16 de setembro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Empresas compram IA, mas poucos aprendem a usá-la bem

Tecnologia Inteligência artificial 16/09/2026 10:57 Nicola Sanchez

Muitas empresas investem pesado em inteligência artificial, mas muitas esquecem de capacitar as pessoas que vão usar essa tecnologia. Um especialista explica por que essa negligência pode gerar desperdício e como reverter esse problema com treinamento estruturado e centros de capacitação.

As empresas estão dispostas a investir em inteligência artificial, mas há um problema real: muitas compram a tecnologia sem Ensinar bem as pessoas que vão usá-la. É um desperdício que pode ser revertido com capacitação estruturada.

O especialista Nicola Sanchez explica como transformar esse investimento em resultado de verdade e criar ambientes que preparem as equipes para usar a IA de forma eficiente.


  • Mais de 80% das empresas querem usar mais a IA ainda neste ano.
  • Apenas 3 em cada 10 contam com regras claras para usá-la.
  • A maioria dos treinamentos já está atrasados na corrida por tecnologia.
  • Centros de treinamento podem testar e praticar a IA como se fosse real.
  • Líderes precisam saber fazer as perguntas certas, não dominar técnica.

O problema silencioso da inteligência artificial

Estamos diante de uma contradição dentro das empresas. A inteligência artificial deixou de ser algo distante. Agora ela aparece nos orçamentos, nos planos de negócios e no dia a dia do trabalho. Empresas compraram ferramentas, contrataram plataformas e colocaram agentes de inteligência artificial nos processos. Mas uma pergunta continua sem resposta: as pessoas realmente sabem como usar essa tecnologia

A corrida por ferramentas criou uma inversão de prioridades. Primeiro veio comprar a tecnologia. Depois tentaram descobrir onde aplicá-la. Só mais tarde chegou a capacitação, quando deveria ter sido o primeiro passo.

Isto não significa contestar o investimento em IA. O problema está em acreditar que comprar a ferramenta já gera mudança. Uma ferramenta de inteligência artificial por si só não conhece a estratégia da empresa, seus processos, seus riscos nem seus clientes. Alguém precisa definir as regras, entender o que será automatizado e saber se o resultado faz sentido.

Números que mostram a diferença entre ter e saber

O problema aparece nos dados. Segundo a pesquisa RH Digital & IA 2026, 86% das organizações consideram prioritário usar ainda mais inteligência artificial neste mesmo ano. Mas apenas 29% têm regras claras para isso. E 43% oferecem treinamento específico. Além disso, 63% dizem que falta de conhecimento é uma das maiores barreiras para adotar a tecnologia.

Os números mostram que a tecnologia avança mais rápido do que a capacitação. E isso gera um novo tipo de desperdício: uma empresa pode ter as melhores ferramentas do mundo e ainda assim usar apenas um pouco do que elas podem fazer.

Capacitar vai muito além de prompts

Ensinar a usar inteligência artificial não é somente ensinar a escrever boas instruções. É preciso entender onde a tecnologia gera valor. É ver quais tarefas podem ser automatizadas. É saber quais decisões exigem o olhar humano. É proteger os dados. E é avaliar se o resultado é bom.

Isso vale ainda mais com agentes de inteligência artificial. Quanto mais livre o sistema, mais preparo quem desenvolve, acompanha e usa ele precisa ter.

Por que centros de treinamento fazem sentido

Por isso cresce um movimento importante: criar estruturas permanentes de capacitação em inteligência artificial. Não são apenas cursos rápidos. São lugares onde é possível testar possibilidades, simular situações reais, desenvolver habilidades e unir tecnologia, pessoas e processos.

Essas mudanças também transformam o papel dos líderes. Não precisam virar especialistas técnicos. Mas precisam entender a tecnologia o suficiente para perguntar as coisas certas: onde ela gera valor O que vale a pena automatizar Quais riscos existem Quem acompanha o agente Como medir se deu certo

A vantagem competitiva talvez não esteja com quem comprou primeiro. Está com quem transforma esse investimento em competência, produtividade, segurança e resultado real.

Estamos entrando em uma nova etapa da revolução da inteligência artificial. A primeira foi marcada por entender o que a tecnologia consegue fazer. A próxima será definida pela capacidade de preparar as pessoas para trabalhar com ela. Porque inteligência artificial não é só tecnologia. É a capacidade humana de usar tecnologia. E quanto mais inteligente a ferramenta, mais importante é preparar quem está por trás dela.

**Nicola Sanchez é CEO e fundador da Matrix Go,** empresa brasileira especializada em soluções tecnológicas para atendimento digital, relacionamento e engajamento com clientes.

BRA 1BRA 1
BRA 1BRA 1