Empresas que atuam em regiões afastadas, como agronegócio, mineração e logística, enfrentam dificuldades de conexão com a internet. A tecnologia de satélites de baixa órbita (LEO) surge como uma alternativa rápida e eficiente para levar conectividade a esses locais, permitindo monitoramento remoto, automação e maior produtividade.
Manter operações conectadas em regiões afastadas dos grandes centros sempre foi um desafio para as empresas. Setores importantes para a economia do país, como agronegócio, mineração, logística e energia, muitas vezes trabalham em lugares que não têm cobertura de fibra óptica ou estão longe de redes de celular 4G, LTE e 5G.
- Satélites de baixa órbita (LEO) agora são uma solução estratégica, não apenas emergencial.
- Empresas em áreas remotas podem operar sistemas, monitorar equipamentos em tempo real e usar a Internet das Coisas (IoT).
- A instalação da conectividade por satélite é rápida, levando apenas alguns dias, ao contrário de redes tradicionais que exigem obras demoradas.
- A tecnologia é útil para operações temporárias, como canteiros de obras e projetos sazonais, além de servir como backup em situações de emergência.
- Uma nova lei prorrogou os incentivos fiscais para dispositivos IoT e estações de satélite até 2030, o que deve acelerar ainda mais o uso dessa tecnologia.
Nesse cenário, a conectividade via satélites de baixa órbita (LEO) deixou de ser apenas uma alternativa para emergências e passou a ocupar um papel importante para garantir que as operações não parem.
As constelações de satélites de baixa órbita (LEO) aumentaram muito a capacidade de conectar operações em praticamente qualquer lugar do país. Na prática, isso permite que empresas em regiões remotas consigam: operar sistemas corporativos, monitorar equipamentos em tempo real, usar aplicações de Internet das Coisas (IoT), integrar equipes e operações e manter a comunicação em campo em situações críticas.
Outro benefício é a rapidez na instalação. Diferente das redes tradicionais, que precisam de obras e prazos longos, as soluções por satélite podem ser colocadas em funcionamento em poucos dias. Isso reduz problemas operacionais e acelera projetos em locais onde a conectividade sempre foi um obstáculo.
A flexibilidade também torna a tecnologia importante para operações temporárias, como canteiros de obras, projetos sazonais e situações de emergência e expansão. Isso permite que as empresas tenham conectividade, independência para operar e capacidade de reagir rapidamente a interrupções, mudanças de planos ou eventos inesperados.
Expansão da Internet das Coisas (IoT) fortalece esse movimento
A prorrogação dos incentivos fiscais para dispositivos IoT e estações de satélite de pequeno porte (VSAT) até 2030, aprovada pela Lei nº 15.320/2025, fortalece o ambiente para a digitalização de operações no país.
O avanço da conectividade por satélite tende a acelerar o uso de monitoramento remoto, automação, telemetria e aplicações importantes em regiões antes consideradas inviáveis do ponto de vista tecnológico. Em um cenário cada vez mais distribuído, a conectividade deixou de ser apenas infraestrutura e passou a ser um fator direto de eficiência, produtividade e crescimento.
Segundo um estudo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp) e do Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (SINDISAT), o Brasil pode ter entre 60,43 milhões e 118,4 milhões de dispositivos IoT em operação em 2030. Esse número é muito superior aos 28,83 milhões de dispositivos em funcionamento em 2025.
Solucionando desafios no agro e na mineração
A conexão no agronegócio tem evoluído e, segundo o Indicador de Conectividade Rural (ICR) da ConectarAGRO, a presença de sinal 4G ou 5G passou de 18,7% em 2024 para 33,9% em 2025. Apesar do crescimento, isso também significa que cerca de 67% da área cultivada no Brasil não tem conexão, o que impede o uso de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), agricultura de precisão e plataformas de gestão remota.
Os satélites LEO podem atender as áreas do agronegócio onde não há conexão fixa ou móvel. Isso permite habilitar o IoT e a transmissão e o monitoramento de dados. Dessa forma, os produtores rurais podem monitorar a localização dos animais, o que ajuda a prevenir furtos, acompanhar a saúde do rebanho, o que ajuda na prevenção de doenças, além de fazer a ativação remota de máquinas, câmeras, portões e outros equipamentos.
A tecnologia também pode ser usada para substituir métodos tradicionais de coleta de dados das condições do solo e das culturas, que são mais trabalhosos, imprecisos e não fornecem informações em tempo real. Sensores IoT captam informações sobre a umidade do solo, a temperatura, os níveis de nutrientes e a saúde das culturas em tempo real. Com informações precisas, o produtor rural pode otimizar a irrigação, a fertilização e o controle de pragas, aumentando a produtividade e reduzindo o desperdício.
No caso da mineração, os satélites LEO permitem complementar a estratégia de conexão, que em muitos casos já conta com satélites de órbita geoestacionária. Os satélites LEO podem ser usados para operações que exigem maior transmissão de dados e menor latência, auxiliando na tomada de decisões e na adoção de práticas mais seguras e sustentáveis.
A estratégia com o suporte de satélites em múltiplas órbitas permite às mineradoras receber um fluxo constante de informações das atividades monitoradas por meio de sistemas de IoT, como máquinas, caminhões de transporte, triagem e outros equipamentos usados em processos físicos integrados com o processamento, a transmissão e o armazenamento de informações, gerando mais eficiência e confiabilidade nas operações.
Importância do SLA corporativo
O uso do satélite de baixa órbita não é restrito a operações em áreas remotas. Além de atuar como conexão principal nessas regiões, os satélites podem ser usados como backup, formando arquiteturas híbridas para maior segurança na conectividade.
A digitalização crescente das operações e o avanço de iniciativas de IoT e de automação transformam a conectividade em um elemento central da estratégia de negócios. Nesse contexto, o satélite de baixa órbita é um aliado importante para expandir fronteiras operacionais e garantir competitividade, mesmo nos locais mais remotos.
No entanto, é necessário lembrar que o uso corporativo exige planejamento e é preciso considerar fatores como latência, consumo de dados, disponibilidade de banda e nível de serviço (SLA) na hora de escolher a solução. Apesar de populares, os planos voltados ao mercado doméstico podem não atender às exigências de aplicações importantes dos negócios.

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