28 de julho de 2026

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IA avança para conectar dispositivos e tomar decisões sozinha

Tecnologia IA 28/07/2026 08:08 Celso Camilo, Doutor em Inteligência Artificial e professor da Universidade Federal de Goiás

A inteligência artificial está evoluindo para assumir tarefas do dia a dia, como acessar mensagens, documentos e compras, tornando a vida mais prática. Porém, essa conveniência traz riscos para a privacidade e o controle das decisões, exigindo regras claras para evitar erros e garantir segurança.

A conveniência aumenta quando assistentes passam a acessar mensagens, documentos, compras e compromissos, mas também crescem os riscos sobre privacidade, autonomia e controle das decisões.

  • Assistentes de IA podem substituir aplicativos, tornando o uso do celular mais simples e rápido.
  • Em vez de abrir vários programas, o usuário pode apenas falar o que quer e a IA faz o resto.
  • Esse avanço permite que a IA acesse mensagens, compromissos, documentos e até realize compras sozinha.
  • Qualquer erro da IA pode causar problemas sérios, como gastos indevidos ou vazamento de dados.
  • O maior desafio é equilibrar a praticidade com a segurança e o controle do usuário sobre suas próprias informações.

O fim dos aplicativos é uma expressão provocativa, mas o que está realmente em curso é uma mudança na forma como as pessoas acessam os serviços digitais. Em vez de abrir diferentes programas, preencher campos e repetir comandos, o usuário poderá simplesmente informar o que deseja, enquanto a inteligência artificial coordena as etapas necessárias. Os aplicativos e as páginas de internet provavelmente não desaparecerão no curto prazo, mas poderão deixar de ocupar o centro da experiência e passar a funcionar como uma infraestrutura quase invisível por trás dos assistentes inteligentes. Essa mudança representa um avanço importante, mas também eleva consideravelmente a responsabilidade dos sistemas. Uma inteligência artificial que apenas responde a uma pergunta tem um alcance limitado. Quando ela, por meio de agentes inteligentes, passa a consultar mensagens, interpretar compromissos, acessar documentos, realizar compras ou compartilhar informações entre dispositivos, qualquer erro pode produzir consequências concretas. Por isso, a evolução da IA agêntica e proativa depende não apenas de modelos mais eficientes, mas de regras claras sobre permissões, rastreabilidade, segurança, possibilidade de revisão e responsabilidade pelas decisões tomadas. O principal desafio será conciliar conveniência com autonomia e segurança. Quanto mais o smartphone antecipar escolhas e organizar silenciosamente a rotina, maior será o risco do usuário não compreender quais dados foram utilizados ou porque determinada ação foi sugerida. A tecnologia é requisitada pela sociedade para reduzir o esforço das tarefas e aumentar a produtividade, mas espera-se que as pessoas não sejam observadoras acéfalas das decisões da máquina. O melhor sistema não será aquele que faz tudo sozinho para todas as tarefas e processos possíveis, mas aquele que compreende o contexto, explica suas ações necessárias e devolve ao usuário o controle final para intervenções conscientes, afirma Celso Camilo, Doutor em Inteligência Artificial e professor da Universidade Federal de Goiás.