Muitas empresas investem pesado em inteligência artificial, mas muitas esquecem de capacitar as pessoas que vão usar essa tecnologia. Um especialista explica por que essa negligência pode gerar desperdício e como reverter esse problema com treinamento estruturado e centros de capacitação.
As empresas estão dispostas a investir em inteligência artificial, mas há um problema real: muitas compram a tecnologia sem Ensinar bem as pessoas que vão usá-la. É um desperdício que pode ser revertido com capacitação estruturada.
O especialista Nicola Sanchez explica como transformar esse investimento em resultado de verdade e criar ambientes que preparem as equipes para usar a IA de forma eficiente.
- Mais de 80% das empresas querem usar mais a IA ainda neste ano.
- Apenas 3 em cada 10 contam com regras claras para usá-la.
- A maioria dos treinamentos já está atrasados na corrida por tecnologia.
- Centros de treinamento podem testar e praticar a IA como se fosse real.
- Líderes precisam saber fazer as perguntas certas, não dominar técnica.
O problema silencioso da inteligência artificial
Estamos diante de uma contradição dentro das empresas. A inteligência artificial deixou de ser algo distante. Agora ela aparece nos orçamentos, nos planos de negócios e no dia a dia do trabalho. Empresas compraram ferramentas, contrataram plataformas e colocaram agentes de inteligência artificial nos processos. Mas uma pergunta continua sem resposta: as pessoas realmente sabem como usar essa tecnologia
A corrida por ferramentas criou uma inversão de prioridades. Primeiro veio comprar a tecnologia. Depois tentaram descobrir onde aplicá-la. Só mais tarde chegou a capacitação, quando deveria ter sido o primeiro passo.
Isto não significa contestar o investimento em IA. O problema está em acreditar que comprar a ferramenta já gera mudança. Uma ferramenta de inteligência artificial por si só não conhece a estratégia da empresa, seus processos, seus riscos nem seus clientes. Alguém precisa definir as regras, entender o que será automatizado e saber se o resultado faz sentido.
Números que mostram a diferença entre ter e saber
O problema aparece nos dados. Segundo a pesquisa RH Digital & IA 2026, 86% das organizações consideram prioritário usar ainda mais inteligência artificial neste mesmo ano. Mas apenas 29% têm regras claras para isso. E 43% oferecem treinamento específico. Além disso, 63% dizem que falta de conhecimento é uma das maiores barreiras para adotar a tecnologia.
Os números mostram que a tecnologia avança mais rápido do que a capacitação. E isso gera um novo tipo de desperdício: uma empresa pode ter as melhores ferramentas do mundo e ainda assim usar apenas um pouco do que elas podem fazer.
Capacitar vai muito além de prompts
Ensinar a usar inteligência artificial não é somente ensinar a escrever boas instruções. É preciso entender onde a tecnologia gera valor. É ver quais tarefas podem ser automatizadas. É saber quais decisões exigem o olhar humano. É proteger os dados. E é avaliar se o resultado é bom.
Isso vale ainda mais com agentes de inteligência artificial. Quanto mais livre o sistema, mais preparo quem desenvolve, acompanha e usa ele precisa ter.
Por que centros de treinamento fazem sentido
Por isso cresce um movimento importante: criar estruturas permanentes de capacitação em inteligência artificial. Não são apenas cursos rápidos. São lugares onde é possível testar possibilidades, simular situações reais, desenvolver habilidades e unir tecnologia, pessoas e processos.
Essas mudanças também transformam o papel dos líderes. Não precisam virar especialistas técnicos. Mas precisam entender a tecnologia o suficiente para perguntar as coisas certas: onde ela gera valor O que vale a pena automatizar Quais riscos existem Quem acompanha o agente Como medir se deu certo
A vantagem competitiva talvez não esteja com quem comprou primeiro. Está com quem transforma esse investimento em competência, produtividade, segurança e resultado real.
Estamos entrando em uma nova etapa da revolução da inteligência artificial. A primeira foi marcada por entender o que a tecnologia consegue fazer. A próxima será definida pela capacidade de preparar as pessoas para trabalhar com ela. Porque inteligência artificial não é só tecnologia. É a capacidade humana de usar tecnologia. E quanto mais inteligente a ferramenta, mais importante é preparar quem está por trás dela.
**Nicola Sanchez é CEO e fundador da Matrix Go,** empresa brasileira especializada em soluções tecnológicas para atendimento digital, relacionamento e engajamento com clientes.








