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Jogadores lutam contra empresas para não perderem seus jogos

Tecnologia Games 08/06/2026 16:55 Laura Cress bbc.com

Uma campanha global chamada 'Pare de Matar Jogos' está pressionando governos e empresas para que jogos comprados não sejam desligados para sempre. O movimento começou depois que a Ubisoft desativou o jogo The Crew, deixando milhões de jogadores sem poder jogar. Agora, a causa está sendo discutida no Parlamento Europeu e em outros países.

Uma empresa pode simplesmente pegar algo que você já pagou e tirar de você No mundo dos games online, algumas já fazem isso. As empresas podem desligar os servidores de um jogo, deixando ele impossível de jogar.

O movimento 'Pare de Matar Jogos', uma campanha de direitos do consumidor que está crescendo, foi criado pelo youtuber americano Ross Scott em 2024 e está desafiando essa prática.

  • Mais de 12 milhões de pessoas jogaram The Crew, mas a Ubisoft desligou o jogo em 2024 sem dar nenhuma solução.
  • A campanha já tem quase 1,3 milhão de assinaturas e foi parar no Parlamento Europeu.
  • Para os jogadores, é como se alguém invadisse sua casa e roubasse seu carro ou sua bicicleta.
  • As empresas dizem que você não compra o jogo, mas sim uma licença para usá-lo, e que podem desligar quando quiserem.
  • Uma lei na Califórnia (EUA) quer obrigar as empresas a darem reembolso ou manterem o jogo funcionando.

Em janeiro, o grupo entregou uma petição com quase 1,3 milhão de assinaturas para a Comissão Europeia, o que fez com que fosse realizada uma audiência pública no Parlamento Europeu em abril. O que começou como uma campanha online agora espera uma decisão de uma das maiores instituições da União Europeia.

A campanha de Scott começou depois que a Ubisoft, uma grande empresa de jogos, anunciou que desligaria o jogo de corrida The Crew em 2024. A empresa francesa disse que estava tirando o jogo do ar por causa de problemas com servidores e licenças.

O drama dos jogadores

Para jogadores como Chemicalflood, que jogava The Crew há quase dez anos, a decisão foi pessoal. Ele disse: 'Eu tinha 18 anos quando o jogo lançou. Foi uma parte importante da minha vida adulta. Era uma fuga dos momentos difíceis'. Ele contou que o jogo se tornou algo que ele compartilhava com os filhos, que adoravam explorar o mapa dos Estados Unidos.

O problema não foi a Ubisoft parar de dar suporte ao jogo, mas sim que os jogadores perderam o acesso completo. Chemicalflood disse: 'Não foi o desligamento em si que foi chato, mas como eles fizeram isso foi um tapa na cara'.

A briga na justiça

Ross Scott, também conhecido como Accursed Farms, já falava sobre o problema da posse de jogos há anos. Ele disse: 'Odeio ver trabalhos criativos sendo destruídos'. Ele criou a campanha 'Pare de Matar Jogos', que se refere a quando 'cada cópia do jogo que já foi vendida é desativada e ninguém no planeta pode jogar'.

Whammy4, um jogador que criou a comunidade The Crew Unlimited, comparou a situação a 'alguém invadindo sua casa e roubando sua bicicleta ou seu carro'. Ele disse: 'Você compra uma cópia física do jogo, instala, joga por um tempo e, de repente, a empresa destrói todas as cópias do jogo no mundo, incluindo a sua'.

A resposta da indústria

A Ubisoft já se defendeu na justiça. Em um processo na Califórnia, a empresa argumentou que os clientes compraram uma licença para usar o jogo, não a propriedade total, e que os jogadores foram avisados de que os serviços online não durariam para sempre. O processo foi encerrado em junho de 2025.

A indústria de jogos também reagiu. A Video Games Europe, que representa grandes empresas, disse que desligar servidores 'deve ser uma opção' quando os jogos não são mais viáveis. Eles alertaram que as propostas da campanha podem deixar os jogos online mais caros.

Scott diz que não quer que as empresas mantenham os servidores ligados para sempre, mas que, quando desligarem um jogo, façam isso 'de forma responsável', criando um 'plano de fim de vida', como permitir que o jogo funcione offline.

Jogos que dependem da internet

O problema tem crescido porque muitos jogos são feitos para serem jogados online, os chamados 'live-service games'. Em maio, a Sony anunciou que vai parar de dar suporte ao jogo Destruction AllStars. Já o jogo Concord, também da Sony, foi tirado do ar menos de duas semanas depois do lançamento em 2024.

Joost van Dreunen, professor de negócios de jogos na NYU Stern, diz que, diferente de livros, filmes ou música, muitos jogos são construídos em torno de comunidades online. Ele disse: 'Jogos, especialmente os live-service, são mais como comunidades digitais do que experiências de consumo'. Mas manter essas comunidades está cada vez mais difícil, e as empresas muitas vezes desligam os servidores e partem para outra.

A campanha chega ao parlamento

A campanha agora luta em várias frentes. A Comissão Europeia tem até 27 de julho para responder à petição do grupo. Na França, um grupo de consumidores entrou com uma ação contra a Ubisoft pelo desligamento de The Crew.

No Reino Unido, o governo resiste a criar novas leis. Uma petição conseguiu um debate no parlamento, mas os ministros disseram que não planejam mudar a lei do consumidor. Uma versão britânica do movimento, chamada Gamer's Voice, foi criada.

Nos Estados Unidos, os ativistas apoiam a lei 'Protect Our Games Act', da Califórnia, que obrigaria as empresas a manter os jogos funcionando ou dar reembolsos. O projeto já passou pela Assembleia da Califórnia e agora está sendo analisado pelo Senado.

Para Scott, a jornada tem sido longa e cansativa, mas ele não imagina desistir. Ele e sua equipe sabem que ainda podem levar meses ou anos para concluir a campanha, mas o debate que eles começaram não mostra sinais de desaparecer.