15 de julho de 2026

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Cientistas criam 'impressão digital' para identificar carne em 20 minutos

Tecnologia Carne 15/07/2026 14:20 Thauana Luares primeirapagina.com.br

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tecnologia que funciona como uma 'impressão digital' da carne, capaz de identificar a espécie e a raça do animal em apenas 20 minutos, mesmo depois de a carne ser congelada ou frita. O método promete combater fraudes e garantir a qualidade do produto.

Imagine descobrir a origem de um pedaço de carne em poucos minutos, mesmo depois de ele ter sido congelado ou até frito. O que parece coisa de filme futurista já é realidade graças a uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros, que cria uma espécie de 'impressão digital molecular' da carne.

  • A nova técnica pode identificar o tipo de carne (bovina, suína, de frango ou tilápia) em apenas 20 minutos.
  • Ela funciona como uma impressão digital, analisando as proteínas únicas de cada animal.
  • A tecnologia consegue até diferenciar raças de gado, como Nelore e Angus.
  • O método funciona mesmo depois que a carne é cozida, congelada ou frita.
  • A pesquisa é brasileira, feita pela Embrapa, UFMS e Unesp.

A inovação foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). O método utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF para identificar diferentes tipos de carne em apenas 20 minutos.

A técnica consegue diferenciar diversos tipos de proteínas animal, entre eles de:

  • Bovinos;
  • Suínos;
  • Frangos;
  • Tilápias.

Além disso, a nova tecnologia identifica raças bovinas distintas, como Nelore e Angus, um diferencial que pode fortalecer a certificação de produtos premium e agregar valor ao mercado.

Segredo está nas proteínas

Durante a análise, os pesquisadores geram perfis de massa que funcionam como uma assinatura única para cada espécie ou raça animal. Como uma impressão digital humana, não existem dois perfis exatamente iguais.

O pesquisador da Embrapa Newton Verbisck, líder do estudo, explica: 'Foi possível construir um banco de dados com perfis de massa das proteínas de diferentes carnes para avaliar a qualidade dos produtos e auxiliar em ações de fiscalização'.

Carne digital combate fraudes

A descoberta representa um avanço importante no combate a fraudes alimentares. Atualmente, a confirmação da origem de uma carne costuma depender de análises genéticas, que são mais demoradas e custosas.

Segundo os pesquisadores, o novo protocolo mantém alta precisão com um processo muito mais rápido e econômico.

Além de contribuir para a certificação de produtos nobres, a tecnologia pode ser utilizada em:

  • Inspeções sanitárias;
  • Programas de rastreabilidade;
  • Controle de qualidade industrial;
  • Identificação de adulterações em derivados cárneos.

Agora sei o que estou comendo

Outro diferencial que chama a atenção é a capacidade de identificar corretamente as carnes mesmo após processos que alteram o produto, como congelamento e fritura.

É a primeira vez que pesquisadores brasileiros utilizam a espectrometria de massas para essa finalidade em diferentes espécies animais.

Por enquanto, a tecnologia é operada apenas na Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul. No entanto, o banco de dados criado pelos pesquisadores poderá ser ampliado futuramente para incluir outros tipos de proteínas disponíveis no mercado.

A expectativa é que a chamada 'carne digital', identificada por sua assinatura molecular, se torne uma aliada importante na transparência do setor e na proteção do consumidor.