Do campo ao placar, o futebol brasileiro e internacional cada vez mais usa estatísticas, modelos de computador e inteligência artificial para tomar decisões antes de jogos, apostar ou gerenciar clubes. Saiba como isso funciona e por que, apesar de toda tecnologia, o acaso ainda decide muita coisa.
A inteligência artificial e a análise de dados transformaram a forma como o futebol é entendido no Brasil e no mundo. Hoje, clubes, empresas e até torcedores recorrem a números, estatísticas e computadores para avaliar jogadores, medir riscos e tomar decisões. Um dos especialistas neste novo cenário é Ricardo Santos, cientista de dados que trabalha há doze anos com probabilidades no futebol.
Ele explica que a tecnologia não substitui o julgamento humano, mas eleva a qualidade das informações usadas antes de cada escolha. Segundo ele, o palpite continua importante, mas precisa ser confrontado com evidências, histórico e probabilidade antes de virar decisão.
Rapidez de leitura sobre a notícia:
- A Copa do Mundo de 2026 usou uma ferramenta chamada Football AI Pro, que processa milhões de dados por partida.
- O futebol europeu ultrapassou 40 bilhões de euros em receitas na temporada 2024 e 2025.
- No Brasil, mais de 17,7 milhões de pessoas fizeram apostas em jogos no primeiro semestre de 2025.
- Anatel bloqueou cerca de 15 mil sites ilegais de apostas no mesmo período.
- A tecnologia agora é usada fora do esporte, em crédito, seguros e comportamento do consumidor.
Do palpite aos dados: o futebol dos números
A cultura dos dados ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Nesse torneio, as 48 seleções participaram de uma ferramenta chamada Football AI Pro, feita pela Fifa (entidade que organiza o futebol mundial) e pela Lenovo, empresa de tecnologia chinesa. Essa ferramenta processa milhões de pontos de informação por jogo e analisa mais de 2 mil métricas diferentes.
Isso mostra que a mudança chegou em várias áreas do esporte. Ainda existem opiniões, mas elas agora precisam ser comparadas com evidências, probabilidades e inteligência artificial.
Um especialista que vive de probabilidades
Ricardo Santos é cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, empresa que cria programas de computador para análise estatística voltados ao apostador. Ele tem cerca de doze anos de experiência com probabilidades no futebol.
Para ele, a diferença que a tecnologia faz não está em trocar o jeito das pessoas pensarem, mas em melhorar as informações usadas antes de uma escolha.
A cultura dos dados não elimina a opinião. Ela exige que o palpite seja confrontado com evidências, histórico e probabilidade antes de se transformar em decisão, afirmou o especialista.
O crescimento econômico do esporte alimenta essa tecnologia
A mudança acompanha o crescimento da indústria do esporte. O futebol europeu ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 40 bilhões de euros em receitas na temporada 2024 e 2025. Segundo a Deloitte, uma das maiores consultorias do mundo, o valor chegou a 40,2 bilhões de euros.
Na previsão da consultoria para 2026, a inteligência artificial vai entrar ainda mais em atividades como avaliação de desempenho, gestão de atletas, administração dos clubes e relacionamento com torcedores.
Leitura das partidas fica mais sofisticada
Dentro do campo, a análise dos jogos também ficou mais apurada. Além de posse de bola, chute no gol e retrospecto, os sistemas conseguem combinar vários fatores, como gols esperados, intensidade de pressão, eficiência do ataque, cansaço físico, lesões, escalações e comportamento contra rivais parecidos.
No entanto, ter muitos números não evita erros de interpretação. "Um indicador isolado pode levar a uma conclusão equivocada. O valor está em cruzar informações, comparar contextos e identificar quais variáveis realmente alteram a probabilidade de um resultado", explicou Ricardo Santos.
Probabilidade não é garantia de acerto
Nas apostas esportivas, essa lógica ganhou ainda mais relevância depois da regulamentação do setor no Brasil. De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 17,7 milhões de brasileiros fizeram apostas de quota fixa no primeiro semestre de 2025. No mesmo período, as empresas autorizadas registraram R$ 17,4 bilhões em receita bruta de jogos.
A grande quantidade de dinheiro movimentados estimulou a oferta de plataformas com estatísticas em tempo real, comparações de desempenho e projeções baseadas em probabilidades. Recursos que antes existiam apenas nos departamentos de análise dos grandes clubes agora chegam a pessoas comuns. Mas o acesso, por mais facilitador, não transforma uma projeção em certeza.
"Quando um modelo estatístico é tratado como certeza de resultado, a leitura já começou errada. Probabilidade serve para mensurar risco e comparar possibilidades. Ela não elimina o acaso", ressaltou o fundador da Fulltrader Sports.
Uma equipe pode ter indicadores superiores e ainda assim perder por causa de uma expulsão, uma lesão, um erro individual ou um lance improvável. A função desses sistemas não é prever placares com precisão absoluta, mas organizar variáveis que tornam a avaliação de risco mais clara.
A tecnologia vai além dos estádios
A lógica dos dados ultrapassa os campos de futebol. Empresas usam esses modelos estatísticos em decisões sobre crédito, investimentos, seguros, logística e comportamento do consumidor. No esporte, a diferença está na velocidade com que uma hipótese pode ser testada.
Para Ricardo Santos, isso ajuda a entender por que decisões baseadas apenas na convicção estão perdendo espaço. "O futebol continuará tendo paixão e interpretações diferentes. O que perde força é o achismo sem sustentação. Antes de qualquer decisão, a pergunta passa a ser outra: o que sustenta esse palpite", concluiu o especialista.
Quem é Ricardo Santos
Ricardo Santos é cientista de dados especialista em análise estatística para apostas esportivas no futebol. Ele fundou a Fulltrader Sports, empresa líder na América Latina na criação de softwares voltados a quem faz apostas. Atua há doze anos como trader profissional em probabilidades de futebol, com foco em análise preditiva e modelagem de cenários para apostas.

Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports.




