Especialistas alertam que a inteligência artificial não deve substituir a história pessoal em processos migratórios, pois textos genéricos podem levantar suspeitas e expor informações sensíveis.
A inteligência artificial tem se tornado uma aliada comum na rotina das pessoas, mas especialistas em imigração alertam que o seu uso incorreto em processos de visto pode resultar na recusa do pedido. O problema principal não é a tecnologia em si, mas a forma como ela é utilizada para criar documentos que não refletem a realidade do solicitante.
O uso inadequado de ferramentas digitais pode comprometer a credibilidade do candidato e aumentar riscos de segurança digital, expondo dados sensíveis de maneira desnecessária.
Principais riscos e cuidados
1. Texto genérico gera desconfiança
2. Vazamento de dados sensíveis é comum
3. IA deve ser apenas um apoio
4. Não invente fatos ou experiências
5. Verifique a privacidade das plataformas
Com a popularização de ferramentas generativas, como o ChatGPT, muitas pessoas buscam ajuda para organizar documentos, preencher formulários e escrever cartas de intenção. Contudo, quando esses textos são gerados sem revisão humana, eles tendem a ficar padronizados. Isso cria inconsistências que podem ser notadas pelos oficiais de imigração.
Em situações de solicitação de visto, formulários, cartas de motivação e currículos precisam contar a história real do indivíduo. Se o discurso for artificial, desconectado da trajetória profissional ou acadêmica, pode haver questionamentos sobre a autenticidade.
Segundo Caroline Azevedo, advogada especializada em imigração e licenciada nos EUA pelo Visa Finder, o risco está em trocar a experiência individual por respostas automáticas. A tecnologia ajuda, mas a coerenza é o fator decisivo.
A inteligência artificial pode ser uma ferramenta de apoio para organização e revisão de documentos, mas um processo migratório exige coerência. O oficial de imigração precisa identificar uma história verdadeira, com informações compatíveis entre formulários, documentos e entrevistas. Um texto genérico ou contraditório pode levantar questionamentos sobre a autenticidade das informações apresentadas, explica a especialista.
Além dos problemas documentais, há um grande risco de segurança. Formularios de visto contêm dados pessoais, histórico de vida e informações familiares. O advogado Lucas Paglia, especialista em segurança de dados, alerta para o compartilhamento indiscriminado dessas informações.
Muitas pessoas inserem documentos completos e extremamente sensíveis em plataformas digitais sem avaliar quais informações estão compartilhando, quais dados são necessários e quais cuidados de privacidade devem ser adotados. Antes de utilizar qualquer ferramenta de IA, é fundamental evitar o envio de dados desnecessários, elucida Lucas.
Como usar a IA com segurança
A conclusão dos especialistas é clara: a IA deve ser uma ferramenta de suporte, não a autora da história do candidato. O uso estratégico é recomendado apenas para revisar textos que o próprio solicitante já escreveu.
Os benefícios incluem a organização de ideias, a estruturação de informações, a identificação de erros de linguagem e a ajuda na preparação para entrevistas consulares. Dessa forma, a qualidade do conteúdo sobe, mas a autenticidade permanece.
Por outro lado, os riscos são maiores com o descuido. É proibido copiar respostas prontas da internet, criar histórias falsas ou inserir documentos completos sem avaliar os riscos. A inconsistência entre o que está escrito e o que é dito na entrevista é um dos principais fatores para a negação do visto.
À medida que a inteligência artificial ganha espaço na preparação migratória, a orientação é utilizar a tecnologia com transparência. A segurança e a responsabilidade do usuário garantem que o processo siga em frente sem alertas de fraude ou violação de privacidade.

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