21 de outubro de 2026

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Campanha Vovó Vota incentiva idosos a votar no segundo turno

Política Abstenção 21/10/2026 15:24 Luiz Cláudio Ferreira e outros Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

O Movimento Vovó Vota promove a consciência cidadã contra a abstenção de idosos nas eleições. Com 16 milhões de brasileiros acima de 70 anos podendo votar, a campanha busca aproximar netas e avós para aumentar a participação. Saiba como idosas como Maria Alaídes, Maria Albino e outras estão se mobilizando para votarem no segundo turno e assegurar direitos.

Na comunidade rural de Ludovico, em Lago do Junco (MA), a 300 km de São Luís, Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, trabalha quebrando coco babaçu. Ela caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

Para conscientizar outras idosas sobre a importância do voto, ela faz um trabalho de busca ativa. Quer incentivar outras trabalhadoras e avós a não abrirem mão desse direito.

  • Brasil tem cerca de 16 milhões de idosos acima de 70 anos que podem votar.
  • A abstenção nessa faixa caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026.
  • O voto é facultativo para maiores de 70 anos desde a Constituição de 1988.
  • Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo sem problemas.
  • Prioridade para idosos e acessibilidade são garantidas nos locais de votação.

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Esse grupo tem voto facultativo desde a Constituição de 1988 e um histórico de alta abstenção.

Na comunidade onde Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.

A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.

Como líder de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.

O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia.

Entre suas prioridades está o enfrentamento das mudanças climáticas, que afetam diretamente as atividades das quebradeiras.

Estima-se que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

Participação popular

Mulheres entusiasmadas com as eleições, como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à luta histórica pelo voto feminino.

A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno, segundo o Movimento Voto 70+.

Segundo o TSE, o percentual de eleitores dessa faixa que não votaram passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.

Para reduzir ainda mais a abstenção no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.

Uma das mensagens é que, mesmo sem ter votado no primeiro turno, a pessoa pode participar do segundo, sem restrições.

Agora, eu vou

Em Orizona, a 130 km de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No dia 4, os eleitores escolheram deputados, senadores, governadores e presidente.

Mas desta vez é só para presidente. Então, eu vou. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.

A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica. Diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.

Sua filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar ensino superior. Ela conta que sente orgulho da trajetória da mãe e costuma citá-la em suas aulas, onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino.

Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço.

Tive medo

A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, mora em Olinda (PE) e também não votou no primeiro turno. Na verdade, há 12 anos não participa das eleições.

No entanto, ela conversou com filhos e neta e decidiu abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.

Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados, lembra.

Ela guardou o título eleitoral no armário e não o encontrou mais. Mas já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.

Maria José disse que guardou durante a vida os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, também chamada Maria, de 19 anos, ficou feliz com a decisão da avó.

Voto por direitos

Inspirações não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que mora na cidade maranhense de Nova Iorque, a 560 km de São Luís.

Ela diz que o direito à cidadania permitiu que lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.

Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos estudaram. Por isso é muito importante votar.

Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças e idosos.

Dificuldades

No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera não passar pela dor de cabeça do primeiro turno, quando enfrentou filas longas: demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos.

Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.

Uma resolução do TSE determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem precisar esperar na fila comum.

Além disso, devem ser garantidas medidas de acessibilidade para assegurar autonomia e segurança na votação.

Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação à saúde e à educação.

Não adianta ser eleito e ficar sentado. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população.

Memórias

No dia 25, os idosos também levarão a memória da importância de votar, inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.

A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação.

É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Estudei na rede pública do básico ao superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando.

Ela recorda que os professores não podiam mencionar letras de música e que filmes e peças eram censurados.

Eu participei das Diretas Já, o pontapé da redemocratização. Nunca associei meu voto a um partido. Escolhia o candidato pelos compromissos assumidos e pelos que lutaram contra a ditadura.