12 de junho de 2026

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Estudantes vaiam palestras sobre inteligência artificial em formaturas nos Estados Unidos

Tecnologia 12/06/2026 16:31 Eliseu Caetano jovempan.com.br

Em várias universidades dos Estados Unidos, alunos estão vaiando palestrantes que falam sobre inteligência artificial durante as cerimônias de formatura. Isso acontece porque muitos jovens estão com medo de que a tecnologia roube seus empregos no futuro e não entendem bem como ela funciona.

Cerimônias de formatura em universidades americanas, que antes eram cheias de discursos motivacionais e festa, agora estão tendo um problema diferente: os alunos estão vaiando quando alguém fala sobre inteligência artificial. Em várias escolas, convidados que elogiaram a tecnologia foram recebidos com vaias dos formandos, e esses vídeos estão bombando nas redes sociais.

Os casos aconteceram em universidades de diferentes partes do país. Na Universidade da Flórida Central, a empresária Gloria Caulfield foi vaiada quando chamou a inteligência artificial de "a próxima Revolução Industrial". Na Universidade do Arizona, o ex-chefe do Google Eric Schmidt também levou vaias ao elogiar os criadores da tecnologia. Já na Universidade Estadual do Meio do Tennessee, o executivo da música Scott Borchetta foi vaiado ao falar sobre como a IA está mudando a criação e produção de músicas.

  • Estudantes estão com medo de que a inteligência artificial roube seus empregos no futuro
  • As vaias acontecem porque os jovens não entendem bem como a tecnologia funciona
  • Especialistas dizem que o medo é normal, mas a IA pode ajudar e não substituir as pessoas
  • As tarefas mais chatas e repetitivas é que podem ser feitas por máquinas
  • Quem souber trabalhar junto com a IA vai ter mais chances no mercado de trabalho

Para o especialista em tecnologia Elemar Júnior, fundador da eximia.co, a reação dos estudantes tem a ver com a forma como as pessoas reagem a mudanças grandes e que ainda não entendem direito.

"Quando a pessoa não entende alguma coisa, o cérebro manda ela fugir ou brigar", explica.

Na opinião do especialista, a preocupação aumenta justamente agora, quando milhares de jovens estão saindo da faculdade e indo procurar emprego. Ouvir falar tanto em inteligência artificial acaba deixando dúvidas sobre se vão conseguir trabalho, como vai ser a carreira e como se adaptar às novas exigências.

"Esse monte de conversa sobre IA acaba gerando medo do futuro. Quem está se formando pensa em como usar o que aprendeu no trabalho, e essa mudança toda só aumenta a insegurança. Isso, junto com o instinto natural de fugir ou lutar contra o que não entende, causa essa reação mais forte."

O avanço rápido de ferramentas de IA, especialmente robôs que fazem tarefas complicadas sozinhos, tem deixado as pessoas com medo de perder o emprego em várias áreas. Mas Elemar diz que a conversa deveria ser diferente.

Segundo ele, o papel da tecnologia não é acabar com os profissionais, mas sim aumentar o que eles podem fazer, deixando os processos mais rápidos, eficientes e produtivos.

IA pode ser parceira, não rival

"A chegada dos agentes de IA aponta muito mais para uma nova era de trabalho em equipe do que para uma substituição silenciosa. O que vai ser substituído são tarefas específicas, especialmente as mais repetitivas ou de baixo valor, enquanto se abre espaço para um trabalho humano mais inteligente, com mais foco em decisão, contexto e criação de valor."

Nesse cenário, especialistas dizem que a vantagem dos profissionais vai estar cada vez mais ligada à capacidade de trabalhar junto com essas ferramentas, usando a tecnologia para melhorar os resultados e não como uma concorrente.

"A diferença vai estar na qualidade das decisões e na clareza do que se quer. Quem souber orientar bem os agentes de IA, definir o contexto e assumir a responsabilidade pelo resultado vai ter uma vantagem real dentro das empresas", finaliza Elemar Júnior.