23 de julho de 2026

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Agentes de IA revolucionam bancos, mas expõem um problema antigo de dados

Tecnologia Bancos 23/07/2026 09:46 Gustavo Mataveli, executivo de contas para o mercado financeiro da HVAR

A inteligência artificial está mudando o setor financeiro, mas muitos bancos enfrentam dificuldades porque seus dados ainda estão bagunçados e desatualizados. Este artigo explica por que a qualidade dos dados é tão importante quanto a tecnologia para o sucesso da IA nos bancos.

Por muitos anos, os bancos achavam que estavam modernos quando conseguiam automatizar tarefas repetitivas. Primeiro vieram os robôs de software, depois os chatbots e agora os Agentes de IA. Esses novos sistemas são mais inteligentes: eles entendem o contexto, juntam informações, fazem tarefas complicadas e ajudam a tomar decisões em tempo real. A mudança é enorme. O problema é que a maioria das instituições financeiras ainda tenta usar essa inteligência em cima de uma estrutura de dados antiga, que foi criada para uma época diferente. A corrida pela IA não é mais sobre ter o modelo mais sofisticado. Hoje, o que realmente importa é a qualidade, a organização e o controle dos dados que alimentam esses modelos.

O entusiasmo com a IA faz sentido. Segundo a consultoria McKinsey & Company, empresas que conseguem colocar a IA para funcionar em grande escala têm um crescimento de receita duas a três vezes maior do que as que ficam só fazendo testes. Ao mesmo tempo, a Gartner avisa que, até 2026, 80% das organizações que querem expandir seus negócios digitais vão fracassar justamente por não terem uma estrutura moderna de dados e uma estratégia clara de governança. Não é à toa que conceitos como Data Lakehouse, que é uma forma de organizar todos os dados em um só lugar, deixaram de ser assunto só de tecnologia e passaram a ser discutidos nos conselhos das empresas. Sem uma base única, organizada e confiável, qualquer Agente de IA vai tomar decisões com informações picadas, desatualizadas ou contraditórias.

  • O que são Agentes de IA São programas que entendem o contexto, cruzam dados e tomam decisões complexas, como um assistente inteligente que trabalha 24 horas por dia.
  • Por que os dados são importantes Se a IA for alimentada com informações erradas ou desatualizadas, ela vai tomar decisões erradas, como aprovar um empréstimo para quem não pode pagar.
  • O que é um Data Lakehouse É uma forma de juntar todos os dados da empresa em um só lugar, organizados e limpos, para que a IA possa usá-los de forma confiável.
  • O que os reguladores estão fazendo Nos Estados Unidos, os órgãos que fiscalizam os bancos estão apertando o cerco. Eles querem saber como a IA toma decisões e se há controle humano sobre ela.
  • Qual é o maior risco Usar IA com dados bagunçados pode gerar multas, prejuízos e danos à reputação do banco, além de decisões injustas para os clientes.

Os riscos dessa escolha já aparecem na prática. Em junho deste ano, os reguladores bancários dos Estados Unidos aumentaram a fiscalização sobre o uso de inteligência artificial pelos bancos. Eles estão cobrando explicações sobre como os dados são controlados, se há qualidade nas informações, se existe supervisão de pessoas e quais mecanismos de controle são usados em áreas como crédito, prevenção à lavagem de dinheiro e monitoramento de riscos. A mensagem é clara: o mercado regulador não está preocupado apenas com o que a IA faz, mas principalmente com a forma como ela chega às suas conclusões.

Adiar o uso de Agentes de IA até que todos os sistemas estejam modernizados também não parece uma boa ideia. Projetos de modernização completa costumam ser demorados, caros e não acompanham a velocidade que o mercado financeiro exige hoje. A saída, portanto, não está em escolher entre inovar rápido ou organizar a governança. O caminho certo é fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A governança precisa nascer junto com a aplicação, definindo desde o início quais dados podem ser usados, como as decisões serão rastreadas, onde haverá supervisão humana e quais controles vão impedir resultados errados ou que não sigam as regras da instituição. Segundo a Gartner, iniciativas apoiadas em transparência, segurança e gestão de riscos em IA podem alcançar uma adoção até 50% maior nos objetivos de negócio até 2026. Esse dado reforça um ponto importante: governança não é um freio para a inovação, mas uma condição para que ela avance além dos testes e seja incorporada de verdade ao dia a dia.

Essa discussão fica ainda mais importante em um ambiente marcado pelo Open Finance, pelo Pix e pelo aumento da circulação de dados financeiros entre diferentes instituições. Quanto maior o volume de informações compartilhadas, maior também a responsabilidade sobre sua qualidade, integridade e rastreabilidade. Os Agentes de IA tendem a se tornar protagonistas em áreas como concessão de crédito, prevenção a fraudes, personalização de produtos e gestão de riscos. Se forem alimentados por dados inconsistentes ou por estruturas que não garantem transparência, o ganho operacional rapidamente se transforma em um problema regulatório, de reputação e financeiro.

O setor financeiro vive um momento parecido com o das grandes transformações tecnológicas das últimas décadas. As instituições que enxergarem os Agentes de IA apenas como uma ferramenta para aumentar a produtividade provavelmente terão resultados limitados. As que entenderem que a inteligência artificial depende, antes de tudo, de uma base sólida de dados e de governança, estarão construindo uma vantagem competitiva muito mais difícil de copiar. Afinal, no mercado financeiro, confiança continua sendo o ativo mais valioso e, na era da IA, ela começa muito antes do algoritmo.