A BMW vai usar robôs com formato humano para ajudar na produção de carros em sua fábrica na Europa. Esses robôs, chamados Aeon, podem fazer tarefas repetitivas e pesadas, como pegar peças e montar baterias. Eles aprendem observando humanos e podem trabalhar por três horas seguidas. A empresa acredita que isso vai ajudar a resolver a falta de trabalhadores e criar novos empregos.
A BMW vai usar robôs humanoides pela primeira vez na Europa para fabricar carros.
Dois robôs, feitos pela Hexagon Robotics, devem começar a trabalhar na produção a partir do verão. Eles já estão em teste na fábrica de Leipzig.
- Os robôs Aeon têm forma humana, com 1,65m de altura e pesam 60kg
- Eles podem carregar até 15kg por pouco tempo ou 8kg de forma contínua
- Têm 21 sensores, incluindo câmeras, radar e microfone
- A bateria dura 3 horas, mas eles trocam sozinhos em 3 minutos
- Eles aprendem observando humanos, o que reduz o treino de meses para dias
"Este será o futuro da produção automotiva", diz Michael Nikolaides, chefe de processos e digitalização da BMW.
Braços robóticos e outras máquinas automáticas já são usados na indústria de carros há décadas.
Então, por que mudar para robôs com forma humana
"Se você tem uma forma humana, pode colocar o robô em qualquer lugar onde um humano trabalha hoje, porque ele tem o mesmo tamanho e as mesmas capacidades", explica Nikolaides.
O custo dos robôs caiu, enquanto é caro redesenhar a linha de montagem. Por isso, é mais barato usar robôs que se encaixam nos processos humanos existentes.
Como o robô Aeon funciona
O Aeon tem rodas em vez de pés, o que facilita se movimentar no chão da fábrica. Ele pode andar a uma velocidade de 2,4 metros por segundo.
Na BMW, os robôs foram treinados usando sensores em humanos e simulações em computador, com software da Nvidia. O robô repetia uma tarefa várias vezes na simulação para encontrar as melhores soluções.
Os robôs vão alimentar ferramentas de fabricação com peças e fazer tarefas de pegar e colocar na montagem de baterias.
Treinamento rápido
O treinamento dos robôs está evoluindo rápido. Quanto mais rápido se treina um robô, melhor.
Uma das áreas mais interessantes é a "aprendizagem por imitação", onde o robô aprende observando como a tarefa é feita, usando vídeos ou sensores de movimento. Isso pode reduzir o treino de meses para dias.
"A melhor tradução do humano para o robô é quando o professor e o aluno têm a mesma forma", diz Arnaud Robert, presidente de robótica da Hexagon.
"Aquele é o cenário final", diz Robert. "Você está descrevendo algo que provavelmente está a um ou dois anos de distância."
Bill Ray, da Gartner, estima que dentro de três a cinco anos um robô será capaz de ouvir instruções simples de voz e realizar tarefas.
Outras montadoras também usam robôs
A Toyota planeja usar robôs Digit da Agility Robotics. A Xiaomi testou robôs humanoides na produção de veículos elétricos.
A Hyundai usa robôs Spot para inspeção industrial e planeja usar robôs Atlas da Boston Dynamics.
A BMW já usou robôs humanoides nos EUA, onde o robô Figure O2 ajudou a fabricar 30.000 carros modelo X3, trabalhando no mesmo ritmo que um humano.
Robôs são bem-vindos pelos funcionários
Os robôs foram bem recebidos pelos funcionários, diz Nikolaides. Ele imagina que as pessoas vão dar nomes a eles, como fizeram com outros robôs não humanoides.
"Se não tem nome, é uma máquina", diz Ray, da Gartner. "Se erra, está quebrada. Se tem nome, as pessoas esperam que ele cometa erros. Elas perdoam."
O Aeon não tem rosto humano, mas tem uma área de exibição na frente da cabeça, que mostra símbolos, como uma linha quando está executando uma tarefa e um círculo quando está ouvindo.
"Ainda estamos trabalhando nessa linguagem visual, mas acreditamos que o Aeon precisa se comunicar de uma forma que seja natural para os humanos", diz Robert.
Robôs humanoides estão começando a entrar nos locais de trabalho ao lado de humanos, mas Ray acredita que eles foram supervalorizados.
"O principal uso de um robô humanoide hoje é andar no palco e inflar artificialmente o preço das ações", diz ele. "Robôs dançando ou algo assim: não é tão difícil de fazer."
Há o risco de as pessoas superestimarem as capacidades de um robô, diz ele.
"Quando você vê um robô humanoide andando, você assume que ele pode correr, escalar, pular. Ele não pode fazer nada disso, mas seu cérebro preenche essas lacunas. Estamos tendo expectativas irreais quando as pessoas usam esses robôs."

Aeon pode trabalhar por três horas antes de precisar trocar a bateria


