26 de agosto de 2026

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Como atrair e manter mulheres no setor de TI?

Tecnologia 26/08/2026 10:44 Joceline Lopes

Apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam barreiras silenciosas na área de tecnologia. Entenda o que as empresas podem fazer para reter esses talentos e promover a igualdade de verdade.

Como atrair e manter mulheres no setor de TI

A presença de mulheres na área de tecnologia já é uma realidade, mas ainda há muito a avançar. Segundo um levantamento da Brasscom, elas representam 39,2% da força de trabalho em TI, um crescimento de 1,1 ponto percentual nos últimos seis anos. Porém, o desafio não é só contratar, é manter essas profissionais ativas e em cargos de destaque.

  • Mulheres são 39,2% da força de trabalho em TI, mas ainda sofrem com estigmas e barreiras invisíveis.
  • A ideia de que a maternidade atrapalha o trabalho é ultrapassada e prejudica a contratação.
  • Políticas de trabalho flexível precisam ser aliadas, não motivos para deixar a profissional de lado.
  • Estudo mostra que apenas 17,8% dos alunos de graduação em TIC são mulheres.
  • Empresas com mais diversidade de gênero têm 27% mais chances de ter melhor desempenho financeiro.

Muitas vezes, as particularidades da rotina feminina ainda são vistas como problemas. Por exemplo, existe a ideia de que a mulher vai se ausentar por causa da maternidade, mas isso não deveria ser motivo para deixar de contratá-la ou promovê-la. Nem toda mulher quer ser mãe, e mesmo as que querem merecem as mesmas oportunidades.

Para reter essas talentosas, as empresas precisam oferecer flexibilidade de verdade. Mas cuidado: flexibilidade não pode virar invisibilidade. Profissionais que trabalham de forma flexível ou voltam de licença não podem ser deixadas de lado em projetos importantes ou avaliações de desempenho. O que deve importar são as entregas e os resultados.

Outro ponto importante é o tempo para networking. As mulheres costumam ter uma dupla jornada: trabalho em casa e cuidado com a família. Isso reduz o tempo para conexões profissionais informais, que são essenciais para abrir portas. Esse cenário reforça a chamada síndrome da impostora, fazendo a profissional duvidar da própria capacidade.

Um relatório da McKinsey com a LeanIn.Org mostra que a maior barreira para o crescimento feminino está no primeiro degrau para cargos de gestão, o chamado degrau quebrado. É ali que a desigualdade começa. E essa desigualdade aparece já na faculdade: apenas 17,8% dos alunos de cursos de tecnologia são mulheres, segundo estudo da Universidade Federal de Sergipe.

Para mudar essa realidade, a inclusão precisa ser vivida no dia a dia. A alta gestão deve dar o exemplo, demonstrando sensibilidade para reconhecer as diferenças sem tratá-las como obstáculos. Ao mesmo tempo, as mulheres precisam reconhecer seu valor e ocupar seus espaços sem medo de usar a flexibilidade que têm direito.

Incluir mulheres não é só uma questão ética, é uma estratégia de negócio. Empresas com mais diversidade de gênero nos conselhos têm 27% mais chances de superar financeiramente as menos diversas. Afinal, as diferenças são complementares e impulsionam a inovação.

Joceline Lopes é Diretora de Gente da Numen.