14 de julho de 2026

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Inteligência artificial gera novas dúvidas sobre quem é dono do conteúdo digital

Tecnologia Regulamentação 14/07/2026 14:46 Fernanda Marinela (Associação Brasileira de Infoprodutores - ABIP)

A inteligência artificial está mudando a economia digital, mas a falta de regras claras sobre direitos autorais e responsabilidade está criando insegurança para quem produz conteúdo online. Saiba como isso afeta cursos, mentorias e negócios digitais.

A popularização da inteligência artificial está criando um novo desafio jurídico para empresas, especialistas e produtores de conteúdo. Questões sobre autoria, responsabilidade civil, direitos autorais, propriedade intelectual e proteção ao consumidor estão cada vez mais presentes nas discussões sobre economia digital, especialmente porque ferramentas de IA generativa já fazem parte da rotina de cursos online, mentorias e negócios baseados no conhecimento. Sem regras claras, cresce a insegurança para um setor que movimenta milhares de negócios no país.

O assunto ganhou força à medida que governos, tribunais e órgãos reguladores avançam na discussão sobre os limites da inteligência artificial. Nesse contexto, a Associação Brasileira de Infoprodutores (ABIP), primeira entidade criada para representar o mercado brasileiro de infoprodutos e negócios digitais, defende que a regulamentação acompanhe a velocidade da inovação. À frente da entidade está a advogada, professora de Direito Administrativo e presidente da ABIP, Fernanda Marinela, que avalia que a construção de regras claras será decisiva para garantir previsibilidade aos negócios digitais.

  • A inteligência artificial pode gerar conteúdo protegido por direitos autorais, mas ainda não está claro quem é o dono desse material.
  • Ferramentas de IA podem reproduzir informações incorretas ou copiar trabalhos de terceiros, o que levanta dúvidas sobre quem deve ser responsabilizado.
  • O uso de obras para treinar modelos de IA já virou briga na Justiça em vários países, inclusive no Brasil.
  • O Projeto de Lei 2.338, que está em tramitação, quer criar regras para o uso da IA, incluindo transparência e proteção de direitos.
  • Especialistas afirmam que a falta de regras claras pode prejudicar a inovação e a segurança de quem trabalha com conteúdo digital.

"A inteligência artificial representa uma transformação importante para a economia digital, mas a inovação precisa caminhar ao lado da segurança jurídica. Hoje, produtores digitais e empresas convivem com dúvidas sobre autoria, responsabilidade por danos e uso de conteúdos protegidos. Quanto maior a adoção dessas ferramentas, maior será a necessidade de regras claras", afirma a advogada.

Inteligência artificial exige novas respostas para direitos autorais e responsabilidade civil

O principal impasse jurídico está em definir quem responde quando ferramentas de inteligência artificial reproduzem conteúdos protegidos, geram informações incorretas ou produzem materiais semelhantes aos de terceiros. A discussão também envolve o uso de obras para treinamento de modelos de IA, tema que já motivou disputas judiciais em diferentes países.

Segundo a presidente da ABIP, a inteligência artificial alterou a dinâmica das relações jurídicas ao incluir novos agentes na produção e distribuição de conteúdo.

"Durante muitos anos as relações jurídicas envolviam apenas quem produzia e quem consumia determinado conteúdo. Com a inteligência artificial, plataformas, desenvolvedores e usuários passam a compartilhar responsabilidades, exigindo uma atualização da interpretação jurídica sobre autoria, responsabilidade civil e propriedade intelectual", avalia.

O debate também avança no Brasil com a tramitação do Projeto de Lei nº 2.338, que busca estabelecer regras para o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial, incluindo princípios relacionados à transparência, responsabilização e proteção de direitos fundamentais.

Para Fernanda Marinela, esse movimento demonstra que a regulamentação da inteligência artificial deixou de ser uma discussão exclusivamente tecnológica para se tornar um tema estratégico para a economia digital.

"A regulamentação da inteligência artificial precisa criar um ambiente de previsibilidade para empresas, produtores de conteúdo e consumidores. Quando há segurança jurídica, a inovação acontece de forma mais responsável e sustentável", observa a professora de Direito Administrativo.

ABIP defende participação do setor na regulamentação da inteligência artificial

Criada para representar institucionalmente produtores de conteúdo, especialistas, educadores digitais e empresas da economia do conhecimento, a Associação Brasileira de Infoprodutores acompanha as discussões sobre inteligência artificial com o objetivo de contribuir para a construção de um ambiente regulatório equilibrado para o setor.

Segundo a advogada, é fundamental que os negócios baseados no conhecimento participem das discussões que definirão as futuras regras para o uso da inteligência artificial.

"A economia digital transformou o conhecimento em um dos principais ativos do país. O papel da ABIP é contribuir para que a regulamentação da inteligência artificial preserve os direitos autorais, proteja o consumidor e ofereça segurança jurídica para quem empreende e investe em negócios digitais", conclui a representante da entidade.