06 de agosto de 2026

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Proteção de dados exige união entre tecnologia e negócio

Tecnologia Governança 06/08/2026 11:58 Rodrigo Costa, CTO & Head de Digital Business da Kron Digital

Especialista explica como a governança compartilhada entre as áreas de tecnologia e negócio é fundamental para proteger dados e usar inteligência artificial com segurança nas empresas, garantindo que a inovação não traga riscos desnecessários.

A proteção de dados começa na gestão do negócio

O avanço acelerado da inteligência artificial dentro das empresas mudou profundamente os requisitos de segurança corporativa. Agora, a proteção de dados passou a fazer parte diretamente das decisões do negócio. Com ferramentas capazes de cruzar relatórios, revisar contratos e processar grandes volumes de informações em tempo real, reduzir riscos depende de uma governança que acompanhe essa nova realidade. O desafio está em conhecer o valor dos dados, definir regras claras para seu uso e estabelecer critérios compatíveis com os riscos envolvidos em cada operação.

  • A inteligência artificial já é usada em 88% das empresas, segundo a McKinsey, mas apenas 39% veem ganhos financeiros claros.
  • Governança compartilhada significa que área técnica e lideranças de negócio dividem responsabilidades pela proteção de dados.
  • Sem regras claras, dados sensíveis como relatórios financeiros podem acabar expostos em plataformas externas sem querer.
  • A tecnologia cuida da infraestrutura e do controle de acesso, enquanto o negócio define o que é confidencial e como usar.
  • Organizar os dados desde o início reduz riscos, facilita auditorias e evita problemas depois que as informações já circulam.

Embora a proteção de dados já faça parte das decisões de negócio, muitas empresas ainda concentram essa responsabilidade em um único departamento. Com a inteligência artificial incorporada à rotina de diferentes setores, esse modelo se mostra limitado. O contexto, a criticidade e os impactos de uma exposição dependem de quem produz e usa essas informações na operação. Por isso, a governança deve definir claramente o papel de cada área, exigindo uma divisão mais clara de responsabilidades entre a gestão técnica e as lideranças de negócio.

A tecnologia permanece responsável pela proteção da infraestrutura, implementação dos mecanismos de segurança e controle de acessos. Cabe às lideranças definir o valor das informações, o nível de confidencialidade e os limites para seu uso. A atuação conjunta permite estabelecer políticas de governança compatíveis com o ritmo da inovação, sem comprometer a segurança dos dados.

Governança que funciona na prática

Na rotina das empresas, soluções avançadas de segurança perdem força quando a organização ainda não tem clareza sobre o valor dos dados que produz, o nível de proteção exigido e os limites para seu uso. A arquitetura, aprovação de sistemas e monitoramento preventivo continuam sob responsabilidade da área técnica, mas a identificação do que representa maior risco também depende de quem usa essas informações na operação.

Sem essa definição, políticas de governança ficam distantes da rotina corporativa. Relatórios financeiros, planilhas estratégicas, contratos ou bases internas podem ser inseridos em plataformas externas para acelerar processos, gerando exposição indevida mesmo sem intenção de causar prejuízo. Nesses casos, o problema não está apenas na ferramenta utilizada, mas na ausência de orientação objetiva sobre o que pode ser compartilhado e em quais condições.

A definição desses controles precisa fazer parte do projeto desde o início. Isso inclui estabelecer permissões de acesso, registrar a utilização das bases corporativas, proteger conteúdos sensíveis e garantir que cada área visualize apenas as informações compatíveis com suas atribuições. A inclusão dessas medidas desde o planejamento reduz vulnerabilidades, facilita auditorias e evita ajustes depois que os dados já começaram a circular.

Inovação exige limites claros

A inteligência artificial gera resultados consistentes quando produtividade e segurança evoluem na mesma direção. Com a ampliação da capacidade de consultar documentos, cruzar bases e apoiar decisões, cresce o cuidado com permissões de acesso, regras de compartilhamento e critérios para uso dos dados. O equilíbrio depende de ambientes autorizados, critérios claros de acesso e orientações para o uso responsável da IA.

A organização técnica dos dados começa pelo conhecimento das informações que a empresa possui. É preciso identificar os conteúdos que sustentam processos críticos, assegurar sua qualidade, controlar acessos e acompanhar seu uso. Com essa base organizada, a inteligência artificial passa a operar sobre informações mais confiáveis, reduzindo riscos e ampliando sua capacidade de gerar resultados.

A proteção dos dados também depende da forma como a organização incorpora a inteligência artificial à rotina de trabalho. O equilíbrio entre produtividade e segurança está na criação de ambientes autorizados, políticas de governança, critérios de acesso e orientações objetivas para o uso responsável da IA. Com esse conjunto de práticas, a empresa consegue aproveitar os ganhos da tecnologia sem ampliar os riscos para o negócio.