Estudo mostra que cibersegurança agora é a maior preocupação dos CEOs, superando inflação e geopolítica. O setor bancário lidera com R$ 50 bilhões em tecnologia, focando em pessoas e governança para evitar paradas de sistemas e falhas de reputação.
Pela primeira vez na história recente, a segurança digital deixou de ser um problema técnico restrito ao setor de tecnologia da informação para se tornar o maior medo dos líderes empresariais no Brasil. Um novo estudo revela que hackers e vazamentos de dados estão no topo das preocupações, empurrando temas antes dominantes, como a inflação, para segundo plano.
Se a segurança cair, a empresa fecha as portas. Essa é a nova realidade que obrigou as diretorias a acordarem para o perigo virtual e assumirem o controle direto das defesas digitais das organizações.
Os Riscos que Assustam os Chefes
- O estudo CEO Outlook da EY-Parthenon ouviu 50 grandes líderes de empresas no Brasil.
- 26% deles citaram a segurança digital como o problema mais grave para os próximos 12 meses.
- Essa preocupação superou a tensão geopolítica (16%) e a incerteza sobre as leis (14%).
- Rupturas na cadeia de fornecedores (12%) e a instabilidade da economia (10%) ficaram atrás.
- Antes visto apenas como assunto de informática, o tema agora compete com a inflação na mente dos donos.
A virada acontece porque ignorar a segurança digital ficou caro demais. Golpes de ransomware, que sequestram os sistemas e paralisam a produção, além de vazamentos que destroem a reputação construída ao longo de décadas, transformaram a proteção digital em questão de sobrevivência.
Quando um ataque pode impedir a venda de produtos, derrubar o valor da empresa na bolsa e acionar processos contra os diretores, a decisão sobre quanto gastar com defesa não cabe mais apenas ao gerente de infraestruturas.
Essa responsabilidade sobe, inevitavelmente, para o conselho de administração, exigindo que a alta liderança decida quais áreas são as mais críticas para proteger contra os ciberataques.
O Setor Bancário Como Exemplo
Se existe um setor que mostra como a segurança deve ser tratada como um risco de negócio, é o setor financeiro. É ele que define o padrão de maturidade digital no país.
Uma pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita pela Deloitte, mostrou o que bancos que controlam 85% dos ativos do país pretendem fazer. Eles planejam investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia este ano.
Isso representa um aumento de 8% em relação a 2025 e um salto de 58% se olharmos o crescimento do orçamento nos últimos cinco anos, mostrando o peso que a tecnologia tem para esses grupos.
Dentro desse valor gigante, a cibersegurança é a campeã de investimento. Todas as 100% das instituições consideram a segurança digital como uma prioridade alta ou média, superando até a computação em nuvem e a inteligência artificial, que estão com 84% de prioridade.
Os bancos processaram 240,8 bilhões de transações em 2025, com 78% feitas pelo celular. Esse sistema de pagamentos instantâneos não pode parar. Por isso, para eles, a segurança não é um extra, mas a condição básica para que o negócio exista.
Um dado importante e pouco notado no estudo é que mais de 220 mil profissionais do setor foram treinados em tecnologia e segurança no último ano. Isso é praticamente metade de todos os bancários do país.
O setor mais maduro em defesa digital aposta em pessoas, não apenas em máquinas. Eles sabem que a maioria dos problemas começa com o clique de um funcionário desatento, e não com uma falha complexa no sistema.
Governança É Mais Importante Que Ferramenta
A experiência dos bancos ensina que saírea do problema técnico e ir para a diretoria exige mais organização do que só comprar programas de defesa.
Tratar a cibersegurança como risco de negócio significa que ela tem um dono específico, metas claras e um orçamento defendido pelos mais altos cargos.
Isso não é um gasto perdido em sobras do orçamento de informática, mas uma conta que tem justificativa própria, acompanhada de perto pela cúpula da empresa.
Esse enquadramento muda também a forma de agir quando algo dá errado. Empresas maduras partem da ideia de que um ataque vai acontecer. Por isso, elas ensaiam a crise antes de acontecer, testando planos de resposta.
Eles definem roles claros entre tecnologia, jurídico e comunicação, e decidem criterios como isolar sistemas ou chamar as autoridades. A diferença entre um dano pequeno e uma catástrofe raramente está no programa de detecção, está na velocidade da decisão nas primeiras horas.
Existe ainda a questão dos terceiros. O setor financeiro aprendeu na prática que a segurança de uma empresa vale só o quanto seu fornecedor mais fraco protege seus dados.
Por isso, a defesa madura estende as exigências de segurança para todos os fornecedores, monitora-os e troca informações sobre ameaças para ficar sempre um passo à frente dos golpistas.
Onde o Restante do País Pode Aprender
A boa notícia para quem não é dos bancos é que o caminho já existe, só precisa ser adaptado. Não é preciso inventar a roda, apenas seguir o modelo que já funciona.
Levar o tema para o conselho com um responsável, mapear processos críticos, medir a capacidade de resposta e treinar pessoas de forma contínua são passos que valem para qualquer tamanho de empresa.
Essa agenda custa uma fração do que um incidente de dados pode causar em prejuízo financeiro e de imagem, sendo um investimento preventivamente racional.
Outro dado da EY-Parthenon aumenta a pressa: 72% dos CEO brasileiros querem aumentar os investimentos em inteligência artificial nos próximos meses.
A consultoria alerta que, ao usar mais IA, as empresas ficam expostas a mais riscos de dados e governança. Elas estão modernizando o que têm de mais valioso enquanto ampliam a área que precisa ser defendida, explicando por que o risco cibernético chegou ao topo e não deve sair tão cedo.
Para se proteger, o foco é em pessoas, governança e fornecedores, seguindo o exemplo de quem já trata a segurança digital como um pilar estratégico de continuidade do negócio.

Fonte: Selbetti Cybersecurity Solutions (Ajustada por IA)



