A senadora Damares Alves quer investigar possíveis falhas de órgãos públicos no caso Banco Master e ouvir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Um pedido de vista de uma senadora da base do governo Lula adiou a votação da proposta.
Senadora quer ouvir ex-banqueiro do Banco Master
Senadora quer investigar o caso Banco Master e ouvir o ex-banqueiro. Pedido de vista de parlamentar da base de Lula adiou a votação da proposta.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) quer ouvir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado.
- Damares Alves (Republicanos-DF) quer ouvir Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
- A votação foi adiada por um pedido de vista da senadora Leany Lemos (PSB-DF), da base do governo Lula.
- A proposta é do senador Márcio Bittar (PL-AC), e Damares é a relatora.
- O colegiado pode pedir documentos, ouvir pessoas e solicitar auditorias ao Tribunal de Contas da União (TCU).
- O impacto estimado do caso supera R$ 50 bilhões, incluindo custos para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e possíveis prejuízos a fundos de previdência.
O depoimento faria parte de uma investigação sobre possíveis irregularidades e omissões de autoridades públicas no caso Banco Master. Durante reunião da comissão, nesta quarta-feira (4), Damares pediu que a proposta fosse colocada em votação.
Eu soube, a imprensa fala, há passarinhos azuis andando nos corredores que o Daniel Vorcaro quer falar. Por que não falar nesta comissão Essa é uma comissão preparada para ouvi-lo., justificou Damares.
O presidente do colegiado, senador Dr. Hiran (PP-RR), aceitou. A análise, porém, foi interrompida após a senadora governista Leany Lemos (PSB-DF) pedir vista, ou seja, mais tempo para examinar o relatório.
Leany integra o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e aliado do governo Lula. Com o pedido da parlamentar governista, a comissão adiou para a próxima semana a decisão sobre o início da fiscalização.
Proposta de fiscalização quer apurar falhas de órgãos públicos
A proposta é de autoria do senador Márcio Bittar (PL-AC) e tem Damares como relatora. O objetivo é investigar se órgãos públicos falharam na fiscalização do Banco Master e se autoridades deixaram de agir para impedir as irregularidades que levaram à crise da instituição.
O procedimento é chamado de Proposta de Fiscalização e Controle (PFS). Na prática, permite que uma comissão do Senado investigue a atuação de órgãos públicos, solicite documentos, ouça pessoas envolvidas e peça auditorias ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Para que esse trabalho avance, a comissão precisa aprovar o relatório inicial. Damares já apresentou parecer favorável à fiscalização e pretende ouvir Vorcaro durante os trabalhos.
Está pronto desde abril para a gente pautar, quem sabe na próxima reunião, o meu relatório. O Brasil precisa saber de muita coisa que aconteceu no Banco Master, pontua a relatora.
Banco Master na mira
O relatório da senadora prevê a investigação de possíveis falhas do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de órgãos responsáveis pela fiscalização de fundos de previdência.
Também propõe verificar se bancos públicos e fundos de pensão foram usados para beneficiar operações do Banco Master e se houve interferência política ou omissão de agentes públicos.
Outro ponto é identificar quem sabia dos problemas financeiros da instituição, quando as autoridades foram alertadas e quais providências foram tomadas antes da liquidação do banco, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
No documento, Damares afirma que a comissão deverá identificar os responsáveis pelas falhas de fiscalização.
A Comissão identificará onde os fluxos de informação falharam e quem era responsável por garanti-los, escreveu a senadora.
O relatório também destaca a dimensão da crise. Segundo o documento, o impacto estimado do caso supera R$ 50 bilhões, incluindo os custos para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e possíveis prejuízos a fundos de previdência.
Ao final da fiscalização, caso sejam identificados indícios de irregularidades, a comissão poderá encaminhar as conclusões ao Ministério Público e a outros órgãos responsáveis pela investigação e punição dos envolvidos.

Rafael Fogaça / Ascom SDA


