O gerente geral da Fluke Brasil, Ricardo Mendes, explica em um artigo para o CNN Infra como o crescimento dos data centers está mudando o mercado de energia renovável e ajudando a criar novas tecnologias.
De acordo com um comunicado recente da AIE (Agência Internacional de Energia), o consumo de energia dos data centers em todo o mundo deve dobrar até 2030. Só entre 2025 e 2026, a demanda dessas estruturas por eletricidade já cresceu 17%, enquanto o consumo global aumentou quatro vezes menos. A agência diz que, embora a expansão da Inteligência Artificial (IA) tenha aumentado essa demanda, ela também tem incentivado investimentos em fontes renováveis, especialmente nos setores de energia solar e eólica.
Uma das estratégias mais usadas é a instalação de sistemas de painéis solares nos próprios data centers para ajudar no fornecimento de energia. Como essa geração geralmente não é suficiente para atender ao consumo, as empresas fazem os Acordos de Compra de Energia (PPA) com usinas de terceiros. Segundo a AIE, os data centers foram responsáveis por 40% dos contratos globais de PPAs de energia renovável fechados em 2025.
- O consumo de energia dos data centers pode dobrar até 2030, crescendo 17% só entre 2025 e 2026.
- Os data centers já representam 40% dos contratos globais de compra de energia renovável (PPAs) fechados em 2025.
- Empresas como Meta e Amazon Web Services (AWS) já operam seus data centers com 100% de energia renovável.
- O Brasil tem 83,5% de todo o potencial de energia solar instalado na América Latina e no Caribe.
- Uma usina em Pernambuco consegue fornecer energia solar contínua por até 17 horas, um recorde no Brasil.
Como os data centers funcionam com cargas muito importantes e não podem parar ou ter oscilações no fornecimento de energia, eles passaram a exigir níveis cada vez maiores de confiabilidade das fontes renováveis. Isso está fazendo com que avancem a qualidade da transmissão, os sistemas de armazenamento em baterias e a previsibilidade da geração de energia, fatores essenciais para manter operações que precisam estar sempre disponíveis.
Tendência das grandes empresas de tecnologia
Entre as empresas que mais investem em energia sustentável para seus data centers está a Meta, que tem 31 unidades espalhadas pelo mundo. Desde 2020, a empresa afirma que opera essas estruturas com 100% de eletricidade de fontes renováveis, seja por geração própria ou por meio de PPAs.
Para conseguir isso, a empresa passou a investir, em parceria com desenvolvedores globais, na construção de usinas dedicadas ao fornecimento de energia por contratos de longo prazo. Entre os principais projetos estão usinas em Singapura, Irlanda e Novo México (EUA), que juntos somam 530 MW de capacidade instalada em energia solar.
Outro exemplo é a Amazon Web Services (AWS), que diz operar com 100% de energia renovável desde 2023, principalmente por meio de PPAs. De acordo com seu relatório mais recente de sustentabilidade, em 2025 a empresa alcançou 337 projetos de geração de energia solar nos telhados de seus data centers, somando uma capacidade total de 42 MW, além de outras 264 usinas parceiras.
O caminho até 2030
Uma pesquisa feita pela Fluke Brasil com a consultoria Frost & Sullivan mostrou que 20% das paradas em data centers geram prejuízos maiores que US$ 1 milhão. Isso ajuda a explicar o aumento dos investimentos em fontes de energia renovável, especialmente a solar, como forma de aumentar a segurança do fornecimento de energia elétrica.
O estudo também mostra que os investimentos anuais em soluções de teste e medição para data centers devem crescer de US$ 8,6 milhões para US$ 15,7 milhões até 2030. No mesmo período, os recursos para a manutenção das usinas solares devem passar de US$ 18,6 milhões para US$ 39,1 milhões. Essa tendência reflete a necessidade de aumentar a confiabilidade tanto das usinas de geração quanto da infraestrutura que abastece os data centers.
Caminhos para a inovação
A crescente demanda dos data centers também está acelerando o desenvolvimento de novas tecnologias para geração e armazenamento de energia sustentável. Recentemente, uma usina em Pernambuco passou a operar com uma tecnologia de energia solar de longa duração, capaz de fornecer eletricidade contínua por até 17 horas, um marco no mercado brasileiro de energia solar.
No cenário internacional, o Brasil reafirma sua posição como potência na geração de energia solar. De acordo com um levantamento da Onred, consultoria latino-americana focada em transição energética, o Brasil concentra 83,5% do potencial de energia solar instalado na América Latina e no Caribe, mostrando que o país tem um terreno fértil para o desenvolvimento dessa tecnologia.
Apesar desse avanço, o setor ainda enfrenta desafios importantes, já que grande parte da capacidade instalada está concentrada na geração distribuída, voltada para residências e comércios, enquanto 75% das células solares usadas no país são importadas da China e do Sudeste Asiático. A expectativa é que o crescimento dos data centers estimule novos investimentos em infraestrutura, armazenamento e produção de energia renovável em grande escala.
Apesar de representarem um dilema ambiental importante, especialmente por causa do consumo de outros recursos naturais, como a água, os data centers estão testando o mercado de energia sustentável com metas inéditas. Por sua vez, o desenvolvimento de tecnologias para atender às demandas da IA também está mudando as grandes empresas de tecnologia, com ambos os lados se pressionando para alcançar modelos mais eficientes e com menos impacto.

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