Gadi Eisenkot, líder da oposição, conquistou o apoio de 67 deputados, superando Netanyahu, que ficou com 46. O presidente Isaac Herzog deve decidir no domingo quem formará o próximo governo, possivelmente um bloco de unidade sem árabes ou um governo minoritário.
Após receber o apoio dos partidos árabes, o líder da oposição israelense, Gadi Eisenkot, garantiu nesta quinta-feira, 5, uma vantagem significativa no parlamento. Com 67 votos a favor, ele superou o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, que obteve apenas 46 indicações, além de 7 abstenções. Essa maioria coloca Eisenkot na posição de principal candidato a liderar a formação do novo governo.
O presidente Isaac Herzog, no entanto, ainda não decidiu quem será o próximo primeiro-ministro. Herzog declarou que revelará sua escolha no domingo, após uma nova rodada de conversas com os líderes dos partidos. Ele argumenta que a lei exige que o indicado tenha a capacidade real de formar um governo, algo que não está claro devido a vetos internos entre os blocos políticos.
- Votos: Eisenkot obteve 67 apoios; Netanyahu, 46; 7 deputados se abstiveram.
- Maioria: São necessários 61 votos para formar governo na Knesset (120 cadeiras).
- Prazo: Herzog tem até quarta-feira para definir; o candidato terá 28 dias (prorrogáveis) para formar o gabinete.
- Árabes: Partidos árabes elegeram 19 deputados, número recorde, e apoiaram Eisenkot.
- Ultraortodoxos: O partido Judaísmo Unido da Torá se absteve, enfraquecendo a base de Netanyahu.
Manobras políticas e pressão popular
Segundo relatos da imprensa local, Herzog trabalha nos bastidores para criar um governo de unidade nacional. Essa fórmula buscaria reunir apenas os partidos judaicos sionistas, excluindo tanto as legendas árabes quanto as ultraortodoxas do executivo. A estratégia visa evitar conflitos internos, mas ainda não foi confirmada publicamente.
As ruas de Jerusalém refletiram a tensão política. Manifestantes se reuniram em frente à residência oficial do presidente para exigir um governo de coalizão entre Netanyahu e Eisenkot. Em outra região da cidade, grupos de oposição defendiam a inclusão dos representantes árabes no novo Executivo.
Decisões-chave dos partidos
A Lista Unida, maior partido árabe de Israel, confirmou seu apoio a Eisenkot nesta quinta-feira. O partido justificou a decisão afirmando que atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder. O Ra'am, outro importante partido árabe, já havia declarado seu apoio anteriormente.
Enquanto isso, o partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), aliado histórico de Netanyahu, optou por se abster das indicações. A decisão ocorreu em meio a disputas internas sobre a isenção dos estudantes das escolas religiosas do serviço militar obrigatório. Essa abstenção foi crucial para reduzir a base de sustentação do atual primeiro-ministro.
Cenário incerto para a formação do governo
O partido Yashar pressionou Herzog para que indique Eisenkot, destacando que o número de indicações é o maior desde 2015. O partido reforçou que o povo israelense optou pela mudança e expressou falta de confiança em Netanyahu, que lidera uma minoria sem mandato pleno. No entanto, formar um governo estável continua sendo um desafio técnico.
O maior obstáculo prático é a resistência de parte da oposição judaica em fechar acordo com os árabes. Lideranças como o nacionalista Avigdor Liberman rejeitam qualquer aliança formal. Nesse contexto, uma alternativa seria Eisenkot liderar um governo minoritário, apoiado indiretamente pelos votos árabes na votação de confiança, sem que eles ingressem no gabinete. Essa fórmula é vista com desconfiança por setores do eleitorado judaico, especialmente após os eventos de 7 de outubro de 2023.
Herzog tem até quarta-feira para tomar a decisão final. O candidato designado terá 28 dias para formar o governo, prazo que pode ser estendido por mais 14 dias. Se houver fracasso, outra figura será encarregada; caso o impasse persista, novas eleições gerais serão convocadas.

Benjamin Netanyahu durante a Assembleia Geral da ONU (Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP)


