11 de agosto de 2026

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Inteligência artificial só dá resultado quando a gestão funciona

Tecnologia Gestão 11/08/2026 14:36 Carolina Lara - Lara Comunicação

Processos bem definidos, liderança preparada e equipes capacitadas determinam se o investimento em tecnologia será convertido em produtividade e crescimento. Especialista explica como a IA acelera o caos em empresas desorganizadas e mostra o caminho para preparar a operação.

Os investimentos em inteligência artificial seguem em expansão no Brasil e no mundo, impulsionando projetos de automação, atendimento e ganho de produtividade. Segundo a consultoria McKinsey, 78% das empresas globais já utilizam IA em pelo menos uma função do negócio, enquanto o relatório AI in Action 2026, da Boston Consulting Group (BCG), mostra que apenas uma parcela reduzida consegue transformar esses investimentos em resultados consistentes. Para especialistas, a principal razão está menos na tecnologia e mais na forma como as empresas estão estruturadas para utilizá-la.

  • 78% das empresas do mundo já usam inteligência artificial em alguma área.
  • Menos de 1 em cada 10 empresas consegue ter bons resultados com IA.
  • O problema não é a tecnologia, mas a falta de processos organizados.
  • IA acelera o caos em empresas com gestão confusa.
  • Empresas que preparam a operação têm mais retorno com a tecnologia.

Anderson Silva, advogado, professor e empreendedor, fundador da A2 Paralegal, empresa especializada em operações jurídicas empresariais e desenvolvimento de pessoas, afirma que a inteligência artificial potencializa organizações preparadas, mas não corrige falhas de gestão. "Existe uma expectativa de que a IA vá organizar aquilo que nunca foi organizado. Na prática, ela apenas acelera o que já existe. Se os processos são confusos, a comunicação é falha e a liderança não consegue direcionar as equipes, esses problemas passam a acontecer em uma velocidade ainda maior", afirma.

O diagnóstico é reforçado pela própria BCG. O estudo aponta que empresas que obtêm maior retorno financeiro com inteligência artificial investem simultaneamente em revisão de processos, governança, capacitação das equipes e adaptação da cultura organizacional. Em outras palavras, a tecnologia gera mais valor quando encontra uma empresa preparada para incorporá-la ao dia a dia.

Por que muitas empresas falham com IA

Na avaliação do executivo, um dos erros mais frequentes é iniciar projetos de inteligência artificial antes mesmo de organizar a operação. Muitas empresas buscam automatizar atividades que sequer possuem fluxo definido, indicadores claros ou responsáveis estabelecidos. "A IA depende de informações organizadas, padrões e critérios. Se cada colaborador executar uma tarefa de um jeito diferente, a tecnologia não consegue entregar consistência. Antes de escolher qualquer ferramenta, a empresa precisa entender se seus processos fazem sentido", explica.

Outro desafio está na liderança. À medida que as atividades operacionais passam a ser automatizadas, cresce a importância da capacidade de gestão, comunicação, tomada de decisão e desenvolvimento das equipes. Para Anderson Silva, essa mudança mostra que o diferencial competitivo deixa de estar apenas na tecnologia e passa a depender das pessoas que conduzem a transformação. "As empresas não precisam apenas de profissionais que saibam usar inteligência artificial. Precisam de líderes capazes de tomar melhores decisões, organizar a operação e fazer com que a tecnologia trabalhe a favor do negócio", diz.

Na prática, isso significa que projetos de inteligência artificial devem começar muito antes da contratação de plataformas ou softwares. Mapear processos, eliminar retrabalho, padronizar rotinas, definir responsabilidades e investir no desenvolvimento das lideranças cria uma base sólida para que a tecnologia realmente aumente a produtividade, reduza custos e melhore a experiência dos clientes.

Como preparar a empresa para a IA

Para empresários que ainda enxergam a IA como solução para problemas internos, Anderson Silva recomenda inverter a lógica. Em vez de perguntar qual ferramenta comprar, vale primeiro identificar onde estão os gargalos da operação, quais atividades geram desperdício e quais processos precisam ser simplificados. "Quando a empresa organiza a casa, qualquer tecnologia passa a gerar muito mais resultado. A inteligência artificial é um acelerador, não um ponto de partida. Quem entende isso consegue crescer com mais eficiência, enquanto quem tenta usar a tecnologia para esconder problemas internos apenas torna esses problemas mais caros e mais difíceis de resolver", conclui.

Na avaliação de Anderson Silva, alguns ajustes operacionais costumam determinar o sucesso de qualquer projeto de inteligência artificial. O primeiro deles é mapear as atividades que realmente agregam valor ao negócio e eliminar etapas redundantes antes de automatizá-las. "Muitas empresas tentam acelerar processos que já nasceram ineficientes. A tecnologia não reduz desperdícios que continuam fazendo parte da rotina", afirma.

Outro ponto é padronizar a execução das atividades. Quando cada colaborador realiza o mesmo trabalho de uma forma diferente, a empresa perde previsibilidade e dificulta a utilização da inteligência artificial em tarefas repetitivas. Para o executivo, estabelecer fluxos claros e responsabilidades definidas cria um ambiente mais favorável para a automação.

Também é fundamental revisar a qualidade das informações utilizadas pela empresa. Cadastros duplicados, documentos desatualizados e dados espalhados em diferentes sistemas comprometem tanto a análise quanto a capacidade de resposta das ferramentas de IA. "A inteligência artificial depende de informação confiável. Se a base está desorganizada, a tendência é produzir respostas igualmente inconsistentes", diz.

Por fim, Anderson recomenda que a adoção da tecnologia comece por processos já estruturados e mensuráveis, onde seja possível comparar indicadores antes e depois da implementação. "As empresas que obtêm melhores resultados não começam pelos projetos mais complexos. Elas escolhem uma operação estável, validam os ganhos e só então ampliam o uso da inteligência artificial para outras áreas."