24 de agosto de 2026

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Black Hat e DEF CON: a Inteligência Artificial vira alvo da cibersegurança

Tecnologia Inteligência 24/08/2026 08:25 Fernando Amatte - Oakmont Group

Evento em Las Vegas mostra como a IA se tornou tanto vetor de ataque quanto foco de proteção, com foco em soluções sem agente e na necessidade de monitorar a IA conforme ela ganha autonomia.

A IA deixou de ser apenas uma ferramenta usada por empresas para se tornar um novo vetor de ataque e, ao mesmo tempo, um alvo que precisa ser protegido.

Fernando Amatte, Information Security Advisor do Oakmont Group, acompanhou os eventos BSides-LV, Black Hat e DEF CON, em Las Vegas e analisou o avanço de soluções agentless, o uso de dados já disponíveis nos ambientes corporativos para identificar anomalias e a necessidade de monitorar e controlar a própria IA à medida que ela ganha autonomia.

Entre os movimentos observados este ano, chamou atenção o avanço dos modelos próprios de inteligência artificial e das automações, acompanhado pela adoção de abordagens chamadas de sem agente (agentless). A proposta retira da mesa a necessidade de instalação de novos agentes, softwares e recursos nas máquinas e aproveita dados já coletados para extrair novas informações.

Um exemplo prático é a utilização dos dados disponíveis em um "antivírus" para compreender o comportamento considerado normal de uma máquina e, a partir disso, identificar comportamentos anômalos. A lógica quebra a necessidade de adicionar novos componentes ao ambiente e permite aproveitar informações já disponíveis.

Na Black Hat, dos 470 vendors presentes, a maioria incorporava algum tipo de inteligência artificial aos produtos. Mais interessante foi notar o avanço de soluções que utilizam a IA para proteger, monitorar e controlar a própria IA.

Na DEF CON, IA com foco em (in)segurança era lei. Nos palcos principais, boa parte das trilhas de conteúdo era, direta ou indiretamente, relacionada a vulnerabilidades e segurança em IA, LLMs, MCP e vibe coding. O percentual não inclui as villages dedicadas a assuntos específicos como Malware, IoT, Red Team e Blue Team, sem contar as pesquisas relacionadas ao tema.

A inteligência artificial está se consolidando como novo vetor de ataque, e seu uso sem controles, governança e os cuidados necessários transforma avanço tecnológico em um problema crônico de segurança. Proteger a IA passa a ser tão importante quanto utilizá-la.

A DEF CON também mostra outro aspecto importante dessa evolução, incluindo a possibilidade de estudar, pesquisar e identificar vulnerabilidades de um marca-passo, uma bomba de insulina, um barco, um avião ou carro. Todas essas possibilidades são legítimas dentro das villages. Esses ambientes transformam tecnologias de difícil acesso em laboratórios de pesquisa e permitem testar, questionar e compartilhar conhecimento.

O evento tem sua própria cultura e convida a audiência a mergulhar, se conectar e, ainda, compartilhar aprendizados para aumentar o nível de conhecimento entre os participantes. Nesta direção é que a DEF CON continua tão relevante para quem trabalha com cibersegurança.

Para quem atua no setor, acompanhar Black Hat, BSides-LV e DEF CON vai muito além da vitrine de produtos. Os eventos ajudam a direcionar o setor para um olhar dinâmico sobre onde estão surgindo novas formas de ataque, quais tecnologias estão sendo incorporadas à segurança e quais desafios começam a aparecer antes de chegarem ao cotidiano das empresas.

A principal lição deste ano é: a IA continua ingressando nas corporações e é justamente aí que é preciso montar um ambiente de segurança cada vez mais envolvente ao longo de toda a cadeia de atuação. Mais do que criar sistemas capazes de agir com autonomia, torna-se imperativo entender como monitorar, controlar e proteger.

Para quem atua no setor, acompanhar Black Hat, BSides-LV e DEF CON vai muito além da vitrine de produtos. Os eventos ajudam a direcionar o setor para um olhar dinâmico sobre onde estão surgindo novas formas de ataque, quais tecnologias estão sendo incorporadas à segurança e quais desafios começam a aparecer antes de chegarem ao cotidiano das empresas.

A principal lição deste ano é: a IA continua ingressando nas corporações e é justamente aí que é preciso montar um ambiente de segurança cada vez mais envolvente ao longo de toda a cadeia de atuação. Mais do que criar sistemas capazes de agir com autonomia, passa ao imperativo a compreensão sobre a maneira de monitorar, controlar e proteger.

Resumo

  • IA já é alvo e ferramenta de ataque
  • Soluções sem agente ganham espaço
  • Monitoramento da própria IA é essencial
  • IA transforma a segurança e exige governança
  • Eventos reforçam necessidade de proteção em toda a cadeia