Uma empresa criada por um produtor rural do Rio Grande do Sul desenvolveu um aparelho simples que se conecta a qualquer máquina agrícola para ajudar no controle de custos e na gestão do trabalho no campo. A startup recebeu investimento de uma fabricante de máquinas e agora quer levar essa tecnologia para mais agricultores em todo o Brasil.
No mundo das agtechs, é comum que os criadores das startups venham das universidades, de empresas de tecnologia ou ainda de grandes companhias.
Menos comum, no entanto, são fundadores que estão no campo e decidiram transformar um problema do dia a dia em um negócio.
- A Agrifence foi criada por um produtor rural que enfrentava dificuldades para gerenciar as máquinas da própria fazenda.
- A tecnologia funciona até sem internet, enviando relatórios pelo WhatsApp.
- O aparelho, chamado AgriBox, pode ser retirado de uma máquina quebrada e colocado em outra, sem parar o monitoramento.
- A empresa gaúcha fez uma parceria com a Jumil, uma grande fabricante de máquinas de São Paulo, para vender o produto para todo o Brasil.
- O foco da Agrifence é ajudar o produtor médio, que muitas vezes fica esquecido pelas grandes empresas de tecnologia.
Esse é o caso da Agrifence, uma empresa de tecnologia do campo, criada em Rio Grande (RS), que desde 2023 desenvolve um sistema de monitoramento para máquinas agrícolas. A ideia é ser simples, de fácil uso e ajudar o produtor a controlar custos e saber o que cada máquina está fazendo.
Para crescer, a startup fechou uma parceria com a Jumil, uma fábrica de máquinas agrícolas de Batatais (SP), que comprou uma parte da empresa.
Mesmo com a parceria, a Agrifence quer manter sua origem. "Somos uma empresa de produtor para produtor", diz Ignácio Melitto, fundador da empresa.
Como surgiu a ideia
Melitto é da quarta geração de uma família de produtores de arroz do Sul do Rio Grande do Sul. Ele é engenheiro mecânico e trabalhou com máquinas e petróleo antes de voltar para a lavoura da família, no fim de 2022.
Foi nessa volta ao campo que surgiu a Agrifence. A família precisava dividir a operação da fazenda, mas não dava para comprar máquinas novas para cada parte. "A gente estava dividindo a compra de insumos e a venda de grãos, mas não dava para duplicar máquina, equipe e estrutura", lembra Melitto. "Então começamos a procurar uma solução que monitorasse as máquinas."
Por que criar uma solução própria
Quando a família foi ao mercado, encontrou sistemas muito complexos e caros, cheios de dados técnicos que não eram úteis para a operação do dia a dia. "A gente não queria uma enxurrada de informações que iam se perder. Queria algo direto, que ajudasse a entender custo e operação", afirma Melitto.
A decisão foi criar uma solução própria. No começo, primeiro, a ideia era resolver o problema interno, mas depois viram que outros produtores também precisavam da mesma ajuda. "Vimos que aquilo tinha aplicação para vários colegas nossos."
Como funciona a tecnologia
A Agrifence desenvolveu um aparelho chamado AgriBox. Ele é do tipo "plug and play", ou seja, é só conectar na máquina e ele começa a funcionar. O AgriBox coleta dados de localização, velocidade, quem está operando e qual implemento está sendo usado.
Depois, esses dados são enviados para um software chamado Agri-Vision, que mostra as informações em mapas e relatórios. Além disso, todo dia um resumo é enviado pelo WhatsApp, inclusive pelo WhatsApp, para que o produtor possa ver como foi o trabalho sem precisar abrir o sistema.

Ignácio Melitto, fundador e gerente-geral da Agrifence


