Especialista explica como a falta de integração entre sistemas atrapalha a logística e mostra três tendências para os próximos cinco anos: inteligência preditiva, automação física e agentes de IA.
Enquanto muitas empresas falam sobre inteligência artificial, um problema mais simples ainda atrapalha a produtividade na logística: as tecnologias não se comunicam entre si.
Para entender o tamanho do problema, o Brasil terminou 2025 com custos logísticos de 15,5% do PIB, ou R$ 1,96 trilhão, de acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Gastos com transporte, estoque e armazenamento pesam muito na competitividade.
- Os custos logísticos no Brasil somam 15,5% do PIB.
- A falta de integração entre sistemas é um dos maiores gargalos.
- IA preditiva, automação e agentes de IA são as três tendências.
- Integrar dados é mais importante do que ter mais tecnologia.
- Empresas que integrarem sistemas estarão na frente.
Tecnologia sozinha não resolve problemas antigos de infraestrutura ou transporte. Mas dentro das empresas, temos mais controle sobre algo: usar a quantidade enorme de dados para tomar decisões melhores e mais rápidas. Muitas organizações já têm sistemas como ERP, WMS, TMS, rastreamento, sensores e e-commerce, mas quase todas não conseguem integrar tudo isso. É aí que está a maior chance de transformação da logística nos próximos cinco anos.
Três movimentos devem ganhar força
A primeira é unir dados em tempo real com inteligência preditiva. Sistemas que acompanham estoque, pedidos e transporte podem prever problemas antes que aconteçam. Isso evita falta de produtos, atrasos e outros erros.
A segunda é automatizar os centros de distribuição. Robôs e sistemas automáticos podem fazer tarefas repetitivas, aumentando a produtividade. Mas de nada adianta ter máquinas sem integrá-las ao resto. A automação só funciona se os sistemas estiverem conectados.
A terceira, e mais ousada, é o uso de agentes de inteligência artificial. Esses sistemas não só mostram dados, mas também agem sozinhos, dentro de regras definidas. Se um atraso acontece, o sistema pode descobrir o problema, ver opções, mudar rotas e atualizar outras partes da operação. Isso muda o papel da IA, que passa a tomar decisões.
Porém, é importante lembrar: a empresa que usa muita tecnologia sem uma boa integração pode acabar complicando tudo. Por isso, acredito que nos próximos cinco anos o foco não será a próxima novidade, mas sim conectar o que já temos, organizar dados e tomar decisões de forma inteligente.
Empresas que integrarem seus sistemas poderão usar melhor a IA, a automação e até novas tecnologias. No fim, a grande transformação vem quando máquinas, pessoas e dados trabalham juntos.
E isso já está acontecendo.

Rodolfo Cassorillo


