20 de agosto de 2026

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IA já é rotina para 92% dos advogados

Tecnologia 20/08/2026 09:00 Klaus Riffel (CEO da doc9) via NR7

Com quase 1,5 milhão de advogados e um dos maiores mercados jurídicos do mundo, o Brasil vive uma transformação na profissão com o uso crescente de inteligência artificial.

O Brasil reúne quase 1,5 milhão de advogados inscritos na OAB e mantém um dos maiores mercados jurídicos do mundo. Nesse cenário, a inteligência artificial deixou de ser uma novidade e passou a fazer parte da rotina da advocacia, influenciando a forma como o trabalho é realizado e as competências que ganham valor na carreira.

Essa mudança já pode ser medida. De acordo com o relatório Future Ready Lawyer 2026, 92% dos profissionais jurídicos utilizam IA no dia a dia. A tecnologia tem sido incorporada principalmente a atividades repetitivas, como pesquisas jurídicas, elaboração de minutas, organização de documentos e apoio à análise processual, permitindo que advogados dediquem mais tempo à estratégia, negociação e relacionamento com clientes.

  • 92% dos advogados já usam inteligência artificial no trabalho.
  • 39% dos profissionais dizem que falta treinamento para usar a tecnologia.
  • A IA pode economizar cerca de 5 horas por semana para cada advogado.
  • A plataforma Whom.doc9 registrou mais de 2,5 milhões de acessos em julho e agosto.
  • O futuro da advocacia será definido pela combinação de IA com habilidades humanas como pensamento crítico e estratégia.

"O uso da inteligência artificial deixou de ser um diferencial competitivo. Em pouco tempo, ela estará tão presente na advocacia quanto os processos eletrônicos e as assinaturas digitais. Essa transformação já pode ser percebida na própria rotina dos nossos profissionais. Aqui, por exemplo, o Whom.doc9, plataforma de gestão de certificados digitais, registrou mais de 2,5 milhões de acessos entre julho e agosto, os maiores volumes mensais desde o início do ano. O que passa a diferenciar os profissionais é a capacidade de interpretar resultados, questionar respostas e tomar decisões com segurança jurídica", afirma Klaus Riffel, fundador e CEO da doc9, lawtech especializada em tecnologia para operações jurídicas.

Treinamento ainda é um desafio

Ao mesmo tempo em que essas ferramentas se consolidam na rotina da advocacia, cresce a preocupação com a preparação dos profissionais. Segundo o Future Ready Lawyer 2026, 39% dos entrevistados afirmam que a falta de treinamento ainda é uma das principais barreiras para ampliar seu uso, indicando que a evolução dos recursos disponíveis ocorre em ritmo mais acelerado do que a capacitação das equipes.

Ganho de tempo para o que importa

A mudança também se reflete na forma como o tempo de trabalho é distribuído. O relatório Future of Professionals 2025, da Thomson Reuters, estima que o uso dessas soluções pode gerar uma economia média de cinco horas por semana para cada profissional jurídico. Na prática, esse tempo tende a ser direcionado para atividades que exigem julgamento humano, como análise de riscos, definição de estratégias, negociação e orientação de clientes.

Para Klaus, a profissão passa por uma mudança semelhante à provocada pelo processo eletrônico anos atrás. "Durante muito tempo, produtividade significava produzir mais documentos em menos tempo. Hoje, parte desse trabalho já conta com o apoio da tecnologia. O advogado ganha espaço para atuar onde realmente faz diferença, interpretando cenários, construindo estratégias e apoiando decisões que exigem conhecimento jurídico e visão de negócio."

Na avaliação do executivo, o futuro da advocacia será definido menos pelas ferramentas utilizadas e mais pela capacidade de combiná-las com competências humanas. "Essa evolução continuará assumindo tarefas cada vez mais sofisticadas, mas a responsabilidade pelas decisões permanece humana. O advogado que se destacará nos próximos anos será aquele capaz de unir produtividade, pensamento crítico e capacidade de orientar clientes diante de contextos cada vez mais complexos", conclui o executivo.