Com a aproximação das eleições, vídeos e áudios falsos criados por inteligência artificial estão se espalhando rapidamente. Um especialista dá dicas simples para identificar esses conteúdos e não cair em golpes de desinformação.
Com a chegada das eleições e o avanço da inteligência artificial, está cada vez mais comum encontrar vídeos, áudios e imagens falsos circulando na internet. Esses conteúdos, chamados de deepfakes, são feitos para parecerem reais e podem enganar muitas pessoas.
Marcones Cleber Brito da Silva, que é coordenador do curso de Engenharia da Computação e professor de Inteligência Artificial da Faculdade Engenheiro Salvador Arena, explica que o problema não é novo, mas ficou muito maior com a facilidade de usar essas ferramentas. Ele dá dicas importantes para ajudar qualquer pessoa a identificar o que é verdadeiro ou falso.
- Deepfakes são vídeos e áudios falsos que imitam pessoas reais com muita perfeição.
- Eles são criados para causar choque e fazer você compartilhar sem pensar.
- Pequenos erros, como piscadas estranhas ou som fora do ritmo, podem denunciar a falsificação.
- Sempre desconfie de conteúdos muito emocionantes ou que pedem para serem compartilhados com urgência.
- A própria inteligência artificial também pode ser usada para detectar essas fraudes.
O especialista conta que a inteligência artificial consegue criar imagens e vídeos muito realistas em poucos minutos. Muitas vezes, esses conteúdos são feitos de propósito para provocar reações fortes, como raiva ou medo, fazendo com que a pessoa compartilhe antes de pensar. Por isso, é importante ter calma e verificar a informação antes de repassar.
Marcones também explica que, mesmo com toda a tecnologia, ainda existem sinais que ajudam a identificar uma falsificação. Observar detalhes como movimentos estranhos no rosto, áudio fora do sincronia ou imagens muito perfeitas são algumas dicas. Além disso, é essencial checar a origem da informação e buscar fontes confiáveis.
Como identificar conteúdos falsos
Desconfie de conteúdos muito apelativos
Postagens que causam choque ou raiva imediata são feitas para fazer você compartilhar sem pensar. Fique atento a frases como "a mídia não quer que você veja isso" ou "compartilhe antes que apaguem".
Observe movimentos e expressões faciais
Em vídeos falsos, podem ocorrer erros como piscadas estranhas, lábios fora do sincronia ou sombras e iluminação que não combinam.
Analise o áudio com atenção
Vozes clonadas por IA podem soar robóticas, com pausas estranhas ou sem respiração natural.
Verifique a origem da informação
Conteúdos sem autor ou sem fonte confiável merecem cuidado. Sempre busque confirmação em sites oficiais ou jornais conhecidos.
Pesquise se a imagem já circulou antes
Ferramentas de busca reversa ajudam a descobrir se uma foto antiga está sendo usada com uma história falsa.
Cuidado com cortes fora de contexto
Vídeos editados podem mudar o sentido de uma fala. Prefira ver o conteúdo completo.
Observe erros visuais sutis
Imagens geradas por IA podem ter mãos deformadas, textos ilegíveis ou objetos com bordas estranhas.
Desconfie do excesso de perfeição
Fotos reais têm pequenas imperfeições. Imagens muito limpas e simétricas podem ser artificiais.
O professor destaca que a própria inteligência artificial também pode ajudar a combater a desinformação. Existem ferramentas automáticas que detectam deepfakes e sistemas que verificam a autenticidade de imagens. "O problema não é a tecnologia, mas o uso irresponsável dela. A educação digital e o pensamento crítico serão cada vez mais importantes", afirma.
Na Faculdade Engenheiro Salvador Arena, os alunos de Engenharia da Computação aprendem sobre ética e responsabilidade no uso da inteligência artificial. O objetivo é formar profissionais que saibam usar a tecnologia de forma correta e também identificar seus riscos, como fraudes e desinformação.

Especialista alerta sobre deepfakes em eleições


