06 de julho de 2026

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Google muda regras para proteger dados de localização nos EUA

Tecnologia Privacidade 06/07/2026 08:30 Eliseu Caetano, Jovem Pan jovempan.com.br

A empresa começou a guardar o histórico de onde os usuários vão diretamente no celular deles, em vez de manter essas informações em seus próprios computadores. Essa mudança foi feita depois de uma decisão importante da Justiça americana.

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que disse que os dados de localização guardados por empresas de tecnologia têm proteção da Constituição, pode não mudar tanta coisa na prática para investigações de crimes. Isso porque o Google já tinha feito mudanças importantes na forma como guarda e compartilha essas informações.

A coluna olhou documentos e comunicados do Google sobre as mudanças que fez nos últimos anos. Viu que boa parte dos dados que antes podiam ser pedidos pelas autoridades americanas não fica mais guardada de forma centralizada nos computadores da empresa.

  • A Suprema Corte dos EUA decidiu que seus dados de localização são protegidos pela Constituição.
  • O Google agora guarda o histórico de onde você vai no seu próprio celular, não mais nos servidores da empresa.
  • Os dados de localização podem mostrar detalhes muito pessoais, como idas ao médico ou a igrejas.
  • Os chamados "mandados geográficos", que pediam informações de todos os celulares em uma área, ficaram mais difíceis de serem usados.
  • Especialistas dizem que essa é uma vitória importante para a privacidade digital.

A discussão ficou mais forte depois que a Suprema Corte decidiu que os dados de localização dos usuários estão protegidos pela Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Essa emenda proíbe o governo de fazer buscas e apreensões que sejam consideradas abusivas.

Especialistas em privacidade digital acham que essa decisão é uma das mais importantes dos últimos anos. Eles explicam que informações sobre para onde você vai podem mostrar detalhes muito pessoais da sua vida, como seus hábitos do dia a dia, visitas a médicos, idas a eventos religiosos, atividades políticas e até com quem você se relaciona.

O que mudou no Google

Em dezembro de 2023, o Google anunciou uma grande mudança no recurso chamado Timeline, que antes era conhecido como Histórico de Localização.

Antes, os registros de onde os usuários iam eram guardados nos servidores do Google. Agora, essas informações passaram a ser salvas diretamente nos aparelhos dos usuários, como celulares e tablets.

O Google disse que o objetivo era dar mais controle e mais privacidade para as pessoas.

Na prática, isso quer dizer que o histórico de onde você vai não fica mais concentrado em grandes bancos de dados da empresa. Ele fica guardado principalmente no seu próprio celular.

Outra mudança importante foi o uso de criptografia de ponta a ponta para os backups opcionais na nuvem. Com esse sistema, só o usuário consegue ver as informações que estão guardadas.

A empresa também diminuiu o tempo padrão que guarda os dados para três meses. Assim, o histórico pode ser apagado automaticamente em um período bem mais curto do que antes.

Essas mudanças atingiram diretamente os chamados "geofence warrants", que são os mandados geográficos.

Esse tipo de ordem judicial permite que os investigadores peçam informações sobre todos os aparelhos que estiveram em um determinado lugar durante um certo período.

Nos últimos anos, essa ferramenta foi usada em investigações de roubos, homicídios, incêndios criminosos e até ataques a prédios públicos.

Pessoas que criticavam essa prática diziam que esses pedidos acabavam coletando informações de pessoas que não tinham nada a ver com os crimes investigados. Isso fazia com que cidadãos comuns virassem alvos involuntários de buscas do governo.

Com a mudança dos dados para os aparelhos dos usuários, especialistas dizem que esse tipo de busca em larga escala ficou muito mais difícil de ser feita.

Desde 2025, o Google não mantém mais grande parte das informações que antes serviam de base para esse modelo de investigação. Isso diminuiu muito a possibilidade de atender a pedidos amplos que envolvem a localização de usuários.

Organizações que defendem as liberdades civis chamaram a decisão da Suprema Corte de uma vitória para a privacidade digital.

Para esses grupos, o julgamento mostra que as garantias da Constituição continuam valendo mesmo com o avanço da tecnologia.

Essa ideia também reforça um movimento que vem acontecendo nos últimos anos na indústria de tecnologia. As empresas estão adotando sistemas que guardam menos dados dos usuários ou que dificultam o acesso de outras pessoas às informações pessoais.

Embora a briga na Justiça sobre os limites dos mandados geográficos ainda deva continuar nos tribunais americanos, especialistas acham que a combinação da decisão da Suprema Corte com as mudanças do Google cria um novo padrão na proteção da privacidade digital nos Estados Unidos.

Mais do que uma conversa sobre tecnologia, esse caso virou um debate sobre até onde o governo pode ir ao usar ferramentas digitais para investigar crimes sem prejudicar direitos fundamentais que estão na Constituição.