Pesquisa mostra que 40% das fraudes financeiras no Brasil usam engenharia social, com golpistas se passando por bancos e policiais. Celular é o principal canal e Pix está em 85% dos golpes; veja como se proteger.
Golpes baseados em engenharia social respondem por 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil. Essa estratégia usa falsos call centers, criminosos que se passam por funcionários de bancos e até falsas operações policiais para convencer as vítimas a fornecer dados ou fazer transferências.
Segundo pesquisa da Quod, empresa especializada em inteligência de dados para crédito, no primeiro semestre de 2026 foram registrados mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre casos suspeitos e confirmados. Isso representa alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. A engenharia social foi responsável por mais de 3,6 milhões dessas ocorrências.
- 40% das fraudes financeiras no Brasil usam engenharia social, que é a técnica de enganar pessoas com histórias falsas.
- O celular é o principal canal dos golpes: aparece em 78% dos casos.
- O Pix é o meio de pagamento mais usado pelos criminosos, presente em 85% das ocorrências.
- Os jovens de 18 a 34 anos são as principais vítimas, com 49,06% dos casos.
- Pessoas que ganham até dois salários mínimos representam 58% dos atingidos.
De acordo com a Quod, o celular foi o principal canal usado nos golpes, presente em 78% dos casos. O Pix aparece como meio de movimentação em 85% das ocorrências.
Golpes mais sofisticados
A engenharia social explora a confiança e as emoções da vítima, em vez de invadir sistemas bancários. Os criminosos criam situações de urgência, medo ou falsa autoridade para fazer a pessoa agir rápido.
No golpe do falso call center, por exemplo, o criminoso diz que identificou uma transação suspeita e orienta a vítima a fazer procedimentos para proteger a conta. Em falsas operações policiais, o golpista usa a autoridade para intimidar e exigir movimentações financeiras.
Os ataques podem combinar ligações, WhatsApp, SMS e e-mails durante dias ou semanas antes da tentativa de transferência. A inteligência artificial tornou as abordagens ainda mais convincentes, com clonagem de voz, imagens e documentos falsos.
Para José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, empresa de verificação inteligente, a engenharia social atinge uma camada diferente da segurança tradicional. "A IA antifraude não foi desenhada para combater engenharia social, ela foi desenhada para combater fraude. São camadas diferentes de um mesmo problema, onde engenharia social ataca a decisão humana, a fraude ataca o sistema, o documento, a identidade", diz.
Tecnologia
O combate às fraudes ganhou novos mecanismos em 2026. A Resolução 501 do Banco Central ampliou o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições financeiras, enquanto o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) concentra dados para identificar padrões e apoiar ações preventivas.
As instituições também usam inteligência artificial (IA) e biometria comportamental para analisar fatores como dispositivo, horário, localização e histórico de transações.
O avanço nos investimentos em IA, no entanto, não tem impedido o crescimento dos golpes com engenharia social. Para Oliveira, a prevenção precisa acontecer antes do prejuízo. "Para as instituições, a lógica precisa ser exatamente a inversa, ou seja, usar tecnologia para reconhecer sinais, antecipar riscos e adaptar a proteção antes que a vulnerabilidade se transforme em prejuízo", adverte.
Debate escasso
Segundo levantamento recente da Certta e da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, apenas 11% das menções sobre golpes e fraudes digitais nas redes tratam de prevenção.
O debate público é dominado por denúncias e buscas por socorro depois que o prejuízo acontece, e o brasileiro ainda confunde segurança cibernética com proteção antifraude, destaca Oliveira. "Para o consumidor, a melhor defesa é aliar tecnologia a um comportamento preventivo. Como quase 78% das fraudes ocorrem via celular e a engenharia social é o principal motivo dos golpes, a regra é desconfiar do senso de urgência", diz Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.
Como evitar golpes
- Desconfie da urgência: pressão para agir rápido é sinal de alerta.
- Confirme pelo canal oficial: desligue e procure o banco diretamente se receber uma ligação suspeita.
- Não compartilhe senhas e códigos: informações de autenticação nunca devem ser dadas a terceiros.
- Confira o Pix: verifique destinatário e valor antes de confirmar a transferência.
- Desconfie de falsas autoridades: uma suposta investigação policial não justifica transferências.
- Evite links suspeitos: não clique em mensagens inesperadas com alertas ou ofertas.
- Não empreste sua conta: contas usadas para receber dinheiro de terceiros podem fazer parte de esquemas criminosos.
- Use autenticação multifator: mantenha recursos adicionais de segurança ativados.
Mais vítimas jovens
Os jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, segundo a Quod. Pessoas que recebem até dois salários mínimos correspondem a 58% dos atingidos.
Ao todo, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no primeiro semestre, e cerca de 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes.
O cenário mostra que, além do investimento em tecnologia, a prevenção depende da capacidade do usuário de reconhecer tentativas de manipulação antes de autorizar uma operação. "Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de 'contas laranja'", orienta Coelho.
Especializada em inteligência de dados para crédito, a Quod desenvolve soluções com IA e análise de dados para apoiar instituições financeiras na prevenção a fraudes e recuperação de ativos.
A Certta é uma empresa de verificação inteligente que integra e desenvolve soluções antifraude para gerar decisões mais seguras. A plataforma permite verificar identidades e documentos, protegendo pessoas e negócios contra golpes.

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