Criminosos usam inteligência artificial para criar empresas sintéticas e clonar identidades, burlando sistemas de segurança e causando milhões em prejuízos corporativos.
A chegada da inteligência artificial gerativa criou um novo nível de complexidade para a segurança das trocas comerciais entre empresas. Grupos criminosos usam a automação para montar empresas sintéticas e clonar identidade corporativa com documentos perfeitos e deepfakes de áudio e vídeo. Essas técnicas conseguem passar pelas etapas comuns de cadastro e concessão de crédito, gerando grandes prejuízos na contratação de fornecedores.
Os danos financeiros já são medidos por pesquisas de mercado. O relatório Identity Fraud Report mostra um crescimento de 126% em fraudes com deepfakes e identidades falsas, colocando o Brasil na liderança desse crime na América Latina, com quase 39% dos casos. No mundo, houve um golpe famoso em Hong Kong: golpistas criaram uma videochamada falsa com o deepfake do diretor financeiro de uma empresa britânica, enganando um funcionário para transferir US$ 25 milhões.
O que você precisa saber sobre o golpe sintético
- Fraudores misturam dados públicos reais com informações falsas geradas por computador.
- Contratos e sites de empresas falsas são criados em minutos por algoritmos.
- Estas empresas passam por checadações simples e abrem contas de fachada.
- Som-se à falsificação de documentos, vozes e vídeos são usados para enganar validadores.
- A defesa exige cruzar várias bases de dados em tempo real, sem falhas manuais.
O método da fraude sintética combina dados públicos verdadeiros com informações inventadas por algoritmos. Com ferramentas avançadas, os golpistas criam contratos sociais, balanços falsos e sites funcionais em poucos minutos. Essas falsidades passam por verificações humanas simples e sistemas que olham para apenas uma fonte, permitindo a abertura de contas e a busca por créditos sem que nenhum serviço real seja prestado.
Além de falsificar papel, a simulação de voz e vídeo é usada em etapas de cadastro que pedem confirmação por biometria ou entrevistas. Essa sofisticação torna difícil detectar erros em verificações manuais, que levam dias e só olham pontos específicos na hora de assinar o contrato.
O avanço das fraudes sintéticas mostra que a verificação cadastral com documentos parados ou checks manuais ficou obsoleta. Se a fraude é criada por computador, a defesa deve usar inteligência de dados que cruze registros públicos no momento certo, antes de fechar qualquer negócio, explica Alexandre Pegoraro, CEO da Kronoos, plataforma de análise de riscos.
Localizar empresas sintéticas exige o cruzamento instantâneo de bases de dados diferentes, como juntas comerciais, fiscalizações federais e tribunais. Diferenças na data de abertura do CNPJ, problemas na lista de sócios, endereços físicos duvidosos e falta de histórico financeiro servem como alarmes automáticos para interromper a contratação.
Diante dos golpes mais elaborados, checar apenas na entrada do fornecedor já não basta. O monitoramento constante das empresas parceiras se tornou necessário para detectar mudanças repentin de sócios, a entrada de advogados com problemas criminais ou notas fiscais que não condizem com o tamanho da empresa.
As empresas precisam entender que combater identidades falsas exige uma inteligência de dados contínua. A verificação deve ocorrer no cadastro e continuar durante todo o contrato. Assim, qualquer mudança no perfil de risco gera um alerta imediato para a diretoria, destaca Pegoraro.
O uso de tecnologias de mineração de dados e previsão de riscos permite analisar milhares de fontes em segundos. Isso padroniza os relatórios de integridade e elimina erros de interpretação humana. Torna-se essencial ter verificações automatizadas para garantir a proteção financeira e a segurança das empresas contra novas ameaças cibernéticas.

Deepfake (IA)


