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Futebol virou xadrez: como dados e inteligência artificial mudam as decisões no esporte

Tecnologia Futebol 15/09/2026 15:03 Carolina Lara, assessoria Fulltrader/Pressmanager

Do campo ao placar, o futebol brasileiro e internacional cada vez mais usa estatísticas, modelos de computador e inteligência artificial para tomar decisões antes de jogos, apostar ou gerenciar clubes. Saiba como isso funciona e por que, apesar de toda tecnologia, o acaso ainda decide muita coisa.

A inteligência artificial e a análise de dados transformaram a forma como o futebol é entendido no Brasil e no mundo. Hoje, clubes, empresas e até torcedores recorrem a números, estatísticas e computadores para avaliar jogadores, medir riscos e tomar decisões. Um dos especialistas neste novo cenário é Ricardo Santos, cientista de dados que trabalha há doze anos com probabilidades no futebol.

Ele explica que a tecnologia não substitui o julgamento humano, mas eleva a qualidade das informações usadas antes de cada escolha. Segundo ele, o palpite continua importante, mas precisa ser confrontado com evidências, histórico e probabilidade antes de virar decisão.

Rapidez de leitura sobre a notícia:

  • A Copa do Mundo de 2026 usou uma ferramenta chamada Football AI Pro, que processa milhões de dados por partida.
  • O futebol europeu ultrapassou 40 bilhões de euros em receitas na temporada 2024 e 2025.
  • No Brasil, mais de 17,7 milhões de pessoas fizeram apostas em jogos no primeiro semestre de 2025.
  • Anatel bloqueou cerca de 15 mil sites ilegais de apostas no mesmo período.
  • A tecnologia agora é usada fora do esporte, em crédito, seguros e comportamento do consumidor.

Do palpite aos dados: o futebol dos números

A cultura dos dados ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Nesse torneio, as 48 seleções participaram de uma ferramenta chamada Football AI Pro, feita pela Fifa (entidade que organiza o futebol mundial) e pela Lenovo, empresa de tecnologia chinesa. Essa ferramenta processa milhões de pontos de informação por jogo e analisa mais de 2 mil métricas diferentes.

Isso mostra que a mudança chegou em várias áreas do esporte. Ainda existem opiniões, mas elas agora precisam ser comparadas com evidências, probabilidades e inteligência artificial.

Um especialista que vive de probabilidades

Ricardo Santos é cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, empresa que cria programas de computador para análise estatística voltados ao apostador. Ele tem cerca de doze anos de experiência com probabilidades no futebol.

Para ele, a diferença que a tecnologia faz não está em trocar o jeito das pessoas pensarem, mas em melhorar as informações usadas antes de uma escolha.

A cultura dos dados não elimina a opinião. Ela exige que o palpite seja confrontado com evidências, histórico e probabilidade antes de se transformar em decisão, afirmou o especialista.

O crescimento econômico do esporte alimenta essa tecnologia

A mudança acompanha o crescimento da indústria do esporte. O futebol europeu ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 40 bilhões de euros em receitas na temporada 2024 e 2025. Segundo a Deloitte, uma das maiores consultorias do mundo, o valor chegou a 40,2 bilhões de euros.

Na previsão da consultoria para 2026, a inteligência artificial vai entrar ainda mais em atividades como avaliação de desempenho, gestão de atletas, administração dos clubes e relacionamento com torcedores.

Leitura das partidas fica mais sofisticada

Dentro do campo, a análise dos jogos também ficou mais apurada. Além de posse de bola, chute no gol e retrospecto, os sistemas conseguem combinar vários fatores, como gols esperados, intensidade de pressão, eficiência do ataque, cansaço físico, lesões, escalações e comportamento contra rivais parecidos.

No entanto, ter muitos números não evita erros de interpretação. "Um indicador isolado pode levar a uma conclusão equivocada. O valor está em cruzar informações, comparar contextos e identificar quais variáveis realmente alteram a probabilidade de um resultado", explicou Ricardo Santos.

Probabilidade não é garantia de acerto

Nas apostas esportivas, essa lógica ganhou ainda mais relevância depois da regulamentação do setor no Brasil. De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 17,7 milhões de brasileiros fizeram apostas de quota fixa no primeiro semestre de 2025. No mesmo período, as empresas autorizadas registraram R$ 17,4 bilhões em receita bruta de jogos.

A grande quantidade de dinheiro movimentados estimulou a oferta de plataformas com estatísticas em tempo real, comparações de desempenho e projeções baseadas em probabilidades. Recursos que antes existiam apenas nos departamentos de análise dos grandes clubes agora chegam a pessoas comuns. Mas o acesso, por mais facilitador, não transforma uma projeção em certeza.

"Quando um modelo estatístico é tratado como certeza de resultado, a leitura já começou errada. Probabilidade serve para mensurar risco e comparar possibilidades. Ela não elimina o acaso", ressaltou o fundador da Fulltrader Sports.

Uma equipe pode ter indicadores superiores e ainda assim perder por causa de uma expulsão, uma lesão, um erro individual ou um lance improvável. A função desses sistemas não é prever placares com precisão absoluta, mas organizar variáveis que tornam a avaliação de risco mais clara.

A tecnologia vai além dos estádios

A lógica dos dados ultrapassa os campos de futebol. Empresas usam esses modelos estatísticos em decisões sobre crédito, investimentos, seguros, logística e comportamento do consumidor. No esporte, a diferença está na velocidade com que uma hipótese pode ser testada.

Para Ricardo Santos, isso ajuda a entender por que decisões baseadas apenas na convicção estão perdendo espaço. "O futebol continuará tendo paixão e interpretações diferentes. O que perde força é o achismo sem sustentação. Antes de qualquer decisão, a pergunta passa a ser outra: o que sustenta esse palpite", concluiu o especialista.

Quem é Ricardo Santos

Ricardo Santos é cientista de dados especialista em análise estatística para apostas esportivas no futebol. Ele fundou a Fulltrader Sports, empresa líder na América Latina na criação de softwares voltados a quem faz apostas. Atua há doze anos como trader profissional em probabilidades de futebol, com foco em análise preditiva e modelagem de cenários para apostas.