Descubra como a ciência e a tecnologia estão transformando o cultivo de orquídeas em um negócio bilionário. Cientistas usam segredos genéticos para criar flores únicas, em um processo que pode levar anos e envolve muito trabalho de laboratório e estufa.
Leva cerca de uma década de trabalho duro para criar uma nova orquídea e vendê-la no mercado.
Mas a recompensa pode ser enorme, pois o mercado global de orquídeas vale centenas de milhões de dólares. A competição para criar a próxima flor linda é muito intensa.
- O processo de criação de uma nova orquídea leva cerca de 10 anos, da ideia à venda.
- O mercado global de orquídeas movimenta centenas de milhões de dólares.
- Cientistas usam testes de DNA para acelerar a seleção das melhores plantas.
- Empresas guardam a sete chaves suas técnicas genéticas para não serem copiadas.
- Apesar da tecnologia, a decisão final sobre a beleza da flor ainda é humana.
Por isso, na corrida para criar novos tipos de orquídeas, o laboratório é tão importante quanto a estufa.
O problema genético das orquídeas
Séculos de misturas e seleção feitas por humanos bagunçaram tanto o DNA de muitas orquídeas que, segundo a empresa holandesa Floricultura, a genética delas virou uma 'bagunça'. Isso significa que é muito difícil prever como uma nova planta vai ficar.
Mas, ao criar 'marcas' genéticas para características específicas (como cor, formato, resistência a doenças e quanto tempo a flor dura), as empresas conseguem acelerar o processo. Em vez de esperar três anos para a planta crescer e ver se ela é boa, os criadores podem testar o DNA de plantas bem novinhas e descartar as que não servem logo no começo.
'Se algumas milhares de mudas saem do laboratório, podemos testá-las com o marcador e escolher só as que têm a característica que procuramos', explica Wart van Zonneveld, gerente de pesquisa da Floricultura. 'É uma dica de uma característica que você quer ou não quer.'
Segredos de laboratório e disputa comercial
Essas 'técnicas novas de criação' são segredos muito bem guardados. Cada empresa cria suas próprias marcas e processos genéticos, porque é isso que permite que elas criem variedades únicas. 'Guardamos para nós porque é muito investimento', diz van Zonneveld.
'Ainda é criação, você tem que cruzar as plantas, e não podemos simplesmente pegar um pedaço de DNA e colocá-lo de volta', diz Paul Arens, pesquisador da Universidade de Wageningen, na Holanda. 'A base ainda é o que fazemos há 100 anos: pegar duas plantas, ver as características e cruzá-las. Mas os criadores agora usam jalecos brancos e fazem pesquisas com marcadores genéticos e genômica.'
A genética também é usada para proteger a 'receita' da nova planta. Na Europa, isso é feito com 'direitos de criador' e nos Estados Unidos, com patentes. 'Se uma empresa cria uma nova orquídea, ela quer o direito exclusivo de vendê-la', diz Arens. 'Senão, alguém pode comprar a flor na loja, multiplicá-la e vendê-la.' Para ter o direito, a nova planta precisa ser diferente, estável e uniforme. O teste de DNA é essencial para comparar a nova planta com outras e ver se ela é realmente única.
O longo caminho até a flor perfeita
A Floricultura não vende para o público ou para floriculturas. O negócio dela é criar novas variedades e vendê-las para os grandes produtores que cultivam as plantas em larga escala. Eles têm mais de 180 variedades no catálogo, mas centenas em desenvolvimento, porque a demanda por novidades nunca para.
'Você não pode parar, porque leva muito tempo para desenvolver novas variedades', diz Stefan Kuiper, gerente de criação da empresa. 'Você tem que continuar, senão fica para trás.' Depois da seleção genética, as plantas levam cerca de três anos para crescer, primeiro no laboratório e depois em estufas. 'Criação é a arte de jogar fora', diz Paul Arens, descartando as plantas que não são boas, e também a arte de multiplicar o que sobrou. A próxima leva não serão 'irmãs' das plantas selecionadas, mas sim cópias idênticas: clones.
Para clonar, a empresa usa células especiais (meristemas) que permitem o crescimento da planta. Mas a técnica exata é também um segredo comercial. As mudas clonadas são cultivadas por anos até uma nova seleção.
Tecnologia e o toque humano final
Cultivar orquídeas é um negócio que consome muitos recursos. As plantas precisam de calor, luz, água e nutrientes confiáveis por muitos meses. A genética acelera o processo, mas no final é preciso deixar a planta crescer para confirmar suas características: formato, cor, resistência a doenças. Jovens plantas são enviadas de avião para a Índia e de caminhão para a Polônia, antes de voltar para a estufa na Holanda.
A empresa coleta água da chuva e, por causa das mudanças climáticas, está reciclando essa água. Eles também usam um poço geotérmico que bombeia água de 3km de profundidade a 102°C, gerando tanta energia que eles estão pensando em compartilhá-la com a cidade para aquecer casas.
Mas mesmo com tanta automação e tecnologia, uma tarefa ainda é humana: decidir se a nova orquídea é bonita o suficiente para ser vendida. 'Criação é um pouco como jogar', diz Kuiper. A planta pode ter todos os genes certos, mas precisa ser bela aos olhos de quem vai comprar. E por enquanto, esse julgamento ainda é das pessoas.

A indústria de orquídeas vale centenas de milhões de dólares


