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BMW diz que robôs humanoides são o futuro da produção de carros

Tecnologia Robótica 31/05/2026 16:37 Sean McManus bbc.com

A BMW vai começar a usar robôs com forma humana para trabalhar na linha de montagem de carros na Europa. Esses robôs, chamados Aeon, podem fazer tarefas repetitivas e pesadas, ajudando os funcionários e resolvendo a falta de trabalhadores. Eles aprendem rápido, trocam a própria bateria e já estão sendo testados em uma fábrica na Alemanha.

A BMW vai usar robôs humanoides para fabricar carros na Europa pela primeira vez.

Dois robôs, feitos pela Hexagon Robotics, devem começar a trabalhar na produção a partir do verão. Eles estão em fase de teste na fábrica de Leipzig.

  • Os robôs Aeon têm formato humano, medem 1,65 m e pesam 60 kg.
  • Eles carregam até 15 kg por pouco tempo ou 8 kg de forma contínua.
  • Os robôs trocam a própria bateria em cerca de 3 minutos.
  • Eles aprendem tarefas novas em dias, em vez de meses.
  • A BMW já testou robôs humanoides nos EUA, que ajudaram a fazer 30 mil carros.

"Este será o futuro da produção automotiva", diz Michael Nikolaides, chefe de processos e digitalização da BMW.

A indústria automotiva usa braços robóticos e outras máquinas automáticas há décadas.

Por que robôs com forma humana

"Se você tem um robô com forma humana, pode colocá-lo em qualquer lugar onde uma pessoa trabalha hoje, porque ele tem o mesmo tamanho e as mesmas capacidades", explica Nikolaides.

O custo dos robôs caiu, enquanto é caro redesenhar a linha de montagem. Por isso, é mais barato usar robôs que se encaixam nos processos humanos já existentes.

"Quando um robô custava 17 milhões, você reorganizava a fábrica em torno dele, mas isso não acontece mais", diz Bill Ray, analista da Gartner. "Agora você quer encaixá-lo no seu jeito atual de trabalhar."

Conheça o robô Aeon

Chamado Aeon, o robô da Hexagon tem formato de pessoa, mede 1,65 m e pesa 60 kg. Ele tem velocidade máxima de 2,4 m/s e pode carregar 15 kg por pouco tempo, ou 8 kg de forma contínua.

O Aeon tem 21 sensores, incluindo câmeras, radar, microfone e sensores de força e torque. Ele foi treinado usando sensores em humanos e simulações em um gêmeo digital da fábrica, com software da Nvidia.

Treinamento rápido

O treinamento dos robôs está evoluindo rápido. Uma das técnicas mais interessantes é a "aprendizagem por imitação", onde o robô aprende a fazer uma tarefa observando como ela é feita, por vídeos ou sensores de movimento.

"A melhor tradução do humano para o robô é quando o professor e o aluno têm o mesmo formato", diz Arnaud Robert, presidente de robótica da Hexagon.

Robert diz que essa técnica pode reduzir o tempo de treinamento de meses para dias. "O cenário ideal é o robô assistir alguém empacotando caixas por um tempo e depois começar a ajudar. Isso deve ser realidade em um ou dois anos."

Bill Ray, da Gartner, acredita que em três a cinco anos um robô será capaz de seguir comandos de voz simples para fazer tarefas.

Trabalho na fábrica

A bateria do Aeon dura apenas três horas, mas um turno de trabalho tem oito horas. Por isso, o robô foi programado para trocar a própria bateria em cerca de três minutos, incluindo o deslocamento até a estação de recarga.

Na BMW, os robôs vão alimentar as ferramentas de fabricação com peças e fazer tarefas de pegar e colocar na montagem de baterias. Embora sejam versáteis, eles não devem mudar de tarefa com frequência.

Nikolaides diz que os robôs podem ajudar em trabalhos repetitivos ou fisicamente pesados e também resolver a falta de mão de obra. "Sabemos que vai faltar funcionários em alguns anos, e robôs humanoides ajudam nisso."

"Quando automatizamos a produção de carros nos anos 70, todo mundo disse que isso levaria a muitas demissões, mas aconteceu o contrário", lembra ele. "Novas tecnologias criaram novos empregos, e é assim que vemos os robôs humanoides."

Outras montadoras também avançam

Outras montadoras também estão de olho em robôs modernos. A Toyota planeja usar robôs Digit, da Agility Robotics. A Xiaomi testou dois robôs humanoides na produção de veículos elétricos. A Hyundai usa robôs Spot para inspeção industrial e planeja usar robôs Atlas, da Boston Dynamics.

A BMW já experimentou robôs humanoides nos EUA, onde o robô Figure O2 ajudou a construir 30 mil carros modelo X3, trabalhando no mesmo ritmo que uma pessoa.

Uma diferença importante entre os robôs Figure e Aeon é que o Figure anda, enquanto o Aeon tem rodas no lugar dos pés. "Faz mais sentido no chão de fábrica, porque o Aeon pode rolar de um lugar para outro", diz Nikolaides.

A BMW também usou um robô Spot, da Boston Dynamics, com formato de cachorro, como vigia de manutenção. "Ele precisava subir escadas e conseguia ir ao porão, onde ficavam muitas máquinas."

Robôs são bem-vindos

Os robôs foram bem recebidos pelos funcionários, diz Nikolaides. Ele acredita que as pessoas vão dar nomes a eles, como fizeram com robôs mais antigos.

"Se não tem nome, é uma máquina", diz Ray, da Gartner. "Se erra, está quebrada. Se tem nome, as pessoas esperam que ele erre e perdoam. Uma dica que damos às empresas é dar nomes aos robôs."

O Aeon não tem rosto humano, mas tem uma área de exibição na frente da cabeça que mostra símbolos, como uma linha quando está trabalhando e um círculo quando está ouvindo.

"Ainda estamos trabalhando nessa linguagem visual, mas achamos importante que o Aeon se comunique de forma natural para os humanos", diz Robert.

Cuidado com o exagero

Robôs humanoides estão começando a trabalhar ao lado de pessoas, mas Ray acredita que eles foram supervalorizados, especialmente com demonstrações chamativas. "O principal uso de um robô humanoide hoje é subir em um palco e inflar artificialmente o preço das ações da empresa. Robôs dançando não são tão difíceis de fazer."

Há o risco de as pessoas superestimarem as capacidades dos robôs. "Quando você vê um robô humanoide andando, assume que ele pode correr, escalar e pular. Mas ele não pode fazer nada disso. Seu cérebro preenche essas lacunas. Estamos criando expectativas irreais."