abrahão e Aline Borges (Foto: Mary de Aquino/PIP)


