29 de setembro de 2026

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Baterias gigantes chegam ao leilão para evitar apagões no Acre

Tecnologia Baterias 29/09/2026 10:07 Assessoria de Imprensa VOLTXS Cruzeiro do Sul AC

O governo brasileiro vai contratar, pelo primeiro vez em um leilão nacional, um sistema de baterias de 100 MW para estabilizar a energia elétrica em Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre, em 2027.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou a adoção de uma solução inédita para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica em Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre. O estudo técnico propõe a implantação de um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) de 100 MW / 200 MWh, equipado com tecnologia grid-forming, aliado à expansão da infraestrutura de transmissão em 230 kV.

A contratação do projeto está prevista no Lote 5 do Leilão de Transmissão nº 01/2027, marcado para 30 de abril de 2027, e representa um marco para o setor elétrico nacional. Será o primeiro sistema de armazenamento por baterias contratado por meio de um leilão de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), ampliando o papel da tecnologia no planejamento da infraestrutura elétrica brasileira.

  • Localização: O sistema será instalado na Subestação de Cruzeiro do Sul, no Acre.
  • Capacidade: As baterias têm capacidade para operar por 2 horas em potência máxima.
  • Inovação: É o primeiro BESS contratado em leilão de transmissão do SIN no Brasil.
  • Tecnologia: Usa conversores grid-forming que estabilizam a rede instantaneamente.
  • Prazo: O contrato dura 18 anos, com implantação em até 36 meses.

Tecnologia grid-forming garante estabilidade instantânea

Além de armazenar energia, o empreendimento utilizará conversores grid-forming, tecnologia capaz de atuar como formadora de rede e contribuir diretamente para a estabilidade do sistema elétrico. Diferentemente dos inversores convencionais, que dependem de uma rede previamente estabilizada para operar, os equipamentos grid-forming conseguem estabelecer referências de tensão e frequência, oferecendo resposta praticamente instantânea em situações de contingência.

Na prática, isso permitirá que o sistema combine a energia armazenada nas baterias com serviços de estabilização da rede, resposta rápida a falhas e suporte à operação do sistema elétrico, aumentando a confiabilidade do fornecimento em uma região que ainda apresenta limitações estruturais.

Contrato de 18 anos e obras complementares

O projeto prevê a instalação do BESS na Subestação Cruzeiro do Sul, conectado ao setor de 69 kV, com capacidade para operar durante duas horas em potência máxima. O contrato terá duração de 18 anos, prazo compatível com a vida útil das baterias, e a implantação deverá ocorrer em até 36 meses após sua assinatura.

A adoção da tecnologia responde às características do sistema elétrico da região. Embora Cruzeiro do Sul e Feijó tenham sido recentemente integrados ao Sistema Interligado Nacional, o subsistema ainda opera sob critério N, sem redundância suficiente para suportar determinadas contingências na infraestrutura de transmissão. Segundo a EPE, para o horizonte conjuntural, o BESS apresentou a melhor relação técnico-econômica para ampliar a confiabilidade do atendimento.

Expansão da rede de transmissão no Acre

Paralelamente, o planejamento de longo prazo prevê reforços estruturais da transmissão por meio da construção de novos circuitos em 230 kV entre Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul. O Lote 4 do mesmo leilão contempla uma nova linha de transmissão entre Tucumã e Feijó, com aproximadamente 376 quilômetros, além da implantação do segundo circuito entre Feijó e Cruzeiro do Sul, com cerca de 255 quilômetros. Parte da expansão utilizará estruturas de circuito duplo já existentes, reduzindo impactos ambientais e riscos de implantação.

A combinação entre o sistema de armazenamento e as novas linhas de transmissão evidencia uma mudança importante no planejamento da infraestrutura elétrica brasileira. Em vez de substituir a expansão da rede, o BESS passa a atuar como uma solução complementar, aumentando a flexibilidade operacional e a capacidade de resposta diante de falhas ou oscilações no sistema.

Executivo destaca maturidade do setor

Para Matheus Teixeira, COO da VOLTXS Energia, a iniciativa demonstra uma mudança importante na forma como o armazenamento por baterias passa a ser visto pelo setor elétrico.

"O sistema de armazenamento em baterias está deixando de ser visto apenas como uma ferramenta de gestão energética para o consumidor e passa a integrar também soluções voltadas à confiabilidade da infraestrutura de transmissão do Brasil. Esse movimento demonstra como a tecnologia pode assumir diferentes funções e ganhar relevância na transformação do setor elétrico nos próximos anos."

Na avaliação do executivo, o projeto também pode abrir caminho para uma nova geração de investimentos em armazenamento no país.

"A decisão de incorporar um sistema BESS ao planejamento da transmissão sinaliza um amadurecimento importante do setor elétrico brasileiro. O armazenamento deixa de ser tratado apenas como uma tecnologia complementar e passa a ocupar espaço em projetos estratégicos de infraestrutura. Esse movimento tende a acelerar novos investimentos e ampliar as aplicações dessa tecnologia, contribuindo para uma rede mais resiliente, flexível e preparada para a expansão das fontes renováveis."