O monitoramento contínuo da qualidade da água complementa os testes laboratoriais, permitindo ajustes mais precisos e econômicos no tratamento, tanto para água potável quanto para efluentes. Entenda como essa tecnologia está ganhando espaço no Brasil.
A legislação brasileira é rigorosa quanto à qualidade da água. A Portaria 888/2021 define vários parâmetros e frequências de testes, como cloro residual, turbidez, metais pesados e cianotoxinas. Esses testes periódicos em laboratório são a base para garantir a segurança da água distribuída. Mas surge a pergunta: o que muda quando também passamos a acompanhar o processo em tempo real
Um sistema de tratamento pode operar com verificações diárias de cloro, coletas mensais para coliformes e análises semestrais para químicos, tudo dentro da lei. No entanto, entre uma coleta e outra, o processo continua em movimento, com variações de vazão, temperatura e carga orgânica. Acompanhar essas variações em tempo real, sem substituir o laboratório, é a proposta do monitoramento contínuo.
- Monitoramento contínuo complementa os testes laboratoriais
- Permite ajustes mais precisos na dosagem de produtos químicos
- Ajuda a reduzir custos e melhorar a eficiência
- Útil tanto para água potável quanto para esgoto
- Pode ser adotado gradualmente em estações de tratamento
Historicamente, parâmetros como pH, turbidez, cloro residual, amônia e condutividade eram medidos principalmente em laboratório. Hoje, sensores em linha permitem observar essas variáveis em tempo real, complementando as análises periódicas com uma visão contínua.
Essa camada extra de acompanhamento contribui para um controle mais preciso do consumo de produtos químicos. Por exemplo, com leituras pontuais, é comum usar uma margem de segurança maior. Com leitura contínua, a dosagem é ajustada conforme a variação real da água, economizando produtos e mantendo a qualidade estável.
O mesmo vale para o tratamento de esgoto. Os parâmetros de lançamento variam ao longo do dia, e o monitoramento contínuo permite agir de forma proativa, reforçando o cumprimento das exigências ambientais.
Ainda hoje, muitas estações de tratamento no Brasil usam apenas análises periódicas, por causa do investimento inicial em sensores, manutenção e cultura tradicional. Mas a adoção do monitoramento contínuo tende a crescer gradualmente, conforme cada operação avalia o retorno do investimento.
Esse movimento já é observado no Brasil e em outros países. A busca por eficiência hídrica e otimização de recursos impulsiona o uso de tecnologias complementares, resultando em menos retrabalho e decisões baseadas em dados em tempo real.
O controle laboratorial continua sendo fundamental, mas o monitoramento contínuo adiciona uma camada extra de visibilidade, ampliando a capacidade das equipes de agir com precisão entre as medições oficiais. É uma oportunidade de evolução para quem busca melhorar continuamente seus processos.

Francisco Carlos Oliver, da Fluid Feeder




