27 de agosto de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

IA em mais de 80% dos bancos: open source garante soberania digital

Tecnologia IA 27/08/2026 10:49 Marcos Lacerda, presidente da SUSE América Latina (via SUSE Brasil)

Mais de 80% das instituições financeiras brasileiras já usam inteligência artificial. Entenda como o open source ajuda a manter o controle, a segurança e a autonomia tecnológica.

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar parte da infraestrutura crítica das organizações. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita pela Deloitte, mais de 80% das instituições financeiras brasileiras já usam IA. Ao mesmo tempo, os investimentos do setor em tecnologia devem passar de R$ 50 bilhões, impulsionados por aplicações em análise de crédito, prevenção a fraudes, Open Finance, atendimento e hiperpersonalização.

  • Mais de 80% dos bancos brasileiros já usam IA em seus processos.
  • Os investimentos em tecnologia no setor devem ultrapassar R$ 50 bilhões.
  • O uso de ferramentas públicas de IA por funcionários sem autorização do setor de TI é chamado de Shadow AI.
  • O open source ajuda a reduzir a dependência de um único fornecedor e aumenta o controle sobre os dados.
  • O próximo grande desafio é operar a IA com segurança, governança e autonomia.

A corrida pela IA já começou, mas a agenda dos executivos mudou. O desafio agora não é apenas incorporar novos modelos aos negócios, mas transformar a tecnologia em um ativo estratégico sem comprometer segurança, conformidade regulatória e controle sobre os dados.

Durante os primeiros anos, o foco esteve principalmente na capacidade dos modelos e na descoberta de novos casos de uso. Hoje, a prioridade é operar esses sistemas de forma segura e sustentável. A infraestrutura deixou de ser apenas o ambiente onde a IA é executada e passou a determinar o nível de governança e autonomia das organizações.

Essa mudança é especialmente relevante porque os sistemas de IA passaram a acessar informações estratégicas, como dados financeiros, informações de clientes, códigos de software e propriedade intelectual. Quando esses ativos deixam de estar sob controle da empresa, o risco deixa de ser exclusivamente tecnológico e passa a envolver também questões operacionais e regulatórias.

O crescimento do chamado Shadow AI reforça esse desafio. Profissionais usam plataformas públicas para aumentar a produtividade, muitas vezes sem aprovação das áreas de tecnologia, segurança ou conformidade. Proibir essas ferramentas, porém, não elimina o uso. O caminho é criar ambientes nos quais a IA possa ser usada com políticas consistentes de segurança, identidade, auditoria e conformidade.

Soberania digital e open source

É nesse contexto que a soberania digital ganha relevância. Ela não significa apenas definir onde os dados estão armazenados, mas preservar a capacidade de decidir onde cada carga de trabalho será executada, quais modelos poderão acessar determinadas informações e como decisões críticas serão administradas.

Para alcançar essa autonomia, tecnologias abertas têm papel estratégico. Em um cenário no qual novos modelos e plataformas surgem continuamente, arquiteturas baseadas em open source favorecem transparência, interoperabilidade e liberdade de escolha. Também reduzem o risco de dependência excessiva de um único fornecedor e facilitam a combinação de diferentes tecnologias conforme as necessidades do negócio evoluem.

No mercado financeiro, essa flexibilidade é particularmente importante. Instituições que processam grandes volumes de dados e precisam atender requisitos rigorosos de segurança e conformidade não podem tratar a infraestrutura de IA como uma camada isolada. Ela precisa fazer parte da estratégia de longo prazo.

Os modelos continuarão evoluindo e o acesso à inteligência artificial será cada vez mais democrático. A verdadeira vantagem competitiva estará, portanto, na capacidade de operar esse ecossistema com segurança, governança e liberdade tecnológica.

A questão estratégica para a próxima década não será apenas quem usará a IA primeiro, mas quem conseguirá construir uma base tecnológica aberta e resiliente, capaz de proteger seus dados, preservar sua autonomia e permitir que a inovação avance com segurança e transparência.