15 de setembro de 2026

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IA ficou rápida, mas decisão humana precisa ficar melhor

Tecnologia InteligênciaArtificial 15/09/2026 09:40 Celso Tacla, Vice Presidente Executivo da Valmet América Latina - Assessoria Central Press

Intelligence artificial acelera tarefas, porém estudos mostram que profissionais cometem mais erros ao confiar cegamente na máquina. O desafio é manter o julgamento crítico.

A inteligência artificial já transformou o ritmo do trabalho profissional. Hoje, em poucas horas, é possível analisar grandes volumes de dados, criar propostas, identificar padrões ou desenvolver soluções que antes levavam dias. Esse ganho de produtividade é evidente. No entanto, surge uma questão fundamental: quanto mais confiamos na capacidade da tecnologia para gerar respostas, mais precisamos ter habilidade para questioná-las.

O maior risco não está apenas no fato de a IA errar. O perigo real é quando deixamos de perceber que ela cometeu o erro.

Estudio revela 'rendição cognitiva' ao usar IA

Uma pesquisa conduzida por Steven Shaw e Gideon Nave, da Escola de Negócios Wharton, ajuda a entender o tamanho desse problema. Eles comparararam dois grupos em vários testes. Um grupo trabalhou sem auxílio de IA. O outro poderia consultar a ferramenta, que oferecia recomendações, sendo algumas corretas e outras incorretas.

Quando as sugestões da IA estavam corretas, o desempenho do grupo que usava a tecnologia ficou cerca de 25% acima do grupo sem apoio. Porém, quando a IA fornecia respostas erradas, o resultado desses usuários caiu aproximadamente 15% em comparação com quem não usava a ferramenta. O dado alarmante é que, mesmo nas ocasiões em que a IA estava errada, suas sugestões foram seguidas em mais de 80% dos casos.

Os pesquisadores batizaram esse comportamento de 'rendição cognitiva'. Isso acontece quando o profissional depara com a tecnologia não apenas como uma ferramenta de apoio, mas passa a transferir para a máquina parte do seu próprio julgamento crítico.

  • Estudo da Wharton School mostra que usuários de IA seguem respostas erradas em mais de 80% das vezes.
  • Quando a IA erra, o desempenho do usuário cai 15% em relação a quem não usa a tecnologia.
  • Ao acertar, a IA aumenta o desempenho em 25%, criando uma sensação falsa de superpoder.
  • Esse fenômeno é chamado de 'rendição cognitiva', onde o julgamento humano é substituído pela máquina.
  • O problema não é a velocidade da IA, mas a falta de questionamento humano sobre os resultados.

O valor do contexto na decisão empresarial

A questão central, portanto, não é se devemos confiar ou não na inteligência artificial, mas sim saber como confiar nela com critério. No ambiente corporativo, a IA pode ampliar a produtividade comercial e analítica, ajudando na gestão de vendas, na elaboração de propostas e na análise de contratos e mercados. Contudo, uma resposta rápida não garante que seja uma boa decisão.

Uma recomendação pode parecer lógica com base nos dados disponíveis, mas pode ignorar particularidades específicas do negócio, do cliente ou do momento atual. Por isso, o julgamento humano continua sendo indispensável. A tecnologia sugere caminhos, mas apenas a liderança humana consegue avaliar o contexto completo, questionar as recomendações e assumir a responsabilidade final pela decisão.

Existe outro desafio: o descompasso da velocidade. A IA permite desenvolver soluções em minutos ou horas, enquanto os processos internos de aprovação das empresas podem durar dias ou semanas. Essa discrepância, relacionada ao conceito de clock drift, pode impedir que as empresas aproveitem todo o potencial da tecnologia. Acelerar decisões sem considerar confidencialidade, propriedade intelectual e riscos, por outro lado, também gera problemas graves.

Governança e crescimento sustentável

O desafio da governança não é escolher entre controle e velocidade, mas criar condições para que ambos coexistam. Cabe à liderança estabelecer limites claros, definir alçadas de decisão, delegar responsabilidades, acompanhar resultados e, acima de tudo, preservar a capacidade de julgamento humano.

Para empresas em fase de crescimento, esse ponto é ainda mais crítico. Escalar operações exige transformar o conhecimento individual em capacidade organizacional, estruturar processos e deixar claras as responsabilidades de cada área. A IA pode acelerar essa transformação, mas ela não substitui a pessoa que responde pelos resultados finais.

É preciso mudar a pergunta que fazemos. Em vez de perguntar apenas 'o que a IA recomenda', devemos questionar: 'por que ela recomenda isso', 'quais informações sustentam essa conclusão' e 'em que circunstâncias essa recomendação poderia estar errada'

A verdadeira vantagem competitiva não está apenas em usar IA, mas em combinar sua velocidade e capacidade de processamento com a experiência, o contexto e o julgamento das pessoas. A IA aumenta a produtividade e a velocidade. Mas, quando ela erra, ainda precisamos de alguém capaz de dizer: 'isso não faz sentido'. Essa continua sendo uma responsabilidade estritamente humana.